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Escolhas do João Afonso Almeida

 

PATXI ANDION

“La hora lobicán”- novo disco comemora 50 anos de carreira !!!

Quando no já longínquo ano de 1968 editou o álbum “Retratos” o cantautor espanhol Patxi Andion estava certamente muito longe de pensar numa durabilidade de carreira  de meio século e no extraordinário sucesso que as suas canções e a sua voz iriam provocar um pouco por todo o Mundo com especial destaque para o seu país natal e para…Portugal , onde, mesmo ao fim de muitos anos, é ainda idolatrado e onde geralmente esgota as salas de concerto quando nelas se apresenta ao vivo!

Recuando um pouco no tempo, recordo que um dia, há já muitos anos atrás, o ouvi desabafar dizendo:-“…fui um lobo solitário toda a minha vida, um lobo das estepes, que viveu mal e chegou a passar muita, muita fome…”.

Este mesmo personagem que assim desabafava , pertence à geração de 1968 dos grandes cantautores espanhóis juntamente com outros famosos “compagnons de route” como Joan Manuel Serrat, Paco Ibañez, Amâncio Prada, Luís Eduardo Aute ou Joaquin Sabina e  é a mesma pessoa que há poucos anos atrás lembrava ainda que “…efectivamente a canção de texto teve para nós cantautores uma carga de responsabilidade política e cultural muito grande; a mim chegaram a dizer–me vários políticos portugueses e espanhóis que eu não tinha a noção, não sabia a dimensão e o verdadeiro significado que muitas das minhas canções tinham tido para eles, sobretudo no período em que estiveram detidos na prisão!”

Patxi Andion pisou, há muitos anos atrás, e pela primeira vez terras portuguesas para actuar na televisão no célebre  programa”Zip-zip” da “trindade” – Fialho Gouveia, Carlos Cruz e Raul Solnado – e a partir daí, curiosamente, ou talvez não, começou para ele um duplo e antagónico percurso:-por um lado um “calvário” de perseguições por parte da polícia política de então- a tristemente célebre PIDE- que para alem de ter censurado quase todas as letras de sua autoria, chegou mesmo a  recambiá-lo de volta para a fronteira com Espanha e  exigir-lhe que tão cedo não pisasse solo português e por outro lado trilhou ao mesmo tempo um caminho de sucesso discográfico e de palco, culminado com memoráveis concertos em diversas cidades de Portugal e com o lançamento entre nós de todos os seus discos a solo, além de várias colectâneas em edições de que resultaram grandes sucessos populares e radiofónicos que transformaram algumas das suas composições em míticos êxitos que mesmo hoje em dia, ao fim de muitos anos, continuam a perdurar na memória e no imaginário de todos os portugueses e que acabaram afinal de contas por transformá-lo sem sombra de dúvida no mais bem sucedido de sempre de todos os artistas de texto espanhóis em território luso.

Quem não recorda com saudade, e muitas vezes até com uma furtiva lágrima ao canto do olho, mega sucessos como “20º aniversário (palabras)”, “33 versos a mi muerte”, “Padre”, “Samaritana”, “Con toda la mar detrás”, “Cancion para un niño en la calle”, ”Nos pasaran la cuenta”, ”La casa se queda sola”, “Compañera”, “El maestro”  ou “Oda a Walt Whitman”  a mais fabulosa interpretação incluída do projecto discográfico do grande e saudoso Leonard Cohen -“Poetas in Nueva Iorque” baseado no livro homónimo do genial poeta e dramaturgo granadino Federico Garcia Lorca, barbaramente assassinado pelos esbirros da polícia civil espanhola de então?

Pois é este mesmo Patxi Andion, o exilado em Paris no Maio de 68, o escritor que contabiliza já no activo vários livros publicados, o actor de cinema, mas também, e fundamentalmente, o cantor inspirado e inspirador, irónico, criativo, terno, por vezes profundamente sentimental, filosofo, contundente critico social e político, louco por futebol e  especialmente pelo Atlético de Madrid ( cantou até há poucos meses atrás “Bodas de oro”um dos mais fantásticos hinos do antigo clube dos portugueses Jorge Mendonça , Paulo Futre e Tiago numa recente edição discográfica -”Los himnos del Atleti”) e também ainda, convém não esquecer, o imortal personagem “Che” Guevara na teatral “Evita” espanhola e ainda o humanista professor catedrático de sociologia na Universidade de Castilla la Mancha, que agora está de volta às gravações e aos discos para comemorar nada menos de 50 anos de canções através do lançamento de um novo projecto de inéditos – “La hora lobican” ( cá está de novo a presença imaginária mas evidente do lobo, esse belo e fugidio animal por vezes tão injustamente odiado e simultaneamente tão temido, altaneiro e destemido, audaz e guerreiro) onde, como é hábito nos seus trabalhos, já não olha para trás, para o passado, para a obra feita, antes, decidida e seguramente, caminha de mãos dadas com o futuro ao sabor da sua inquestionável  e habitual exigência  literária e musical, inovando sempre com a plena convicção e consciência de que ultrapassou na sua obra a fase inter-geracional e preparando-se com firmeza e determinação ainda para mais altos voos, daqueles que só estão ao alcance das soberbas aves altaneiras…

“La hora lobican” reúne dez brilhantes canções compostas e escritas pelo cantor basco, (nascido no entanto na capital espanhola), excepto “Vaga no azul amplo, solta” poema de Fernando Pessoa que já havia surgido sob a forma de canção num disco (“Para além da saudade”) de Ana Moura num fabuloso dueto dela com o cantautor espanhol.

Dez novas pequenas pérolas musicais da música de autor, que se seguem a um manancial de grandes sucessos, constituindo alguns já verdadeiros hinos, deste profundo amante de fado (interpreta  habitualmente um tema de ti António dos Santos no alinhamento dos seus concertos tendo incluído mesmo no seu disco ao vivo– “Cuatro dias de Mayo” a canção ”Minha alma de amor sedenta” ), um interprete absolutamente genial que segue cantando melhor que nunca, continuando assim ao fim de tantos anos de carreira  a conseguir ainda e sempre surpreender-nos com a exigência qualitativa que sempre tem imposto às suas criações que originam mais perguntas que respostas, com a magnificência da sua voz rouca e profundamente visceral, com o seu magnetismo pessoal e acima de tudo com a enorme qualidade, a altíssima qualidade da sua música isto apesar de como ele diz no booklet do novo trabalho os tempos serem outros e as preocupações do homem ,outras também…

(CD e duplo vinil Lemuria Music/Warner Music)

 

CHIC

Para comemorar 40 anos sobre o lançamento do mega sucesso “Le freak”, que vendendo mais de sete milhões de 45 rpm na altura acabou por se tornar o maior sucesso em single  da Atlantic records acaba de surgir nos escaparates “The Chic organization 1977-1979” que é a mais recente reedição da obra  do grande Nile Rodgers um dos mais prolíferos e famosos  nomes da musica negra norte-americana em colaboração com o seu comparsa musical Bernard Edwards; o projecto revestiu-se de certa expectativa e  provoca agora grande interesse tanto mais que não só ostenta na capa da box a assinatura de Rodgers como inclui para alem dos três discos originais do projecto Chic e o das Sisters Sledge um disco extra contendo  fantásticas versões remix e edit de alguns dos mais populares hits do projecto tais como”Everybody dance”ou o já atrás citado “Le freak”;uma edição de luxo totalmente remasterizada por Nile e que é simultaneamente uma rara oportunidade para se tomar contacto com uma época de ouro da música soul/dance do final dos anos 70 e com incríveis êxitos das pistas de dança tais como  os atrás citados e ainda com ”We are family”, “Dance, dance, dance”, “I want your love” ou “My forbidden lover”.

A não perder não só pelos pelos amantes da boa musica negra como também pelos saudosistas das pistas de dança!

box Atlantic/Warner Music

SMOOTH FM

Mais uma compilação de êxitos  com escolhas dos programadores da rádio Smooth FM; trata-se desta vez de “Smooth FM soul” que como o próprio titulo deixa adivinhar é composta por sucessos (20) da grande música soul negra e onde podemos encontrar mega hits  interpretados por gente como  os Temptations, Stevie Wonder, Diana Ross & Marvin Gaye, Lou Rawls & Dianne Reeves, James Brown, Four tops e muitos mais.

Um projecto que é um verdadeiro deleite auditivo!

CD Universal

ÓPERAS em BLURAY disc

Algumas das mais lendárias e famosas óperas do espólio da Deutsche Grammophone aparecem agora remasterizadas e disponíveis no formato 2CD e Bluray disc- pure áudio e vão certamente agitar o mercado tanto mais que surgem a preços verdadeiramente competitivos e por isso mesmo vão também despertar grande entusiasmo nos melómanos pelo facto de serem editadas com um som melhorado e  a todos os títulos notável; assim foram editadas “Rigoletto” e “Macbeth”  ambas da autoria  de Guiseppe Verdi e “Die Zauberflote” de Mozart que trazem de novo ao nosso convívio vozes do bel-canto  verdadeiramente extraordinárias como  Illeana Cotrubas, Plácido Domingo, Shirley Verrett, Dietrich Fischer-Dieskau, Lisa Otto ou Elena Obraztsova.

Todas as obras incluem um belíssimo libretto  o que torna estas edições em verdadeiras edições de luxo…

obras de 2CDs/Bluray áudio Deutsche Grammophone/Universal

MACY GRAY

Os admiradores de Macy Gray há muito esperavam e desesperavam por notícias dela pois há tempos que não se sabia por onde andaria; porém a espera valeu a pena pois a cantora negra que tanto sucesso alcançou há poucos anos atrás especialmente mercê de êxitos como “I try”, “A moment to myself” ou ”Sweet baby”deu agora sinais de vida através de um novo disco “Ruby” , o décimo de originais, onde merece realce como sempre a sua habitual qualidade interpretativa, impar e sui-generis, notando-se mais uma vez a cantora como extremamente selectiva na escolha do responsável pela produção e sendo ela pelo  reportório que, pode bem dizer-se, neste projecto é de fino recorte musical e melódico.

Doze temas de indesmentível intensidade, interpretados com paixão e rara sensibilidade, afinal de contas predicados e qualidades que a reconfirmam como dona de um espaço especial e muito seu na música actual na qual a sua voz se afirma como um autentico tesouro.

CD  Artistry/Mack avenue/Distrijazz

 

PHIL COLLINS

O antigo baterista e nos últimos anos vocalista dos Génesis -Phil Collins gosta de participar em trabalhos de outras individualidades musicais e noutros projectos (Brand X por exemplo) sejam ou não liderados por si próprio; por isso não admira que tenha há pouco tempo atrás sido editado um projecto duplo intitulado “Phil Collins plays well with others” onde Collins distribui todas as suas grandes faculdades musicais por inúmeros  trabalhos de gente tão diversa como George Harrison, Eric Clapton, Brian Eno, Peter Gabriel, Robert Fripp, Paul McCartney, Bryan Adams, Annie Lennox, John Martyn ou David Crosby, entre outros, incluindo-se no duplo disco também   interpretações suas a solo, outras ao vivo e outras ainda com a sua Big Band,  com os Génesis e com a banda de jazz rock que fundou- os Brand X.

Abrangendo gravações (algumas delas fabulosas versões)desde o longínquo 1969 até 2011 o duplo álbum, contendo nada menos de 59 gravações,  pode  considerar-se sem favor uma obra de rara  qualidade musical e instrumental e simultaneamente também uma grande colectânea de sucessos que ostenta um denominador comum –o grande Phil Collins !

2CDs Atlantic/Rhino/Warner Music

 

HANDEL/SERSE

Um agradabilíssima surpresa:- a obra “Serse, HWV 40” de George Friederic Handel (1685-1759) que inclui a famosa ária “Ombra mai fú” e que para alem de outras virtudes possibilita um conhecimento mais profundo do valor  da excelente mezzo-soprano  Vivica Genaux e  acima de tudo de um  fabuloso contratenor- Franco Fagioli que no papel de Serse deslumbra e  que por isso mesmo obriga toda a gente a querer  conhecê-lo mais em profundidade tal a sua altíssima qualidade vocal e interpretativa no reportório barroco ao protagonizar aqui a primeira gravação mundial da obra; a sua prestação é de tal forma excepcional que é já considerado pela critica e pelos melómanos a grande estrela da sua geração.

Um projecto absolutamente único, de raro impacto sonoro e vocal que merece uma atenta e demorada audição.

3 CDs Deutsche Grammophone/Universal

 

SYLVIA TELLES

É um dos nomes mais sonantes do jazz-samba e da bossa nova no feminino e por isso mesmo uma figura incontornável da música brasileira; falo da mãe da minha querida amiga carioca Cláudia Telles -a grande Sylvia Telles (1934-1966)- de quem acaba de se publicar um  projecto que consegue incluir num único disco, remasterizado no sistema 24 bit, três dos seus mais marcantes trabalhos:- ”Amor de gente moça”, Sylvia Telles canta para gente moça” e “Amor em hi-fi” totalmente preenchidos com composições de mestre António Carlos Jobim incluindo  como não poderia deixar de ser o sucesso que ele escreveu propositadamente para ela e que curiosamente era o apelido pelo qual era mais conhecida – “Dindi”.

Ainda hoje idolatrada, Sylvia Telles que desapareceu tragicamente aos 32 anos de idade num acidente de carro, é assim lembrada através deste projecto que mais que uma parte importante da música brasileira dos anos 60 recorda uma cantora soberba e mais que isso, verdadeiramente intemporal!

CD Aquarela do Brasil/Distrijazz

…DIZEM OS POETAS

Mais três volumes da mais bela poesia portuguesa estão disponíveis na colecção “…Dizem os poetas” que se seguem aos primeiros publicados o ano transacto nas vozes de Alexandre O´Neil, David Mourão Ferreira e António Gedeão; tratam-se desta vez  também de míticos nomes da poesia em Portugal tais como  a dupla José Carlos Ary dos Santos/Natália Correia, Golgona Anghel e Sophia de Mello Breyner Andersen/Jorge de Sena  projectos organizados para a VC por Rui Portulez e que vem acima de tudo não só proporcionar-nos o reencontro com alguma da mais bela poesia portuguesa na voz dos seus autores que a disseram e seleccionaram também na altura da gravação original e surgem também recriadas e actualizadas nas vozes de “diseurs “ portugueses contemporâneos mas que também e fundamentalmente vem confirmar a grande valia do espólio poético da Valentim de Carvalho.

CDs Valentim de Carvalho

 

TAMBA TRIO

Provavelmente o mais talentoso grupo da bossa nova dos anos 60, o Tamba Trio acabou por se tornar um nome mítico da música brasileira de então e por isso mesmo todos os seus trabalhos merecem uma especial atenção não só pela sua qualidade intrínseca mas também pela notória influência que exerceram numa série de artistas brasileiros, e não só, que então despontavam; e é exactamente do famoso trio que hoje damos noticia pela reunião num único disco, remasterizado no sistema 24 bit, de dois dos mais afamados projectos do grupo:- o seu álbum de estreia intitulado “Tamba Trioe “Avanço” que nos vêm  relembrar  grandes melodias que então viram a luz do dia tais como “Samba de uma nota só”, “O barquinho”, “Garota de Ipanema”, “Mania de Maria”, “Samba da minha terra” ou “Só danço samba” que ajudaram a confirmar o trio Luiz Eça, Adalberto Castilho e Helcio Milito como um trio de eleição!

CD Aquarela do Brasil/Distrijazz

 

NORMAN GRANTZ

É indubitavelmente um acontecimento musical e cultural de extrema relevância a edição de um projecto composto por quatro discos que se propõe de certo modo homenagear a memória de Norman Granz (1918-2001), célebre empresário e produtor desaparecido quase há duas décadas e que foi uma das mais insignes figuras ligadas ao mundo do jazz  especialmente durante o período de ouro situado entre os anos 40 e 70; fundador  e impulsionador de importantes e celebres etiquetas tais como a Mercury, Clef, Verve, Norgram ou mais tarde a Pablo records, assim chamada em homenagem ao seu grande amigo e influencia Pablo Picasso, Norman deu a conhecer mais em detalhe e  promoveu mundialmente nomes intemporais e alguns imorredouros como Anita O´Day, Dizzy Gillespie , Nat King Cole, Stan Getz, Coleman Hawkins ou Johnny Hodges, entre outros.

Deve-se-lhe a ele também a luta contra o racismo e a discriminação racial que assolou durante anos  o jazz quando para continuar a apoiá-lo, e quando certas portas e salas se lhe fechavam, ele próprio custeou o aluguer de salas alternativas onde continuou a divulgar e a levar grupos e artistas a actuar ao vivo…

Incluindo fantásticas composições de gente como Dexter Gordon, Count Basie, Óscar Peterson, Mel Tormé, Billie Holiday, Nat King Cole e Ella Fitzgerald, entre muitos outros com gravações que se estendem desde 1942 até 1960 o projecto “The founder” constitui sem dúvida uma das mais fabulosas compilações de jazz que ultimamente foram lançadas e por isso mesmo a presente edição merece, estou certo, um aplauso unânime da critica e público e uma atenção muito especial tanto mais que se trata de uma valiosa peça de colecção do que de melhor surgiu em termos de gravações de jazz nas décadas atrás citadas.  

4CDs Verve/Universal Music

 

CHARLES AZNAVOUR

Infelizmente já desaparecido do nosso convívio em finais do ano transacto , Charles Aznavour (1924-2018) foi incontestavelmente uma das mais prestigiadas e populares figuras da música europeia e francesa e até mesmo mundial das ultimas décadas e por isso não admira que muita da sua discografia e várias compilações de êxitos vejam agora, pouco a pouco, de novo a luz do dia face à imensa popularidade de que o cantor francês de origem arménia  desfrutava; ele que contabiliza no seu curriculum de cinema nada menos de 60 filmes e no campo musical nada mais de  850 canções compostas, tendo com isso arrecadado 200 milhões de discos vendidos ; convenhamos que estes números bem significativos são obra!!!

“Greatest hits 1952-1962” a compilação que agora se edita, agrupa uma série de canções  disponibilizadas em disco durante essa década podendo facilmente confirmar-se pelos respectivos títulos que muitas delas acabaram por se transformar mais tarde em grandes sucessos estando por isso mesmo incluídas no reportório habitual dos seus concertos ao vivo; êxitos como “Ay!Mourir por toi! “(que ele dedicou na altura à nossa diva Amália por quem nutria uma enorme admiração), “Leus deux guitarres”, “Il faut savoir”, “Les comediens”, “”L´amour c´est comme un jour” ou “Jaime Paris au mois de Mai” fazem parte da presente colectânea que, convenhamos, face ao reportório que totaliza nada menos de 26 canções, tem todos os condimentos para ser êxito até porque no nosso mercado são raras as compilações de sucessos do grande cantor francês!

CD French connection-Distrijazz

 

KEITH JARRETT

Relembro que foi na primeira edição do saudoso Festival de Jazz de Cascais em finais de 1971, integrado no naipe de músicos que vieram acompanhar o deus do trompete- Miles Davis que pela vez tive a oportunidade e porque não dizer felicidade de ouvir ao vivo esse genial instrumentista que dá pelo nome Keith Jarrett; daí por diante fui seguindo com interesse e certo entusiasmo a sua trajectória  e discografia  tornando-me ao fim de alguns trabalhos num incondicional e dependente “jarretiano”…

E é por isso que costumo  comentar com amigos que todas as drogas são viciantes mas algumas, como as que são ocasionadas  por alguma música, são boas, e mesmo se fomos apanhados com a mão na massa não levam à prisão porque contrariamente às outras são… legais e inofensivas.

Foi por isso com inusitada alegria e uma grande expectativa que marquei encontro auditivo com “La fenice” , recente lançamento do pianista para sua habitual ECM; no final da audição confesso que fiquei extasiado de prazer porque ao fim destes anos todos  Keith Jarrett continua, pura e simplesmente, a surpreender-nos; o disco resume a gravação de um concerto ao vivo em Veneza em 2006 e vem confirmar que o pianista (a atravessar de momento um período conturbado de saúde) continua a gostar de actuar em lugares mágicos e emblemáticos da música clássica pois já anteriormente havia gravado no teatro a La Scala de Milão, local mágico por excelência para as grandes óperas.

Inspirado, inspirador, magistral e esteticamente surpreendente o pianista desenvolveu aqui uma fabulosa suite de oito peças  criadas espontaneamente e que apesar de tudo demonstram que a improvisação continua a ser a sua grande preocupação estética, sob novas formas, mas sempre inovando a cada nota, a cada compasso…

Um disco mágico, envolvente, absurdamente sublime, recheado de belas e inolvidáveis melodias que afinal de contas classificam este invulgar músico como um dos mais geniais pianistas da nossa geração!!!

CD ECM-Distrijazz

 

JORDI SAVALL

Continua a saga  de Jordi Savall o homem para quem cada dia deve ter…200 horas tal a avalanche de projectos que vai lançando uns atrás dos outros  com pequenas diferenças de tempo entre eles; agora mais dois saem para os escaparates –”Terpsichore” um projecto que evoca  a musa do mesmo nome que é uma das nove musas da mitologia grega e é reconhecida como a protectora da dança e  representa uma verdadeira apoteose da musica barroca e “Les nations” de François  Couperin (1669-1733) cuja gravação data de Maio de 1983 e Savall recupera com maestria e sabedoria instrumental aqui rodeando-se de  grandes nomes  como Ton Koopman, Stephen Preston ou Mónica Huggett e Chiara Banchini.

Dois projectos de grande sumptuosidade sonora e instrumental onde  Savall desenvolve e demonstra todas as suas capacidades de virtuoso instrumentista e uma enorme vitalidade nas áreas de direcção e execução e que são também dois projectos absolutamente  imperdíveis não só pela sua altíssima qualidade mas também por constituírem dois momentos verdadeiramente épicos e fulgurantes da música barroca actual, tantas vezes injustamente esquecida…

CDs AliaVox/Megamúsica