Fundado em 2018, Amicitia Chorus afirma-se como um espaço de criação onde o património musical português é entendido como matéria viva, em constante transformação. Partindo da tradição oral, o grupo desenvolve um trabalho assente na reinterpretação de repertório tradicional, na adaptação de obras de autor e na criação de novas peças inspiradas em fontes etnográficas, cruzando o rigor coral com uma abordagem contemporânea e performativa.
Neste EP, intitulado Bai-te à Murta, Amicitia Chorus apresenta um conjunto de arranjos originais criados especificamente para o grupo, onde a memória coletiva é reinventada através da voz, do corpo e do gesto. O canto coral dialoga com elementos como a percussão corporal e instrumentos tradicionais, numa linguagem que expande os limites do universo coral e propõe uma nova escuta da tradição.
O disco divide-se em dois momentos distintos. O Lado A, gravado em estúdio, revela um trabalho minucioso de construção sonora e detalhe interpretativo, com três peças emblemáticas do repertório do grupo:
– Ró da Graça
– Senhora do Almurtão
– Altos Altentes
Já o Lado B, registado ao vivo, capta a dimensão performativa e energética do coro em palco, onde o corpo, o espaço e a presença coletiva ganham centralidade:
– Recordar os Moinhos
– Hei de ir a Penafiel
Com direção artística do maestro Ricardo Leão e a colaboração de vários compositores e arranjadores, este trabalho reflete uma visão clara: a de que a tradição não é um lugar fixo, mas um processo contínuo de reinvenção. Sementes da Tradição é, assim, um testemunho dessa prática — um disco onde o passado se projeta no presente, de voz em voz, abrindo caminho para o futuro da música portuguesa.
Ficha Técnica
Direção Artística
Ricardo Leão
Produção, Gravação, Mistura e Masterização
Miguel Simões
Intérpretes
Sopranos: Francisca Fumega, Inês Barreiros e Inês Nogueira
Altos: Joana Póvoa, Patrícia Moreira e Helena Barbosa
Tenores: Márcio Duarte, Ricardo Evaristo e Telmo Sousa
Baixos: Cláudio Barruma, Carlos Sousa e Rafael Moreira
















