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Escolhas do João Afonso Almeida

 

PATXI ANDION

“La hora lobicán”- novo disco comemora 50 anos de carreira !!!

Quando no já longínquo ano de 1968 editou o álbum “Retratos” o cantautor espanhol Patxi Andion estava certamente muito longe de pensar numa durabilidade de carreira  de meio século e no extraordinário sucesso que as suas canções e a sua voz iriam provocar um pouco por todo o Mundo com especial destaque para o seu país natal e para…Portugal , onde, mesmo ao fim de muitos anos, é ainda idolatrado e onde geralmente esgota as salas de concerto quando nelas se apresenta ao vivo!

Recuando um pouco no tempo, recordo que um dia, há já muitos anos atrás, o ouvi desabafar dizendo:-“…fui um lobo solitário toda a minha vida, um lobo das estepes, que viveu mal e chegou a passar muita, muita fome…”.

Este mesmo personagem que assim desabafava , pertence à geração de 1968 dos grandes cantautores espanhóis juntamente com outros famosos “compagnons de route” como Joan Manuel Serrat, Paco Ibañez, Amâncio Prada, Luís Eduardo Aute ou Joaquin Sabina e  é a mesma pessoa que há poucos anos atrás lembrava ainda que “…efectivamente a canção de texto teve para nós cantautores uma carga de responsabilidade política e cultural muito grande; a mim chegaram a dizer–me vários políticos portugueses e espanhóis que eu não tinha a noção, não sabia a dimensão e o verdadeiro significado que muitas das minhas canções tinham tido para eles, sobretudo no período em que estiveram detidos na prisão!”

Patxi Andion pisou, há muitos anos atrás, e pela primeira vez terras portuguesas para actuar na televisão no célebre  programa”Zip-zip” da “trindade” – Fialho Gouveia, Carlos Cruz e Raul Solnado – e a partir daí, curiosamente, ou talvez não, começou para ele um duplo e antagónico percurso:-por um lado um “calvário” de perseguições por parte da polícia política de então- a tristemente célebre PIDE- que para alem de ter censurado quase todas as letras de sua autoria, chegou mesmo a  recambiá-lo de volta para a fronteira com Espanha e  exigir-lhe que tão cedo não pisasse solo português e por outro lado trilhou ao mesmo tempo um caminho de sucesso discográfico e de palco, culminado com memoráveis concertos em diversas cidades de Portugal e com o lançamento entre nós de todos os seus discos a solo, além de várias colectâneas em edições de que resultaram grandes sucessos populares e radiofónicos que transformaram algumas das suas composições em míticos êxitos que mesmo hoje em dia, ao fim de muitos anos, continuam a perdurar na memória e no imaginário de todos os portugueses e que acabaram afinal de contas por transformá-lo sem sombra de dúvida no mais bem sucedido de sempre de todos os artistas de texto espanhóis em território luso.

Quem não recorda com saudade, e muitas vezes até com uma furtiva lágrima ao canto do olho, mega sucessos como “20º aniversário (palabras)”, “33 versos a mi muerte”, “Padre”, “Samaritana”, “Con toda la mar detrás”, “Cancion para un niño en la calle”, ”Nos pasaran la cuenta”, ”La casa se queda sola”, “Compañera”, “El maestro”  ou “Oda a Walt Whitman”  a mais fabulosa interpretação incluída do projecto discográfico do grande e saudoso Leonard Cohen -“Poetas in Nueva Iorque” baseado no livro homónimo do genial poeta e dramaturgo granadino Federico Garcia Lorca, barbaramente assassinado pelos esbirros da polícia civil espanhola de então?

Pois é este mesmo Patxi Andion, o exilado em Paris no Maio de 68, o escritor que contabiliza já no activo vários livros publicados, o actor de cinema, mas também, e fundamentalmente, o cantor inspirado e inspirador, irónico, criativo, terno, por vezes profundamente sentimental, filosofo, contundente critico social e político, louco por futebol e  especialmente pelo Atlético de Madrid ( cantou até há poucos meses atrás “Bodas de oro”um dos mais fantásticos hinos do antigo clube dos portugueses Jorge Mendonça , Paulo Futre e Tiago numa recente edição discográfica -”Los himnos del Atleti”) e também ainda, convém não esquecer, o imortal personagem “Che” Guevara na teatral “Evita” espanhola e ainda o humanista professor catedrático de sociologia na Universidade de Castilla la Mancha, que agora está de volta às gravações e aos discos para comemorar nada menos de 50 anos de canções através do lançamento de um novo projecto de inéditos – “La hora lobican” ( cá está de novo a presença imaginária mas evidente do lobo, esse belo e fugidio animal por vezes tão injustamente odiado e simultaneamente tão temido, altaneiro e destemido, audaz e guerreiro) onde, como é hábito nos seus trabalhos, já não olha para trás, para o passado, para a obra feita, antes, decidida e seguramente, caminha de mãos dadas com o futuro ao sabor da sua inquestionável  e habitual exigência  literária e musical, inovando sempre com a plena convicção e consciência de que ultrapassou na sua obra a fase inter-geracional e preparando-se com firmeza e determinação ainda para mais altos voos, daqueles que só estão ao alcance das soberbas aves altaneiras…

“La hora lobican” reúne dez brilhantes canções compostas e escritas pelo cantor basco, (nascido no entanto na capital espanhola), excepto “Vaga no azul amplo, solta” poema de Fernando Pessoa que já havia surgido sob a forma de canção num disco (“Para além da saudade”) de Ana Moura num fabuloso dueto dela com o cantautor espanhol.

Dez novas pequenas pérolas musicais da música de autor, que se seguem a um manancial de grandes sucessos, constituindo alguns já verdadeiros hinos, deste profundo amante de fado (interpreta  habitualmente um tema de ti António dos Santos no alinhamento dos seus concertos tendo incluído mesmo no seu disco ao vivo– “Cuatro dias de Mayo” a canção ”Minha alma de amor sedenta” ), um interprete absolutamente genial que segue cantando melhor que nunca, continuando assim ao fim de tantos anos de carreira  a conseguir ainda e sempre surpreender-nos com a exigência qualitativa que sempre tem imposto às suas criações que originam mais perguntas que respostas, com a magnificência da sua voz rouca e profundamente visceral, com o seu magnetismo pessoal e acima de tudo com a enorme qualidade, a altíssima qualidade da sua música isto apesar de como ele diz no booklet do novo trabalho os tempos serem outros e as preocupações do homem ,outras também…

(CD e duplo vinil Lemuria Music/Warner Music)

 

KATIA GUERREIRO

Após um tempo de espera em termos discográficos, aí está de novo Katia Guerreiro, acompanhada pelos seus habituais companheiros de viagens musicais e geográficas a propor-nos um novo projecto discográfico – “Sempre” , onde o classicismo do fado é rei e onde há um grande e importante factor novo a ter em linha de conta pois acaba por funcionar assim a modos que um autentico rendez-vous entre a fadista e um grande e incontornável nome da música portuguesa:- a mudança de produtor, que agora recaiu em José Mário Branco, desde há muitos anos, para alem de insigne cantor de texto da esquerda musical e cultural portuguesa, também parceiro solidário e privilegiado das aventuras musicais de Camané, um dos maiores valores do fado em Portugal onde é uma das três melhores vozes masculinas da actualidade.

E se essa mudança é significativa e evidente no que isso significa em termos de dar origem a uma nova sonoridade e outras propostas poéticas para voz da fadista , há que salientar que para se conseguir alcançar o elevado nível de qualidade que o novo projecto revela, que Katia Guerreiro contribui também para isso com a sua quota parte, significativa, importante e vital,  pois está a cantar melhor que nunca com uma colocação de voz notável, uma dicção da língua portuguesa absolutamente perfeita (embora tenhamos que reconhecer que isso também já era anteriormente seu apanágio) e, acima de tudo, como se isso não bastasse, verdadeiramente abençoada por uma capacidade interpretativa invulgar e soberba.

Já de si dona de uma bela voz, a que um profundo e arreigado sentimento português dá especial ênfase e colorido, Katia tem no novo disco alguns deslumbrantes desempenhos que a colocam sem dúvida num lugar de especial relevo na pequeníssima lista das grandes vozes femininas nacionais, que infelizmente se contam na actualidade fadista pelos dedos de uma só mão…

Dando voz, profundidade e vida  musical às palavras de gente como Manuela de Freitas, José Fanha, António Calem, David Mourão Ferreira, Natália dos Anjos ou Hélder Moutinho, entre outros, a fadista ousa arriscar outra vez como autora assinando, uma vez  sozinha, outra em parceria com o mesmo José Mário Branco, duas das dezasseis composições da gravação deixando assim nela a sua marca pessoal e indelével, num autentico trabalho de equipa, genuíno e coeso que se assume simultaneamente como um dos seus projectos mais inspirados, onde a busca pela perfeição se revela canção a canção, num disco de um rigor inquestionável, belo e sedutor e que é também uma verdadeira viagem emocionalmente memorável pelos desígnios da alma do fado que no caso especifico deste disco cada vez mais se assume como uma canção poética e esteticamente evoluída, profunda e sentimentalmente vibrante, sonora e vocalmente apelativa e visceral e acima de tudo o mais, verdadeiramente…intemporal!

CD de edição de autor (apoios:-Museu do Fado/EGEAC/Delta cafés)

GASPAR

Como em todas as actividades também no fado surgem  por vezes algumas revelações precoces, figuras que  demonstrando raras qualidades artísticas começam desde muito cedo a despontar e consequentemente levam a que sejam consideradas revelações pelo publico em geral e mais tarde até pela critica especializada; é o caso especifico de Gaspar  Varela, que com apenas 14 anos de idade e um disco gravado em nome próprio –“Gaspar”, recebe já  os favores dos melómanos do fado e as mais elogiosas referências de vários sectores da comunidade musical portuguesa…e não só!

É o meu caso pessoal e o do cantautor espanhol Patxi Andion que de visita promocional ao nosso País casualmente escutou o disco no meu carro tendo ficado verdadeiramente encantado pelos temas que ia escutando; ele que é um confesso admirador e conhecedor de fado, que canta em quase todos os seus concertos ao vivo, regra geral um da autoria de ti António dos Santos tendo chegado mesmo já a incluir uma sua interpretação de “Minha alma de amor sedenta” num disco ao vivo, isto para alem de há poucos anos atrás ter  também composto uma melodia de  fado para uma letra de Fernando Pessoa – “Vaga no azul amplo solta”, que foi depois incluída no disco “Para alem da saudade” de Ana Moura com quem acabaria por gravar esse tema em dueto…

Efectivamente, Gaspar Varela ( que saudades do meu querido amigo Varela Silva, seu bisavô!!!) é uma das maiores revelações musicais dos últimos tempos e o fado só tem a ganhar com o seu aparecimento, pois para alem de poder assim ser o incentivo ideal para fazer surgir mais jovens instrumentistas ou cantores no fado, consoante as aptidões de cada um, demonstra que afinal de contas a malta mais jovem também se interessa pela chamada canção nacional embora o caso especifico de Gaspar seja um caso muito especial pois, vivendo no meio de fadistas, cedo se lhe meteu na cabeça que queria aprender a tocar guitarra portuguesa para assim poder acompanhar a sua bisavó – Celeste Rodrigues a cantar, proeza que ainda conseguiu concretizar com desenvoltura, arte, entusiasmo, paixão e  até um certo… virtuosismo!

O seu primeiro disco é afinal a prova de que” de pequenino se torce o pepino”, embora eu pense que em vez de pepino se deverá colocar a palavra mais certa que é…destino!

Aluno do grande Paulo Parreira, o mestre que afinal de contas o moldou e lhe ensinou a tocar guitarra portuguesa de fado , Gaspar, que começou a tomar contacto mais íntimo com o instrumento desde a tenra idade de sete anos, é já , sem duvida, um valor inquestionável  e, mais que uma promessa, é sim uma verdadeira certeza, tal a arte de que já dá mostras, o seu real valor intrínseco e acima de tudo a capacidade de improvisação e também maturidade que revela e nos deixam abismados como um músico tão jovem  consegue já afirmar-se da maneira como ele está a conseguir, entusiasmando tudo e todos com as suas evidentes capacidades natas, talento e …técnica!

Lá onde estiver, a grande inspiração de Gaspar, sua bisavó, a nossa inesquecível tia Celestinha e a irmã desta a rainha D. Amália Rodrigues devem certamente estar muito orgulhosas e vaidosas  do seu menino, do seu Gaspar, um valor onde cada vez mais se vislumbra o futuro do fado!!!

CD Museu do Fado discos

 

XUTOS E PONTAPÉS

O muito aguardado novo disco dos Xutos e Pontapés aí está para deleite dos milhares de admiradores e também para aqueles para quem a ausência física do meu mano Zé Pedro ainda pesa, ainda dói muito; chama-se “Duro” , é quanto a mim a melhor forma de todos juntos comemorarem 40 anos de uma gloriosa carreira e é também um dos melhores discos na discografia da banda rock portuguesa pois está ao nível dos seus melhores e tal como em anteriores trabalhos prima pela altíssima qualidade das propostas nas quais merecem relevo especial quatro delas, pois são verdadeiros momentos musicais sublimes :- “Alepo”, “Fim do mundo”, “Sementes do impossível” e “Duro” sem dúvida os mais salientes momentos do disco, onde como é habitual a banda se mantém atenta e vigilante aos problemas do mundo, à sociedade em geral e ao ambiente que os rodeia , pese embora, com o desaparecimento do Zé Pedro que participou apenas parcialmente nas gravações face à degradação do seu estado de saúde, atravesse um compreensível estado de profunda tristeza e viva um dos momentos mais  difíceis da sua existência em termos emocionais…

Mantendo o seu habitual  percurso sonoro e rítmico, a banda segue o seu rumo com uma  identidade rock própria, como uma autentica marca registada estampada, vivenciando memorias e factos, experiencias e desafios, que acaba por ser simultaneamente a maneira mais profunda e racional de afirmarem ao Zé Pedro que, sabendo da sua vontade e desejo, continuam ali para as curvas, sob a sua sombra protectora e beneplácito, seguindo o rumo traçado em conjunto por todos há muitos anos atrás, um percurso que  acabaria por transformá-los na melhor banda do rock em português.

Uma palavra final para o Zé Pedro:- agora que tu te foste, encontrar Eusébio e outros “monstros sagrados”do futebol, quem me mandará a mensagem que tu sempre me enviavas para o telemóvel antes dos jogos do Glorioso a dizer:-  “Rumo à vitória, carrega Benfica!”? É certo que poderá outra pessoa vir a substituir-te, mas, convenhamos, não será a mesma coisa!!! Descansa em PAZ meu irmão!

CD Sony Music

 

CHIC

Para comemorar 40 anos sobre o lançamento do mega sucesso “Le freak”, que vendendo mais de sete milhões de 45 rpm na altura acabou por se tornar o maior sucesso em single  da Atlantic records acaba de surgir nos escaparates “The Chic organization 1977-1979” que é a mais recente reedição da obra  do grande Nile Rodgers um dos mais prolíferos e famosos  nomes da musica negra norte-americana em colaboração com o seu comparsa musical Bernard Edwards; o projecto revestiu-se de certa expectativa e  provoca agora grande interesse tanto mais que não só ostenta na capa da box a assinatura de Rodgers como inclui para alem dos três discos originais do projecto Chic e o das Sisters Sledge um disco extra contendo  fantásticas versões remix e edit de alguns dos mais populares hits do projecto tais como”Everybody dance”ou o já atrás citado “Le freak”;uma edição de luxo totalmente remasterizada por Nile e que é simultaneamente uma rara oportunidade para se tomar contacto com uma época de ouro da música soul/dance do final dos anos 70 e com incríveis êxitos das pistas de dança tais como  os atrás citados e ainda com ”We are family”, “Dance, dance, dance”, “I want your love” ou “My forbidden lover”.

A não perder não só pelos pelos amantes da boa musica negra como também pelos saudosistas das pistas de dança!

box Atlantic/Warner Music

SMOOTH FM

Mais uma compilação de êxitos  com escolhas dos programadores da rádio Smooth FM; trata-se desta vez de “Smooth FM soul” que como o próprio titulo deixa adivinhar é composta por sucessos (20) da grande música soul negra e onde podemos encontrar mega hits  interpretados por gente como  os Temptations, Stevie Wonder, Diana Ross & Marvin Gaye, Lou Rawls & Dianne Reeves, James Brown, Four tops e muitos mais.

Um projecto que é um verdadeiro deleite auditivo!

CD Universal

ÓPERAS em BLURAY disc

Algumas das mais lendárias e famosas óperas do espólio da Deutsche Grammophone aparecem agora remasterizadas e disponíveis no formato 2CD e Bluray disc- pure áudio e vão certamente agitar o mercado tanto mais que surgem a preços verdadeiramente competitivos e por isso mesmo vão também despertar grande entusiasmo nos melómanos pelo facto de serem editadas com um som melhorado e  a todos os títulos notável; assim foram editadas “Rigoletto” e “Macbeth”  ambas da autoria  de Guiseppe Verdi e “Die Zauberflote” de Mozart que trazem de novo ao nosso convívio vozes do bel-canto  verdadeiramente extraordinárias como  Illeana Cotrubas, Plácido Domingo, Shirley Verrett, Dietrich Fischer-Dieskau, Lisa Otto ou Elena Obraztsova.

Todas as obras incluem um belíssimo libretto  o que torna estas edições em verdadeiras edições de luxo…

obras de 2CDs/Bluray áudio Deutsche Grammophone/Universal

MACY GRAY

Os admiradores de Macy Gray há muito esperavam e desesperavam por notícias dela pois há tempos que não se sabia por onde andaria; porém a espera valeu a pena pois a cantora negra que tanto sucesso alcançou há poucos anos atrás especialmente mercê de êxitos como “I try”, “A moment to myself” ou ”Sweet baby”deu agora sinais de vida através de um novo disco “Ruby” , o décimo de originais, onde merece realce como sempre a sua habitual qualidade interpretativa, impar e sui-generis, notando-se mais uma vez a cantora como extremamente selectiva na escolha do responsável pela produção e sendo ela pelo  reportório que, pode bem dizer-se, neste projecto é de fino recorte musical e melódico.

Doze temas de indesmentível intensidade, interpretados com paixão e rara sensibilidade, afinal de contas predicados e qualidades que a reconfirmam como dona de um espaço especial e muito seu na música actual na qual a sua voz se afirma como um autentico tesouro.

CD  Artistry/Mack avenue/Distrijazz

 

PHIL COLLINS

O antigo baterista e nos últimos anos vocalista dos Génesis -Phil Collins gosta de participar em trabalhos de outras individualidades musicais e noutros projectos (Brand X por exemplo) sejam ou não liderados por si próprio; por isso não admira que tenha há pouco tempo atrás sido editado um projecto duplo intitulado “Phil Collins plays well with others” onde Collins distribui todas as suas grandes faculdades musicais por inúmeros  trabalhos de gente tão diversa como George Harrison, Eric Clapton, Brian Eno, Peter Gabriel, Robert Fripp, Paul McCartney, Bryan Adams, Annie Lennox, John Martyn ou David Crosby, entre outros, incluindo-se no duplo disco também   interpretações suas a solo, outras ao vivo e outras ainda com a sua Big Band,  com os Génesis e com a banda de jazz rock que fundou- os Brand X.

Abrangendo gravações (algumas delas fabulosas versões)desde o longínquo 1969 até 2011 o duplo álbum, contendo nada menos de 59 gravações,  pode  considerar-se sem favor uma obra de rara  qualidade musical e instrumental e simultaneamente também uma grande colectânea de sucessos que ostenta um denominador comum –o grande Phil Collins !

2CDs Atlantic/Rhino/Warner Music

 

HANDEL/SERSE

Um agradabilíssima surpresa:- a obra “Serse, HWV 40” de George Friederic Handel (1685-1759) que inclui a famosa ária “Ombra mai fú” e que para alem de outras virtudes possibilita um conhecimento mais profundo do valor  da excelente mezzo-soprano  Vivica Genaux e  acima de tudo de um  fabuloso contratenor- Franco Fagioli que no papel de Serse deslumbra e  que por isso mesmo obriga toda a gente a querer  conhecê-lo mais em profundidade tal a sua altíssima qualidade vocal e interpretativa no reportório barroco ao protagonizar aqui a primeira gravação mundial da obra; a sua prestação é de tal forma excepcional que é já considerado pela critica e pelos melómanos a grande estrela da sua geração.

Um projecto absolutamente único, de raro impacto sonoro e vocal que merece uma atenta e demorada audição.

3 CDs Deutsche Grammophone/Universal

 

SYLVIA TELLES

É um dos nomes mais sonantes do jazz-samba e da bossa nova no feminino e por isso mesmo uma figura incontornável da música brasileira; falo da mãe da minha querida amiga carioca Cláudia Telles -a grande Sylvia Telles (1934-1966)- de quem acaba de se publicar um  projecto que consegue incluir num único disco, remasterizado no sistema 24 bit, três dos seus mais marcantes trabalhos:- ”Amor de gente moça”, Sylvia Telles canta para gente moça” e “Amor em hi-fi” totalmente preenchidos com composições de mestre António Carlos Jobim incluindo  como não poderia deixar de ser o sucesso que ele escreveu propositadamente para ela e que curiosamente era o apelido pelo qual era mais conhecida – “Dindi”.

Ainda hoje idolatrada, Sylvia Telles que desapareceu tragicamente aos 32 anos de idade num acidente de carro, é assim lembrada através deste projecto que mais que uma parte importante da música brasileira dos anos 60 recorda uma cantora soberba e mais que isso, verdadeiramente intemporal!

CD Aquarela do Brasil/Distrijazz

…DIZEM OS POETAS

Mais três volumes da mais bela poesia portuguesa estão disponíveis na colecção “…Dizem os poetas” que se seguem aos primeiros publicados o ano transacto nas vozes de Alexandre O´Neil, David Mourão Ferreira e António Gedeão; tratam-se desta vez  também de míticos nomes da poesia em Portugal tais como  a dupla José Carlos Ary dos Santos/Natália Correia, Golgona Anghel e Sophia de Mello Breyner Andersen/Jorge de Sena  projectos organizados para a VC por Rui Portulez e que vem acima de tudo não só proporcionar-nos o reencontro com alguma da mais bela poesia portuguesa na voz dos seus autores que a disseram e seleccionaram também na altura da gravação original e surgem também recriadas e actualizadas nas vozes de “diseurs “ portugueses contemporâneos mas que também e fundamentalmente vem confirmar a grande valia do espólio poético da Valentim de Carvalho.

CDs Valentim de Carvalho

 

TAMBA TRIO

Provavelmente o mais talentoso grupo da bossa nova dos anos 60, o Tamba Trio acabou por se tornar um nome mítico da música brasileira de então e por isso mesmo todos os seus trabalhos merecem uma especial atenção não só pela sua qualidade intrínseca mas também pela notória influência que exerceram numa série de artistas brasileiros, e não só, que então despontavam; e é exactamente do famoso trio que hoje damos noticia pela reunião num único disco, remasterizado no sistema 24 bit, de dois dos mais afamados projectos do grupo:- o seu álbum de estreia intitulado “Tamba Trioe “Avanço” que nos vêm  relembrar  grandes melodias que então viram a luz do dia tais como “Samba de uma nota só”, “O barquinho”, “Garota de Ipanema”, “Mania de Maria”, “Samba da minha terra” ou “Só danço samba” que ajudaram a confirmar o trio Luiz Eça, Adalberto Castilho e Helcio Milito como um trio de eleição!

CD Aquarela do Brasil/Distrijazz

 

NORMAN GRANTZ

É indubitavelmente um acontecimento musical e cultural de extrema relevância a edição de um projecto composto por quatro discos que se propõe de certo modo homenagear a memória de Norman Granz (1918-2001), célebre empresário e produtor desaparecido quase há duas décadas e que foi uma das mais insignes figuras ligadas ao mundo do jazz  especialmente durante o período de ouro situado entre os anos 40 e 70; fundador  e impulsionador de importantes e celebres etiquetas tais como a Mercury, Clef, Verve, Norgram ou mais tarde a Pablo records, assim chamada em homenagem ao seu grande amigo e influencia Pablo Picasso, Norman deu a conhecer mais em detalhe e  promoveu mundialmente nomes intemporais e alguns imorredouros como Anita O´Day, Dizzy Gillespie , Nat King Cole, Stan Getz, Coleman Hawkins ou Johnny Hodges, entre outros.

Deve-se-lhe a ele também a luta contra o racismo e a discriminação racial que assolou durante anos  o jazz quando para continuar a apoiá-lo, e quando certas portas e salas se lhe fechavam, ele próprio custeou o aluguer de salas alternativas onde continuou a divulgar e a levar grupos e artistas a actuar ao vivo…

Incluindo fantásticas composições de gente como Dexter Gordon, Count Basie, Óscar Peterson, Mel Tormé, Billie Holiday, Nat King Cole e Ella Fitzgerald, entre muitos outros com gravações que se estendem desde 1942 até 1960 o projecto “The founder” constitui sem dúvida uma das mais fabulosas compilações de jazz que ultimamente foram lançadas e por isso mesmo a presente edição merece, estou certo, um aplauso unânime da critica e público e uma atenção muito especial tanto mais que se trata de uma valiosa peça de colecção do que de melhor surgiu em termos de gravações de jazz nas décadas atrás citadas.  

4CDs Verve/Universal Music

 

CHARLES AZNAVOUR

Infelizmente já desaparecido do nosso convívio em finais do ano transacto , Charles Aznavour (1924-2018) foi incontestavelmente uma das mais prestigiadas e populares figuras da música europeia e francesa e até mesmo mundial das ultimas décadas e por isso não admira que muita da sua discografia e várias compilações de êxitos vejam agora, pouco a pouco, de novo a luz do dia face à imensa popularidade de que o cantor francês de origem arménia  desfrutava; ele que contabiliza no seu curriculum de cinema nada menos de 60 filmes e no campo musical nada mais de  850 canções compostas, tendo com isso arrecadado 200 milhões de discos vendidos ; convenhamos que estes números bem significativos são obra!!!

“Greatest hits 1952-1962” a compilação que agora se edita, agrupa uma série de canções  disponibilizadas em disco durante essa década podendo facilmente confirmar-se pelos respectivos títulos que muitas delas acabaram por se transformar mais tarde em grandes sucessos estando por isso mesmo incluídas no reportório habitual dos seus concertos ao vivo; êxitos como “Ay!Mourir por toi! “(que ele dedicou na altura à nossa diva Amália por quem nutria uma enorme admiração), “Leus deux guitarres”, “Il faut savoir”, “Les comediens”, “”L´amour c´est comme un jour” ou “Jaime Paris au mois de Mai” fazem parte da presente colectânea que, convenhamos, face ao reportório que totaliza nada menos de 26 canções, tem todos os condimentos para ser êxito até porque no nosso mercado são raras as compilações de sucessos do grande cantor francês!

CD French connection-Distrijazz

 

KEITH JARRETT

Relembro que foi na primeira edição do saudoso Festival de Jazz de Cascais em finais de 1971, integrado no naipe de músicos que vieram acompanhar o deus do trompete- Miles Davis que pela vez tive a oportunidade e porque não dizer felicidade de ouvir ao vivo esse genial instrumentista que dá pelo nome Keith Jarrett; daí por diante fui seguindo com interesse e certo entusiasmo a sua trajectória  e discografia  tornando-me ao fim de alguns trabalhos num incondicional e dependente “jarretiano”…

E é por isso que costumo  comentar com amigos que todas as drogas são viciantes mas algumas, como as que são ocasionadas  por alguma música, são boas, e mesmo se fomos apanhados com a mão na massa não levam à prisão porque contrariamente às outras são… legais e inofensivas.

Foi por isso com inusitada alegria e uma grande expectativa que marquei encontro auditivo com “La fenice” , recente lançamento do pianista para sua habitual ECM; no final da audição confesso que fiquei extasiado de prazer porque ao fim destes anos todos  Keith Jarrett continua, pura e simplesmente, a surpreender-nos; o disco resume a gravação de um concerto ao vivo em Veneza em 2006 e vem confirmar que o pianista (a atravessar de momento um período conturbado de saúde) continua a gostar de actuar em lugares mágicos e emblemáticos da música clássica pois já anteriormente havia gravado no teatro a La Scala de Milão, local mágico por excelência para as grandes óperas.

Inspirado, inspirador, magistral e esteticamente surpreendente o pianista desenvolveu aqui uma fabulosa suite de oito peças  criadas espontaneamente e que apesar de tudo demonstram que a improvisação continua a ser a sua grande preocupação estética, sob novas formas, mas sempre inovando a cada nota, a cada compasso…

Um disco mágico, envolvente, absurdamente sublime, recheado de belas e inolvidáveis melodias que afinal de contas classificam este invulgar músico como um dos mais geniais pianistas da nossa geração!!!

CD ECM-Distrijazz

 

JORDI SAVALL

Continua a saga  de Jordi Savall o homem para quem cada dia deve ter…200 horas tal a avalanche de projectos que vai lançando uns atrás dos outros  com pequenas diferenças de tempo entre eles; agora mais dois saem para os escaparates –”Terpsichore” um projecto que evoca  a musa do mesmo nome que é uma das nove musas da mitologia grega e é reconhecida como a protectora da dança e  representa uma verdadeira apoteose da musica barroca e “Les nations” de François  Couperin (1669-1733) cuja gravação data de Maio de 1983 e Savall recupera com maestria e sabedoria instrumental aqui rodeando-se de  grandes nomes  como Ton Koopman, Stephen Preston ou Mónica Huggett e Chiara Banchini.

Dois projectos de grande sumptuosidade sonora e instrumental onde  Savall desenvolve e demonstra todas as suas capacidades de virtuoso instrumentista e uma enorme vitalidade nas áreas de direcção e execução e que são também dois projectos absolutamente  imperdíveis não só pela sua altíssima qualidade mas também por constituírem dois momentos verdadeiramente épicos e fulgurantes da música barroca actual, tantas vezes injustamente esquecida…

CDs AliaVox/Megamúsica

 

MILES DAVIS

Unânimemente reconhecido quer a nível de critica, quer junto dos melomanos e admiradores como o maior trompetista do mundo do jazz, Miles Davis (1926-1991) é frequentemente alvo de “visitas” e muita revisitação à sua extraordinária obra, um  legado que deixou espalhado por várias editoras e que por isso mesmo resulta em reedições de algumas das suas maiores obras a solo ou em projectos/colectanea que assim permitem manter viva a chama e a genialidade de um instrumentista impar que não só faz parte integrante da história da grande musica negra como também tem que ser reconhecido como uma das suas mais extraordinárias e imortais figuras…

O músico é agora de novo notícia pela edição de uma super colectânea intitulada “Miles Davis- the hits” que como o próprio titulo deixa facilmente antever reúne vários dos seus mais populares e badalados temas , neste caso 40 dos seus maiores sucessos, distribuídos por três discos e onde podemos encontrar  preciosidades tais como “My funny Valentine”, “Autumn leaves”, ”Stella by starlight”,”Milestones”,  “´Round midnight”, “Summertime” ou “I loves you, Porgy” entre outros.

Uma belíssima e rara peça de colecção!

3CDs New Continent/Distrijazz

 

ANTONIO ZAMBUJO

Após um silencio discográfico de dois anos antes do qual tinha editado um disco homenageando o seu grande ídolo e inspirador- Chico Buarque, o alentejano António Zambujo, dá uma espécie de cambalhota deixando desta vez um pouco de lado, embora não totalmente, o fado e a música brasileira, tão do seu gosto pessoal, e espraia as suas inatas capacidades artísticas por outras latitudes musicais regressando às suas influências no domínio da música anglo-americana ao mesmo tempo que dela assume  outras duas grandes influencias – Paul McCartney e Tom Waits assinando agora em “Do avesso” mais um grande disco de canções e baladas em que as suas já mais que confirmadas aptidões de sui-generis interprete dão grande relevo a composições poéticas de gente com provas dadas e de certo gabarito literário como são sem dúvida Arnaldo Antunes,  João Monge, Fernando Brant, Miguel Araújo, Jorge Drexler, Paulo Abreu Lima ou Aldina Duarte, entre muitos outros.

Projecto conscientemente pensado e construído sob novas ideias e concepções, é por isso mesmo, quando comparado com anteriores discos,  mais arrojado em termos estéticos e sonoros muito contribuindo para isso a participação da Orquestra Sinfonietta de Lisboa cuja presença permitiu que certas composições tivessem novas  e diferentes abordagens sonoras em relação a anteriores trabalhos; tal facto ocasionou por vezes também mais força e uma outra dimensão instrumental a algumas canções conseguindo um  resultado final de certo modo arrojado, mais eloquente e sumptuoso.

O projecto é por isso mesmo  surpreendente, com subtileza e eloquência a andarem de mãos dadas e onde é justo que se destaquem duas surpresas que são as duas belas interpretações em  língua castelhana:-  uma a da  conhecida “Amapola” e a segunda de “Madera de deriva” ( inspirada composição de Jorge Drexler)  às quais Zambujo concede uma grande beleza vocal e interpretativa…

CD  Universal Music

 

MARIA ANADON

Há uma mão cheia de intérpretes musicais portugueses que se vivessem fora de Portugal teriam certamente oportunidade de voar mais alto e mais além, face às potencialidades vocais que tem demonstrado não só nos discos que vão gravando, mas também nos espectáculos que vão dando um pouco por todo o País e no estrangeiro; entre eles está sem dúvida Maria Anadon, que sinceramente já tenho saudades de ouvir ao vivo pois a ultima vez que isso aconteceu foi já há uns anos atrás, ao lado de Maria João e Maria Viana, no Festival do Jazz do Funchal organizado pelo meu querido amigo Avelino Tavares, num projecto/trio que tinha todas as condições artísticas para dar certo mas que afinal de contas, vá lá saber-se porquê, acabou por não vingar…

Pois a cantora , depois de um certo período de silêncio discográfico  interrompido apenas pela participação no projecto “Por terras do Zeca”, com direcção do grande Davide Zaccaria, que visou homenagear o saudoso criador de “Grândola, vila morena” e cujo disco foi editado pela Tradisom,  é agora de novo notícia pela edição de “These foolish things”, quinto álbum em nome individual onde através de uma linguagem jazzística muito própria e de uma versatilidade já nela profundamente enraizadas, dá nova vida a uma série de composições de reconhecido sucesso mundial cantando com o mesmo á vontade, quer na língua de Shakespeare, quer em castelhano, sucessos como “These foolish things”, ”What a difference a day makes”, “Cry me a river”, “What a wonderful world” ou “Body and soul” para além de outros dois em espanhol – “Besame mucho”de Consuelo Velásquez e “El dia que me quieras” da dupla Carlos Gardel/Alfredo le Pêra.

O projecto, para além de confirmar Maria Anadon como um valor cada vez mais sólido  na música vocal em Portugal e em especial no domínio do jazz, onde infelizmente neste campo continua a ser bem escasso o número de intérpretes femininas, vem também reconfirmar mais de década e meia de cumplicidade musical entre a cantora e o pianista Victor Zamora, que conhecendo-lhe tão bem as nuances e plasticidade vocal, lhe proporcionou uma cama musical de excelência em perfeita consonância com  músicos de invulgar e sólida qualidade, como são sem dúvida os habituais comparsas musicais da cantora – Nelson Cascais (contrabaixo), Joel Silva (bateria) e Gonçalo Sousa (harmónica).

Para terminar, gostaria de chamar a atenção para a apaixonante sonoridade que a harmónica de boca  proporciona a composições como “Besame mucho”, “What a difference a day makes” , “Speak low”, “El dia que me quieras”ou “Cry me a river” que realmente ganham uma inusitada e entusiasmante dimensão com inclusão do instrumento do sopro, que em determinadas alturas me fez lembrar os fantásticos desempenhos do meu amigo e  verdadeiro “monstro” musical  que dá pelo nome de António Serrano, tantas e tantas vezes habitual companheiro instrumental de Patxi Andion em estúdio e ao vivo…

Talento, evolução, brilhantismo, sedução e pura emoção à flor da pele, eis os condimentos que fazem do novo disco de Maria Anadon, uma pequena pérola do jazz que se vai fazendo cá pelo burgo.

CD edição de autor

 

JOSÉ MÁRIO BRANCO

Ao completar recentemente 50 anos de carreira a sua actual editora em colaboração com ele lançou a integral da sua discografia numa caixa com nove CDs para alem de um disco de inéditos que compreende canções gravadas entre 1967 e 1999 composto por material inédito ou há muito tempo fora de catalogo; agora chegou a vez de se editar “Canções escolhidas”, um projecto composto por 16 composições seleccionadas pelo próprio autor e escolhidas cronologicamente , numa selecção que deixa de fora  os sucessos mais evidentes  e onde podemos encontrar canções de grande intensidade lírica como “Casa comigo Marta”, “A noite”, “Do que um homem é capaz”, “Inquietação”, “Canção dos despedidos” ou “Queixa das almas jovens censuradas”.

Amado e seguido por muita gente, temido por outros até porque diz sempre o que pensa, goste-se ou não, José Mário Branco demonstra neste seu conjunto de composições (muitas delas apesar da sua antiguidade a demonstrarem que não perderam nem força nem actualidade) , porque é muito justamente considerado um dos mais notáveis cantores de texto da sua geração, um homem que no seu percurso musical e poético nunca fez concessões , nem se vergou a modas ou ditames e sempre foi um homem de grande sensibilidade, carácter, de resistência e de luta!

CD Parlophone/Warner Music

 

JETHRO TULL

Continua a fazer escola um pouco por esse mundo fora e a mostrar aos mais novos caminhos e direcções através de um percurso musical exemplar que os elevaram à categoria de estrelas da musica internacional; falo dos Jethro Tull do flautista Ian Anderson de quem pouco a pouco se vão reeditando os antigos discos qualquer um deles peça importante no rock sinfónico/progressivo internacional.

Agora surgiu há pouco tempo atrás uma fabulosa  colectânea que em três discos nos presenteia com uma panorâmica musical do que foi a vida de sucessos da banda ao longo de mais de meio século de actividade; intitulada muito justamente “50 for 50” comemora por isso mesmo a efeméride e nela vamos poder escutar no meio das 50 canções incluídas fantásticas e inesquecíveis composições como “Living in the past”, “Beggars farm”, “Bungle in the jungle”, “Teacher”, “Bourée”, “Life is a long song”,”Aqualung”, “Minstrel in the gallery”, “Songs from the wood”, “Locomotive breath”, “Too old to rock´n´roll, too young to die”ou “Cross-eyed  Mary”, afinal de contas  marcos da musica internacional e ao mesmo tempo brilhantes canções que marcaram indelevelmente décadas e… gerações!!!

3 CDs Chrysalis/Parlophone/Warner Music

 

R&B,SOUL ,FUNK

Na sua habitual e louvável tarefa de reeditar obras marcantes e por isso mesmo importantes e imprescindíveis de vários sectores musicais a Distrijazz propõe-nos agora três trabalhos da área da grande musica negra  nas áreas R&B, Soul e Funk dos anos 70 que para alem de terem constituído grandes êxitos na altura da sua inicial edição conseguiram com isso mesmo catapultar os seus interpretes para mais altos voos musicais e para carreiras de sucesso; é o caso de “Life is a song worth singing” de Teddy Pendergrass, “Back stabbers” dos O´Jays e “+´Justments” de Billy Withers.

Três verdadeiros marcos na história da black music que os melómanos vão certamente  apreciar devidamente tanto mais que para alem de serem de edição limitada foram digitalmente remasterizados o que  lhes confere outra nova e atraente sonoridade.

3 CDs Elemental Music/Distrijazz

 

THE BULGARIAN VOICES- ANGELITE

Depois de atravessarem um período de certo esplendor e consequente grande sucesso europeu e posteriormente mundial, as conhecidas vozes búlgaras, projecto conhecido inicialmente por Les Mysteres des voix bulgaires, desvanecido o entusiasmo inicial que sempre envolve qualquer  novidade, entraram como costuma dizer-se em velocidade de cruzeiro, apesar do crescente e duradouro êxito que as suas gravações e actuações iam gradualmente conquistando e lhes permitiram chegar até aos dias de hoje ainda como um verdadeiro e extraordinário ícone vocal.

Misturando reportório à capella tradicional com vozes e arranjos mais ou menos modernizados, as vozes búlgaras, originalmente criadas em 1952 por Philip Koutev, o chamado “pai” da música búlgara de concerto, foram organizadas então como coro vocal feminino da rádio e TV estatais da Búlgaria  sendo as suas integrantes reconhecidas como mulheres de grande beleza e tendo como condição vocal a abertura das suas vozes;

seleccionadas em provas de canto nas suas respectivas aldeias, depois de aprovadas submetiam-se a intenso e extenso treino tendo em vista tornarem-se figuras de relevo nesta  modalidade rara de canto que uma cuidada e profissional campanha de marketing conseguiu mais tarde transformar em autenticas estrelas da musica internacional.

Com raízes profundas na música de origem trácia, otomana e bizantina os cantos das vozes búlgaras acabaram por se tornar numa musica verdadeiramente única, arrebatadora  e quase celestial que se caracteriza pelo uso do canto diafónico e por um inconfundível timbre; ultimamente, mais concretamente em 1992 e na altura máxima do êxito, o coro acabou por se dividir em duas partes:- metade passou a coro oficial da televisão búlgara e a outra metade organizou-se como cooperativa e como tal tem actuado e gravado nos últimos tempos…

Nessa sequencia surge agora “Passion. Mysticism & Delight”  disco/livro duplo onde vamos encontrar no primeiro dos dois discos parte das dissidentes agora denominadas Angelite interpretando treze belíssimas canções, surgindo depois no segundo CD e ao longo de mais de uma dúzia de composições, na companhia de uma mão cheia de convidados célebres tais como Bobby McFerrin, Eddie Jobson, Enrique Morente, Fanfare Ciocarlia ou a “nossa” Dona Rosa, entre outros; cantando de modo soberbo, quase celestial e acima de tudo com uma execução e técnica vocal únicas, as Angelite constituem uma das mais fantásticas formações vocais do Mundo, um grupo que propõe musica absolutamente inesquecível, etérea, visceral e envolvente, qual dádiva dos deuses que todos reconhecem e com quem querem colaborar, como o provam as diversas e fantásticas aparições ao lado de gente como as Varttina, Sarband, Moscow Art Trio, The Chieftains, Adriano Celentano, Maria Farontouri, os japoneses Kodo, Enrique Morente (1942-2010) este infelizmente desaparecido já do nosso convívio há oito anos atrás ou a lendária Marta Sebestyén, líder vocal dos húngaros Musikas considerada muito justamente uma das melhores, ou mesmo a melhor voz do panorama world music contemporâneo, entre muitos outros.

Um projecto coral feminino brilhante, genuinamente tradicional  e  emocionante que já por diversas vezes esteve entre nós e dá  brilho e luz àquilo que a grande Linda Ronstadt já considerou a ”música mais maravilhosa que ouviu até hoje!!!”

2 CDs/livro  Jaro/Megamúsica

 

BOHEMIAN RHAPSODY

Para além de abrilhantar a película de que se constituiu banda sonora oficial o disco “Bohemian rhapsody” é no entanto muito mais que uma simples colecção de canções que o filme ostenta pois pode simultaneamente considerar-se um excelente best of dos Queen porque na verdade integra nada menos de 22 exitos da banda outrora liderada vocalmente pelo seu front-man -o incomparável e inconfundível Freddie Mercury de que aliás o filme refaz a  biografia, sendo que a figura de Mercury é aqui superiormente interpretada pelo actor Rami Malek, numa prestação tão excepcional que recentemente lhe foi atribuído na 76ª edição dos Globos de Ouro o prémio de melhor actor sendo a película também considerada a melhor de todas as apresentadas a concurso. Agora na cerimónia da entrega dos Oscars de Hollywood arrebatou igualmente o oscar para a melhor interpretação masculina! Para além da curiosidade de vermos Freddie Mercury “reviver” no corpo de outra pessoa, eis uma excelente oportunidade para recordarmos mega-sucessos como “Rádio gaga”, “Crazy little thing called love”, “We are the champions”, “The show must go on”, “I want to break free”, “We will rock you” ou o citado “Bohemian rhapsody”entre outros.

 

CD Queen productions/Universal Music

 

NUSRAT FATEH ALI KHAN

Foi sem dúvida em vida um dos maiores cantores do mundo e o seu desaparecimento abriu uma vaga muito, mas muito difícil mesmo de ser colmatada, pelo menos nos próximos anos. Com efeito o grande Nusrat Fateh Ali Khan (1948-1997) oriundo do Paquistão, mestre do qawwali, estilo musical sufi, o homem que tinha uma amplitude vocal de seis oitavas e conseguia cantar com rara intensidade horas e horas a fio, era um dos mais geniais cantores da world music e uma das suas mais reconhecidas figuras; com todas essas qualidades não admirou que Peter Gabriel, seu admirador incondicional, o tivesse convidado para gravar para a sua editora – Real World, onde o interprete paquistanês acabaria por se tornar uma figura de primeira linha.

Sempre tentando uma fusão e uma evolução moderna para o qawwali acabou por conquistar  ainda mais admiradores e essa projecção que granjeou por altura dos anos 80 e 90 foi de tal modo notória e evidente que toda a gente com ele queria colaborar acabando posteriormente a trabalhar intensamente, entre outros, com Michael Brock e com Eddie Vedder, líder dos Pearl Jam acabando a assinar temas de sua autoria e versões de composições de outros autores, embora sempre dentro dos parâmetros musicais e sonoros da sua área de eleição, para bandas sonoras de filmes de sucesso tais como “Natural born killers” (Assassinos natos), “A última tentação de Cristo” e “Dead man walking”( A última caminhada) , assinando em todas elas uma mão cheia de obras musicais de rara beleza e sensibilidade onde as extraordinárias potencialidades de compositor e interprete de Nusrat se tornaram ainda mais salientes.

A prova de todas essas qualidades está bem patente em “Sufi- qawwalis” agora editado e que constitui mais de uma hora de deleite e prazer auditivo como só uma voz única, mística, profunda, por vezes experimentalista, mas predestinada e simultaneamente sofisticada poderia proporcionar!!!

CD ARC Music/Megamúsica

 

LUISA SOBRAL 

Com um novo projecto –“Rosa”, o seu quinto trabalho de originais, em destaque nos escaparates nacionais, Luísa Sobral  demonstra estar no auge da sua carreira assinando mais uma vez uma série de belos temas, cada vez mais de índole pessoal, onde aborda de modo peculiar e muitas vezes quase intimista, sentimentos vários falando dos filhos e do amor em geral nas suas mais diversas vertentes.

Gravado em Oeiras no estúdio Atlantic Blue, o novo disco teve produção do catalão Raul Fernandez Miró, homem de múltiplos talentos e cujo nome tem ultimamente andado ligado a trabalhos de gente como  Sílvia Perez Cruz, Mala Rodriguez ou Rosália , qualquer um deles com créditos firmados no panorama musical da vizinha Espanha; neste novo projecto discográfico mais uma vez as palavras se sobrepõem às melodias pois a cantautora continua a querer privilegiar a palavra em detrimento de outros factores.

Incluindo um dueto com seu irmão Salvador Sobral- “Só um beijo”e totalmente cantado em português, “Rosa” é o seu primeiro trabalho de grande fôlego após a vitória na Eurovisão com “Amar a dois” (em colaboração com seu mano )e por isso mesmo a responsabilidade para o novo projecto tornou-se  ainda maior; daí talvez o facto de o disco ter sido gravado como se de um concerto ao vivo se tratasse criando-se assim outro ambiente, outra perspectiva sonora e outra vivência…

Um belíssimo disco que fica sem duvida na história discográfica de 2019 como um dos melhores projectos em português!

CD Universal Music

 

CHICO BUARQUE

 O grande sucesso de vendas e de crítica do trabalho  de estúdio “Caravanas”, que rompia na altura um grande silencio discográfico do criador de “A banda”, deixava antever que toda a gente agora gostaria de ouvir essas mesmas composições ao vivo para avaliar não só como soariam em palco mas também para ver que ousadias rítmicas Chico iria querer apresentar ele que constantemente inova, recria, surpreende; o resultado foi um show  inspirado, arrasador e intenso que ele levou em excursão por dez cidades brasileiras e posteriormente trouxe até nós a Lisboa e Porto , numa digressão que totalizou 75 espectáculos e levou em sucessivas lotações esgotadas a mais de duzentas mil pessoas!

Verdadeiro embaixador da palavra e afastado dos palcos desde 2012 o celebrado interprete de “Mulheres de Atenas” demonstra em “Caravanas ao vivo” ( onde vamos encontrar também “velhos” temas como “Geni e o zeppelin”, “Iolanda”, “Partido alto” ou “Recado em, branco e preto”)que continua actual e actuante, plenamente consciente , social, política e culturalmente da importância que as suas palavras tem para quem o ouve, cantando melhor que nunca às vezes parecendo mesmo que o tempo não passa por si, continuando porém sempre corrosivo, assumidamente denunciador dando os seus recados por vezes com uma subtileza de eterno malandro, mordaz, acutilante mas sem deixar de ser sempre o eterno amante dos prazeres da vida (onde o futebol assume uma primordial e fulcral importância), o homem que afinal de contas, mais que um interprete genial é acima de tudo é um embaixador da MPB e da palavra em particular…

2 CDs Biscoito fino/Distrijazz

 

NOW 33

Publicada duas vezes por ano a colectânea Now é por isso mesmo o repositório de sucessos que ao longo do ano vão fazendo as delícias de muitos admiradores deste género de  compilações e compreende alguns dos maiores sucessos mundiais do ano reunindo em Portugal material de algumas majors da indústria que vão ocupando lugares cimeiros nas mais diversas charts mundiais; no projecto que abrange reportório da segunda metade do ano transacto – “NOW 33” vamos poder encontrar uma autêntica miscelânea musical numa selecção de nada menos de  40 interpretações de gente como Shawn Mendes, Áurea, Pink, Sara Tavares, Anavitória, Matias Damásio, Imagine Dragons, Ariana Grande, Carlão, Luís Fonsi, Kendrick Lamar, Camila Cabello, Sam Smith ou Justin Timberlake.

Um duplo disco para apreciadores do género…e não só!

2 CDs Universal Music

 

CARMINHO

Depois do sucesso que foi a sua incursão pelos domínios da MPB e cuja “ousadia” a levou a cantar de modo muito próprio o eterno António Carlos Jobim, Carminho está de volta aos caminhos do fado através de um novo projecto –“Maria”, onde nos revela mais uma vez os seus predicados como autora ao assinar nada menos de sete composições de uma totalidade de 12 que compõe o disco; assim e depois de várias colaborações fora do fado (Tribalistas, Chico Buarque, HMB, etc.) retoma o seu lugar, que, convenhamos, por direito próprio lhe pertence, afinal de contas na área onde se tem movimentado e evidenciado face às suas próprias qualidades intrínsecas que fizeram dela uma das melhores fadistas portuguesas.

Denotando uma maior maturidade, não só a nível de compositora como de interprete , talvez fruto das vivências que as citadas colaborações lhe proporcionaram, assume-se também mais intimista que nunca, mais experiente e acima de tudo mais expressiva e aventureira arriscando em letras mais profundamente poéticas, escrevendo melhor que nunca e dando vida a sentimentos e sonhos num crescimento que apraz registar tanto mais que  a cama musical que o naipe de instrumentistas que aqui a acompanham é brilhante e por isso mesmo mais evidenciam e fazem brilhar as suas qualidades vocais.

Fora da área das suas autorias vamos encontrar uma pequena, mas bela e selectiva escolha de poemas de gente como o imortal Pedro Homem de Melo( que fabuloso é “O começo”), Reinaldo Ferreira, Artur Ribeiro, a “novel” Joana Espadinha ou César de Oliveira que sem dúvida ajudam a que o nível literário deste novo projecto seja de facto elevado; posto isto:- seja bem vinda de novo ao fado menina Maria do Carmo!

CD Parlophone/Warner music

 

GAL COSTA

É desde há décadas um dos nomes incontornáveis da MPB e por isso qualquer novo trabalho seu é sempre motivo de expectativa, noticia e entusiasmo face não só às suas ultimas constantes mudanças de direcção rítmica, mas também à curiosidade que há sempre quanto a colaborações, letristas e direcção; os últimos discos, recheados de ambientes rock e electrónica deram agora lugar a pesquisas sonoras e de batida muito próximos dos blues e do…reggae.

Com efeito, e desta vez sob a direcção de Marcos Preto e produção de Pupillo (ex-Nação Zumbi),  a inesquecível interprete de “Índia” e “Modinha para Gabriela” arrisca de novo indo em “A pele do futuro” buscar inspiração à black music dos anos 70 e  surge cantando com a sua habitual subtileza e encanto ( em duas das canções na companhia de Maria Bethânia e Marília Mendonça)composições com assinatura de gente com créditos firmados tais como Guilherme Arantes, Djavan, Gilberto Gil, Adriana Calcanhoto, Silva, Marília Mendonça, Paulinho Moska, Nando Reis ou da dupla Erasmo Carlos/Ermicida  e conseguindo mais um marco na sua vida artistica  através dum álbum de grande unidade estética que fica como um dos mais ambiciosos projectos de uma carreira que conta já mais de 53 anos de actividade, onde sempre se renova, recicla, inova e arrisca…

Ao mesmo tempo que se edita o novo projecto  é relançada numa versão limitada remasterizada a obra-prima -“Gal canta Caymmi” , pérola musical rara inicialmente editada em 1976 e para alem de ser um disco preenchido inteiramente por  canções do grande compositor Dorival Caymmi inclui o mega sucesso que todos os portugueses recordam com certa saudade – “Só louco” canção de grande beleza e impacto e que era um dos maiores destaques da celebre novela da Globo –“O casarão”…

CDs Biscoito fino e Elemental Music/Distrijazz

 

WHITESNAKE

Toda a força do hard rock/heavy metal através da magia sonora e potencialidades musicais de uma banda de eleição- os Whitesnake, estão patentes no duplo disco “Unzipped-acoustic adventures” recentemente editado; trata-se de uma verdadeira preciosidade da musica metaleira de que os “cobras” são um dos máximos expoentes e nele vamos poder encontrar a banda no seu máximo power em performances acústicas

e em formato umplugged de grande qualidade com a curiosidade deste projecto incluir  para além dum concerto em NY  em 2008 ainda um show de 1997 de David Coverdale com Adrian Vandenberg (Starkers in Tokyo) que resultou numa gravação que durante muito tempo só esteve disponível no Japão mas que agora foi remasterizada e digitalizada e incluída no presente pacote.

Para alem de constituir um documento importante da vida dos Whitesnake esta dupla compilação inclui vários inéditos ( “Summer rain” e “Forevermore”, por exemplo) bem como gravações raras datadas de diferentes anos ao longo dum intenso calendário de concertos  das duas últimas décadas, razão porque se torna ao mesmo tempo um documento valioso para os melómanos da banda e logicamente um desejado objecto de colecção.   

2CDs Rhino/Warner Music

 

ANDREA BOCELLI

Vai gradualmente conquistando admiradores e até fanáticos mercê não só dos recitais que vai dando ou das operas em que vai participando, mas também das gravações que periodicamente vão surgindo nos mercados discográficos; falo de Andrea Bocelli, que hà anos atrás cumpriu em Paris o sonho de pessoalmente conhecer um seu ídolo de infância – o nosso “rei” Eusébio , que foi até quem lhe entregou um galardão especial da sua companhia pelas vendas obtidas pelos seus trabalhos; Bocelli continua a ser  um tenor que deslumbra em cada interpretação mercê dos seus dotes específicos e que gradualmente vai “reciclando” canções que fazem parte de gravações de outros interpretes mas às quais ele dá muitas vezes uma interpretação muito personalisada, mais expressiva e muitas vezes  concedendo-lhes uma certa doçura que não era apanágio das diversas gravações anteriormente existentes.

No novo disco- “Si” , que acaba por ser o primeiro álbum com material novo em 14 anos surge no melhor da sua forma vocal, a cantar melhor que nunca rodeado por uma mão cheia de ilustres convidados como Ed Sheeran, Dua Lipa, Josh Groban e a cantora russa Aida Garifullina, uma fabulosa soprano, dotada não só de grande beleza, mas também de raras potencialidades vocais que fazem dela um dos mais notáveis e seguros valores da cena operática actual; juntos cantam, a encerrar o disco,  um tema litúrgico- “Ave Maria pietas” e o resultado final dessa parceria é verdadeiramente apoteótico pois resulta num dueto absolutamente esmagador e deslumbrante que chega mesmo a roçar a fronteira do épico!

CD Sugar/Decca records/Universal Music

 

JOYCE

Infelizmente para nós, comuns europeus e para os brasileiros amantes da MPB a cantora Joyce passou a maior parte da sua vida artística vivendo na terra do sol nascente (Japão), onde hoje em dia ainda mantém uma verdadeira legião de admiradores.

Agora ao comemorar meio século de actividade artística resolveu regravar integralmente as composições que fizeram parte integrante do primeiro disco da sua carreira (“Joyce”) editado no já longínquo 1968, quando ela tinha apenas 20 anos de idade e era pouco mais que inexperiente um, disco a que a cantora agora muito justamente intitulou de “50” acrescentando como faixas bónus dois temas novos –“Com o tempo” composição em colaboração com Zélia Duncan e “A velha maluca” também de sua autoria; a diferença entre uma e outra gravação para alem das cinco décadas de distancia é uma evidente maior maturidade vocal, uma outra segurança, maior expressividade e essencialmente uma colocação de voz perfeita, afinal de contas os predicados que conseguiram para as novas gravações uma outra leitura, mais brilhante e segura, uma textura e uma expressividade invulgarmente belas, isto apesar de as canções originais não terem perdido ainda nem actualidade, nem validade; merece no entanto que aqui se destaque o naipe de grandes instrumentistas que de modo excepcional lhe proporcionou uma cama sonora e instrumental realmente dignas dos maiores elogios e onde vamos poder encontrar grandes feras da MPB tais como Marcos Valle, Tutty Moreno, Hélio Alves, Tom Andrade, Roberto Menescal, Francis Hime, Toninho Horta ou  Danilo Caymmi, entre muitos outros.  Uma pequena obra-prima da MPB!

CD Biscoito Fino/Distrijazz

 

LED ZEPPELIN

Ainda dentro das comemorações dos 50 anos de existência da banda (o quarteto iniciou a sua actividade em 1968) editou-se recentemente uma nova versão, digitalmente remasterizada, sob a supervisão do guitarrista Jimmy Page, do disco “The song remains the same” uma das obras-primas da discografia dos Led Zeppelin que  surgiu tendo como base de suporte a gravação de dois lendários shows no Madison Square Garden, mítica sala de concertos de Nova Iorque em 27 e 29 de Julho de 1973 quando a banda de Jimmy Page, Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones estava no auge da sua popularidade; para além de um disco os shows derivaram também em filme que é até hoje considerado um marco histórico como película retratando concertos ao vivo.

Incluindo verdadeiros mega-sucessos planetários como “Black dog”, “Starway to heaven” ou “Whole lotta love” o duplo disco permite escutar os Zeppelin em toda a sua plenitude vocal, instrumental e sonora quando eram estrelas brilhantes e máximos símbolos do rock e arrastavam multidões aquando dos seus concertos ao vivo; sendo hoje em dia o quarteto uma bela recordação do que de melhor se fazia no campo do rock continuam no entanto a entusiasmar os fas quando se reedita algum dos seus trabalhos e permanecem sem sombra de duvida como uma das maiores “rock stars” da sua geração e verdadeiros baluartes da história do rock  mundial cuja história ajudaram a escrever com letras douradas e cintilante fulgor!!!

2 CDs Swan song/Atlantic/Warner Music

 

FLEETWOOD MAC

Os Fleetwood Mac, onde ao longo dos anos e das várias formações pontificaram especialmente personalidades como Lindsay Buckingham, Christine McVie, Stevie Nicks e Mike Fleetwood como as mais visíveis figuras na história do grupo, estão a comemorar nada menos de meio século como projecto musical  e por isso mesmo prepararam com muito cuidado a selecção de canções para integrar a edição de“ Fleetwood Mac-50 years- Don´t stop”, tripla compilação que inclui nada menos de cinco dezenas de canções da banda e onde são revisitados todos os discos de estúdio dos Mac.

Este projecto que ao mesmo tempo funciona como uma espécie de best of da banda foi também o pretexto ideal para chamar de novo para si os holofotes da critica e dos seus admiradores pela celebração de meio século de vida de um grupo que na realidade com as suas brilhantes e imaginativas e inspiradas composições conseguiu elevar a música pop à categoria de…arte!

Dentro da meia centena de propostas que estão no projecto, há de facto um punhado delas que são absolutamente sublimes sendo  mesmo algumas delas sérias  candidatas a figurar na bíblia da pop  e na eleição dos melhores momentos da pop music mundial; compreendendo gravações que se estendem desde 1968 até 2013 a tripla colectânea apresenta ainda algumas raridades e um registo ao vivo, isto para além de várias fotos inéditas e excelentes textos escritos pelo conceituado critico e jornalista musical David Wild, um verdadeiro expert na matéria, o que vem sobremaneira valorizar o produto.

“Shake your money maker”, “Albatross”, “Black magic woman”, “Landslide”, “The chain”,”Monday morning”, “Sara”, “Tusk”, “Don´t stop”,”As long as you follow”, “Go your own way” ou “Love shines”, são algumas das presenças que o projecto regista e que provam a altíssima qualidade das músicas que os Fleetwood Mac compuseram e simultaneamente representam algumas das mais belas e brilhantes páginas escritas no mundo da pop contemporânea de que banda britânica é um dos expoentes máximos!

3CDs Warner Bros/Warner Music

 

PEDRO ABRUNHOSA

É talvez o musico português com os ouvidos mais atentos a tudo que o rodeia quer a nível interno, quer a nível mundial, sejam problemas de índole politica, religiosa ou dos direitos humanos; especialmente acérrimo critico da politica e dos políticos não tem papas na língua quando se trata de denunciar seja o que for que ache estar à margem da lei ou fora dos cânones ; essas mesmas preocupações tem estado presentes ao longo dos seus trabalhos com realce especial para o mais recente “Espiritual”, com 15 canções de grande recorte literário, onde chega mesmo a denunciar a verdadeira loucura de Donald Trump com a construção de um muro gigantesco tendente a dividir na fronteira os Estados Unidos do México para evitar o habitual fluxo migratório.

Nessa canção/denuncia Abrunhosa não poderia ter escolhido melhor companhia para cantar a duo com ele do que a bela Lila Downs, sucessora natural da grande Chavela Vargas, pois a  cantora nascida em Oaxaca, México para além dos seus dotes vocais naturais é também uma feroz defensora dos fracos e dos oprimidos  denunciando, não só em discos como em espectáculos, os vigentes problemas da fome, pobreza, emigração , droga ou da violência doméstica afinal de contas alguns dos grandes flagelos  que assolam a humanidade presentemente.

No novo disco o cantautor renova um pouco também não só a sua linguagem literária (está a escrever cada vez melhor) mas também a linguagem sonora e instrumental aproximando-se cada vez mais das cenas rock, pop e folk e até do blues em detrimento das influencias da música negra que indelevelmente marcaram a sua música em tempos passados e também de certa forma os seus primeiros trabalhos em disco.

As presenças de outros ilustres convidados como Ney Matogrosso, Ana Moura, Carla Bruni, Elisa Rodrigues e Lucinda Williams vieram sem duvida enriquecer vocalmente o projecto, mas é preciso que se diga que a maturidade e experiencia estão a fazer-se notar  no artista que, convenhamos, está a cantar melhor que nunca, escrevendo canções de inquietação e desassossego e às vezes de amor também, com uma cada vez maior profundidade, sentimento e identidade próprias como são afinal geralmente as composições “à la Abrunhosa”.

Na minha opinião estamos em presença do melhor trabalho editado até hoje pelo artista sediado na capital nortenha, um disco que pessoalmente considero uma obra-prima da musica portuguesa contemporânea e que recomendo sem reservas mesmo aqueles que habitualmente e injustamente lhe colocam certas reservas…

CD  Universal Music

 

CHINESE BUDDHIST

Os numerosos templos budistas chineses tem, cada um á sua maneira, um estilo de musica ambiental muito próprio, com uma identidade definida , habitualmente bela e contemplativa e por isso mesmo essa  autentica “banda sonora” já faz parte do quotidiano dos milhões de pessoas que os visita procurando uma certa paz de espírito e acima de tudo recolhimento, isto para alem  da prática de orações que cada um faz em proveito próprio ou visando entes queridos já desaparecidos; agora, tendo em vista proporcionar a sua audição a quem gosta desse estilo de musica, acaba de se editar um disco genericamente intitulado “Chinese Buddhist- Temple music”composto por quatro peças provenientes do reportório habitual do Templo de Beijing Zhi Hua, construído  durante a dinastia Ming por alturas de 1443 no oitavo ano de reinado do imperador Sheng Tong.

Combinação de coros e canções de origem folclórica tradicional tocadas no mais puro estilo e tradição do guanzi, conhecido instrumento de vento, é uma música que se caracteriza por se direccionar para a procura de uma certa paz interior, para o recolhimento e para a interiorização pessoal; caracterizada por uma grande beleza harmónica e sonora a musica do disco vem de certo modo colmatar uma grave lacuna, pois não há no mercado internacional grande quantidade ou diversidade de trabalhos deste estilo musical que, convenhamos, dá outra diferente dimensão ao budismo e ajuda ao recolhimento religioso para além de  conseguir a proeza de transportar para fora dos mosteiros uma sonoridade tão característica e etérea e por vezes até declaradamente celestial !

CD ARC Music/Megamúsica

 

HERBERT VON KARAJAN

Nasceu em Salzburgo na Áustria e desde o início  da sua vida artística estava destinado a tornar-se uma lenda e isso confirmou-se no período pós-guerra  quando começou um ciclo de 27 anos à frente da Orquestra Filarmónica de Berlim; falo de Herbert von Karajan (1908-1989) famoso maestro e director de orquestra que é agora de novo notícia apesar de ter desaparecido do nosso convívio há já trinta anos.

Com efeito acaba de ser lançado numa edição especial um ambicioso projecto contendo as nove sinfonias de Beethoven, edição incluída no lendário ciclo de sinfonias sob a direcção do citado maestro e que desta vez e relativamente a anteriores edições tem a particularidade de ser editado no sistema Dolby atmos, tecnologia de som surround anunciado  pela Dolby Laboratoires em Abril de 2012, uma sistema absolutamente

revolucionário que foi pela primeira vez utilizado na película “Brave” da Pixar e sobre o qual os entendidos se manifestaram dizendo que este sistema transforma o som ordinário em… extraordinário!

Ludwig von Beethoven -9 symphonies” uma obra que merece uma urgente revisitação auditiva tanto mais que o novo som e o sistema bluray- high fidelity- pure audio que são hoje em dia, sem dúvida, outras mais valias, lhe  concedem ainda uma mais alta qualidade sonora e onde o consagrado maestro austríaco, que era conhecido também pelo seu perfeccionismo, intensidade, introversão e… um certo exibicionismo pessoal, tem um desempenho artístico absolutamente genial, à sua altura portanto!

CDs Deutsche Grammophone/Universal Music

 

SAOR PATROL

Pouco menos que ignorado entre nós o rock céltico tem no entanto certa expressão popular em vários países especialmente aqueles habitualmente conotados com a música celta onde o movimento musical tem uma grande  popularidade e uma adesão bastante significativa; uma das maiores e mais conceituadas bandas do movimento são sem dúvida os Saor Patrol, grupo formado por cinco elementos de origem escocesa e de aspecto verdadeiramente tribal, sendo um deles guitarrista, três bateristas e um executante de gaita de foles.

Há tempos atrás foram mesmo apelidados de “Motorhead do folk”, alcunha dada pelo próprio lider dos Motorhead – Lemmy  sendo no entanto também conhecidos noutras latitudes por lideres do tribal rock; “Battle of kings” é o seu mais recente projecto e nele vamos encontrar uma mão cheia de grandes temas tendo a gaita de foles como fio condutor da sua musica, onde as três baterias marcam o compasso, a batida e o ritmo, cadenciadamente, avassaladoramente, muitas vezes de modo quase…incendiário!

Quem já os ouviu ao vivo não os esquece, seja em festivais folk, seja nos de metal e por isso mesmo qualquer publicação ou actuação sua é um verdadeiro  acontecimento para os fans que usualmente os reconhecem uns como os lideres do rock escocês céltico outros como cabeças de cartaz do rock medieval; o novo disco dedicado e inspirado pela historia de um dos seus heróis escoceses –o rei Robert the Bruce, é por isso mesmo mais que uma homenagem a uma figura mítica, mas também a história  musical de uma guerra sem quartel que envolveu o rei, seu herói e inspiração, numa luta sem tréguas pelo trono contra a tirania dum inglês opressor- Edward Longshanks; daí o consequente título do disco -“batalha de reis”.

Um trabalho, instrumental e sonoramente potente e visceral, inspirado e influenciado por um passado escocês histórico que dá assim vida, sob a forma de canções, aos esforços da banda pela promoção e herança duma história e cultura milenares de que o quinteto se considera herdeiro natural!

CD ARC Music/Megamusica

 

MICHAEL BUBLÉ

Depois de um certo silêncio discográfico explicado pela doença que acometeu seu filho  mais novo e ao qual o cantor resolveu, tal como o resto da família, dar toda a assistência possível, interrompendo por isso mesmo a sua carreira, numa luta que afinal de contas e para felicidade geral redundou em sucesso, Michael Bublé está de volta com um novo projecto discográfico – “Love” , no qual dá nova vida em estreita colaboração com David Foster, seu comparsa habitual nas lides musicais, a uma série de clássicos como “”La vie en rose”, “I get a kick out of you”, ”Unforgettable”, “My funny Valentine” ou “I only have eyes for you”, entre outros, em interpretações muito pessoais recheadas de subtileza e um certo requinte vocal, que acabam por ganhar nova dimensão no seu habitual estilo de cantar, predicados que afinal de contas acabam por projectar ainda mais um interprete soberbo que uma vez mais se assume e reafirma como um dos maiores “crooners” da actualidade!!!

CD Reprise/Warner Music

 

YUJA WANG

Chama-se Yuja Wang e é uma das grandes revelações como executante de piano clássico dos últimos anos e por isso mesmo não admira que tenha assinado contrato com  a conceituada Deutsche Grammophone, editora alemã sempre atenta aos prodígios e a outros novos valores e que à música clássica tem prestado um inestimável serviço de apoio, gravação e divulgação; de origem chinesa (nasceu em Pequim em 10 de Fevereiro de 1987) e oriunda de uma família de músicos estudou quando muito nova ainda no Conservatório Central de Música de Pequim de onde se mudou para o Canadá aos 14 anos quando decidiu ir estudar inglês  ao mesmo tempo que desenvolvia as suas aptidões como aluna no conhecido Conservatório de Calgary a que se seguiram outros estágios noutros diversos locais nomeadamente dos EUA.

Actualmente vive em Nova Iorque mas foi em 2007, quando foi chamada para substituir a grande Martha Argerich, que Yuja viu voltarem-se para si os holofotes da fama quanto a publico e critica, ao actuar com êxito absoluto com a respeitada Orquestra Sinfónica de Boston; a instrumentista já por duas vezes actuou entre nós na Fundação Calouste Gulbenkian para tocar a solo em 2010 e com a Orquestra em 2017, saldando-se essas duas presenças por um retumbante sucesso.

Agora a pianista é de novo notícia com a publicação de um novo disco, desta vez um trabalho ao vivo- “The Berlin recital” em que interpreta de modo magistral trabalhos de três consagrados compositores russos:- quatro temas de Sergei Rachmaninov (1873-1943), um de Alexander Scriabin (1872-1915) e outro também de Sergei Prokofiev (1891-1953) bem como três estudos para piano, absolutamente fascinantes, da autoria do compositor húngaro  Gyorgy Ligeti (1923-2006); gravado com a Berlin Philharmonie o disco revela-nos uma instrumentista digna dos maiores elogios, dona de uma técnica insuperável e onde andam de mãos dadas espontaneidade, imaginação e virtuosismo, atributos a que juntando-lhes  ainda uma maturidade invulgar para a sua idade, acabam por transformar sem dúvida alguma a pianista chinesa, que tanto se apresenta em concertos, como em recitais ou num contexto de musica de câmara, num caso sério no panorama da musica erudita actual!

CD Deutsche Grammophone/Universal Music

 

CECILIA BARTOLI

Quase duas décadas após  edição de “The Vivaldi álbum”em 1999 a mezzo soprano Cecília Bartoli regressa ao seu grande e particular amor- Antonio Vivaldi (1678-1741), celebre compositor, cenógrafo, musico e regente nascido na metrópole italiana dos canais- Veneza, que ela tem sabido cantar como ninguém, interpretando com genialidade mesmo as mais difíceis peças do compositor veneziano; desta vez, e coincidente com a comemoração dos seus 30 anos a gravar na editora Decca,  propõe-nos um novo e soberbo projecto musical “Cecília Bartoli/António Vivaldi”, onde  sob a sábia e eficiente direcção de Jean-Christophe Spinosi e acompanhada superiormente pelo Ensemble Matheus nos propõe, dando-as assim a conhecer pela primeira vez ao mundo, dez novas composições operáticas- algumas árias rápidas e lamentos, que tem a particularidade de serem consideradas autenticas raridades e não tendo portanto feito parte do naipe de temas do projecto inicial, afinal de contas um trabalho, cuja projecção, êxito de vendas e de publico a lançou na altura, e a vários níveis, para os píncaros da fama e em definitivo a consagrou junto dos melómanos.

Um regresso, vocalmente brilhante, de uma das mais prestigiadas figuras do bel-canto contemporâneo que cada vez mais nos surpreende pela audácia, experiencia, predicados vocais e …impar qualidade!    

CD Decca/Universal Music

 

SARAH BRIGHTMAN

É de facto um caso raro de predestinação para o canto e por isso mesmo os seus discos são sempre recebidos com grande entusiasmo e até por vezes com excitação pelos seus milhares de admiradores que regra geral esgotam as plateias em que se apresenta ao vivo nas salas de espectáculos espalhadas um pouco pelos quatro cantos do Globo; tem uma voz única e inesquecível e cada trabalho seu é um verdadeiro deleite auditivo em que simples temas, mas cantados às vezes de modo verdadeiramente celestial, nos penetram até ao âmago proporcionando um prazer inaudito e embriagador, afinal de contas raros predicados que muito poucas vozes nos conseguem proporcionar sendo necessário  para isso que se tenham recebido directamente dos deuses essas raras qualidades, ou seja que os deuses do Olimpo tenham acordado bem dispostos e concedido  invulgares dotes de canto aos poucos predestinados !

E para que tal seja mais perfeito ainda é necessário juntar-se nos raros privilegiados dessa selecção dos deuses  excelsos dotes vocais, naturais, e uma maneira de interpretar sui-generis de molde a marcar a diferença; entre os poucos “escolhidos” está sem dúvida Sarah Brightman  soprano que pertence sem dúvida a esse numero restrito de vozes que nasceram para emocionar, cantando!

O seu novo disco “Hymn”, decimo segundo na sua contabilidade pessoal e gravado com a London Symphony Orchestra, é constituído por doze novas (fabulosas)composições, que falam, como é habitual nos seus trabalhos, de paz, amor, alegria e felicidade, canções que são, musicalmente falando, uma grande aproximação, cada vez mais evidente, ao conteúdo habitual das árias de opera, explorando-se desta vez novas sonoridades a que a voz, maviosa e celestial de Sarah concede um colorido único e pessoalíssimo; o disco encerra com uma nova e fantástica versão do mega sucesso que ela em tempos gravou com André Bocceli – “Time to say goodbye”, uma composição verdadeiramente inspirada que faz já parte da história da musica pop operática contemporânea!

CD Nemo Studio/Sarah Brightman/Universal Music

 

CLAUDIA PICADO

O mundo de interpretes do fado em Portugal aumenta significativamente em termos globais a cada mês e a cada ano que vai passando; com efeito novas vozes masculinas e femininas vão surgindo, clamando por um lugar ao sol ou pelo menos por uma presença , muitas vezes  somente ténue, nas luzes da ribalta, uns surgindo vindos da penumbra da noite que envolve as casas de fado, outros ainda pelo simples facto de gravarem um disco, nos últimos tempos infelizmente e geralmente em edição de autor, uma vez que algumas editoras discográficas, muitas vezes mais preocupadas com muito do lixo anglo-saxónico que vai aparecendo nos seus catálogos, deixam de parte ou simplesmente pura e simplesmente ignoram ou não apostam em produtos “made in Portugal” cantados por vozes portuguesas, algumas delas particularmente excelentes…

E se alguns valores algumas das vezes não passam na selecção sempre rigorosa das meras aparições fortuitas e por isso mesmo pouco duradouras, outros há que, lutando sem esmorecer conseguem impor-se e merecem destaque pelas potencialidades e qualidade que evidenciam e os fazem distinguir-se dos restantes; é a chamada e sempre apregoada separação que existe entre o trigo e o joio…

Dentre os nomes que surgiram recentemente e mais me chamou a atenção pelas suas reais qualidades vocais e interpretativas está a vencedora de duas Grandes Noites do Fado e voz integrante de vários certames da world music  -Claudia Picado, já por isso mesmo com um curriculum de viagens e actuações significativo e que para alem de outras qualidades revela um critério de selecção de composições elevado, o que só abona a seu favor tanto mais que se não lhe reconhecessem intrínsecas qualidades muitos dos compositores que fazem parte do leque dos seleccionados para  este disco – “Reflexo”, não lhe cederiam canções para ela interpretar; é o caso de letristas como Amadeu do Vale, António Rocha, Tó Zé Brito, Tiago Torres da Silva, Mário Raínho ou Jorge Fernando, qualquer um deles com créditos firmados no mundo fadista e músicos como o mesmo Jorge Fernando ou Guilherme Banza, que assina no projecto a produção (excelente, diga-se) e a direcção e juntamente com um naipe de excelentes instrumentistas, de que ele fez parte tocando de modo exemplar e mesmo com certo virtuosismo guitarra portuguesa, idealizou uma cama musical de excelência que dá ainda mais  realce à bela voz de Claudia Picado com quem se nota teve neste trabalho uma grande cumplicidade artística.

Cantando com grande emoção, sentimento, garra, boa dicção do português e especialmente com uma grande e evidente alma lusitana, predicados absolutamente necessários e mínimos para se conseguir ser uma grande fadista, Cláudia é de facto uma das mais notáveis vozes femininas do fado na actualidade e por isso mesmo merece o nosso aplauso longo, quente, demorado e…cúmplice!!!

CD Sony Music

 

COLDPLAY

É sem qualquer dúvida uma das bandas da pop e do rock alternativo mais famosas, importantes e mais bem sucedidas dos últimos anos e por isso mesmo o simples anúncio de um qualquer novo trabalho em disco ou apresentação em espectáculo é sempre, por parte dos milhares de fans, motivo de festa e celebração, correrias desenfreadas, crescente entusiasmo e por vezes mesmo origem de verdadeiras ondas de histerismo, especialmente quando se trata de um concerto ao vivo ( onde a lotação quase sempre esgota antecipadamente ) ou pela presença em entrevistas ou sessões de autógrafos em que participe Chris Martin, indubitavelmente o líder da banda e seu mais reconhecido sex symbol, isto para alem de ser o mais idolatrado de todos os membros do quarteto e, por isso mesmo, unanimemente reconhecido como o único e verdadeiro front man dos britânicos Coldplay…

Desde que se formaram por alturas de 1996 que o sucesso lhes bate à porta a cada trabalho que publicam e por isso mesmo o seu nome é também sinonimo de elevadas vendas e lugares cimeiros  e de liderança nos mais diversos tops mundiais, sendo já inúmeros os galardões de prata, ouro e platina que conseguiram arrecadar com as vendas dos seus discos.

Agora o grupo está de novo na ribalta com a publicação de”A head full of dreams”, um ambicioso trabalho discográfico que reúne em quatro discos ( 2CDs e 2DVDs) o resultado final de dois grandes concertos que tiveram lugar em Buenos Aires, Argentina e em S. Paulo, Brasil bem como um extenso documentário com quase duas horas de duração sob as diversas facetas dos Coldplay que contabilizam já mais de vinte anos de canções; um projecto notável, de grande qualidade, recheado de  inesquecíveis e sublimes canções  que acaba por funcionar assim a modos que um best of do que de melhor editaram até agora e onde se pode avaliar com fidelidade toda a força sonora e valor instrumental do quarteto, numa espectacular viagem musical que vai acabar por fidelizar ainda mais adeptos para o grupo que afinal de contas acaba por ser um dos mais fascinantes artesãos da cena rock alternativa contemporânea, uma banda que vai desde a sua formação, segura e convictamente, abrindo novos horizontes musicais a que a voz de Chris Martin vai concedendo especial envergadura e colorido.

2CDs/2DVDs  Parlophone/Warner Music

 

RUI MASSENA

Disco de uma grande beleza estética e musical a nova proposta sonora –“Rui Massena III” do pianista homónimo português tem a particularidade e a honra de ser o primeiro dos seus projectos a ser incluído no catálogo da prestigiada editora alemã Deutsche Grammophone, sem dúvida a mais famosa label de música clássica do mundo, um factor que por si só é por demais elucidativo quanto à cotação internacional do artista como instrumentista e autor.

Músico e compositor de grandes recursos e múltiplos talentos, plenamente evidenciados desde sempre nos seus trabalhos discográficos anteriores, Massena continua a surpreender pela capacidade de composição e improvisação, pela beleza dos temas que assina e acima de tudo pela capacidade de se desmultiplicar em várias tarefas nomeadamente neste disco onde também se salienta na área da produção que assina em conjunto com Mário Barreiros.

O projecto que representa um passo em frente na carreira do pianista foi gravado nas cidades de Berlim e do Porto e propõe-nos momentos nostálgicos e reflectivos ao longo de sete melodias emocionalmente harmoniosas e sofisticadamente atractivas que facilmente conquistam logo à primeira audição!  

CD Deutsche Grammophone/Universal Music

 

MARA PEDRO

Duas coisas importantes me chamaram atenção no final da audição de “Tic-tac” o novo disco da fadista Mara Pedro:- a sua belíssima voz, que efectivamente não conhecia, e o fabuloso trabalho do grande Custódio Castelo não só na execução da guitarra portuguesa onde demonstra porque é um dos melhores ou mesmo o melhor executante português do instrumento, mas também a nível da produção, realmente de elevado nível, aliás dentro da alta bitola a que o guitarrista/produtor nos tem habituado, quer em trabalhos seus, quer nos de outros artistas; aqui, em conjunto com o restante naipe de excelentes instrumentistas soube criar com inteligência, talento e uma alta dose de criatividade a cama musical ideal para projectar e ainda mais realçar os grandes  dotes vocais da fadista, que dá voz, e que voz,  às palavras de gente como Mário Raínho, Frederico Valério, o citado Custodio Castelo, Alberto Janes e Arlindo de Carvalho, entre outros, para alem de se revelar também, como compositora pois assina no disco, sozinha ou em colaboração, nada menos de seis de uma totalidade de 14 das composições que preenchem este projecto.

De realçar também a grande sonoridade final que se obteve e os desenhos rítmicos existentes em cada canção onde a guitarra portuguesa desenvolve belos e inspirados percursos que dão ainda mais ênfase ao resultado final criando momentos únicos de prazer auditivo…

Ouça-se por exemplo a soberba versão do velhinho “Fado Malhoa” , quanto a mim talvez o momento mais alto do disco, onde a fadista canta com excelência, espontaneidade e total entrega e comprove-se tudo que atrás deixei escrito sobre os dotes vocais de Mara que para além de tudo é detentora de uma outra série de potencialidades que a podem e devem num curto espaço de tempo projectar ainda para mais altos voos.

A fadista demonstra assim, que tem portanto asas para voar pois possui um timbre muito próprio e canta com sentimento, garra e uma grande segurança, que se constituem afinal de contas  como factores primordiais para um bom desempenho vocal; a estes predicados há que juntar também o facto de Mara revelar já um certo amadurecimento vocal, próprio de quem já possui  não só uma certa experiência, mas também bastante ”estrada” no curriculum.

Um disco que respira perfeição, arrebatamento, sensibilidade e bom gosto e é um dos mais sérios candidatos a integrar uma curta lista, a elaborar lá para finais do ano, dos melhores discos de fado no feminino de 2019!

O grande, saudoso e inesquecível  Tony de Matos costumava dizer que “o destino marca a hora” e a hora é sem dúvida de Mara Pedro!

CD Sony Music

 

A STAR IS BORN

Começou por conquistar a crítica e os experts  cinematográficos de Hollywood que lhe concederam a honra de ser escolhido como um dos mais sérios candidatos aos prémios da imprensa e aos Óscares, mas apesar das muitas nomeações acabou por não obter os galardões que se calhar merecia muito mais do que outras películas acabaram por conquistar na contabilidade final; apesar de tudo foi, e ainda é, um tremendo sucesso com exibições esgotadas nas salas de cinema e alcançando também lugares cimeiros nos tops mundiais para o disco com a banda sonora do filme.

Falo de “A star is born”   que vai já no terceiro remake da película homónima; agora a nova versão da história e respectiva banda sonora são protagonizados também por duas  figuras carismáticas que dão pelos nomes de Lady Gaga e Bradley Cooper, ela um ícone da pop contemporânea, ele um conhecido astro de cinema que há tempos atrás juntou os trapinhos (e até já tiveram um filho) com a super modelo russa- a lindíssima Irina Shayk, mais conhecida entre nós por ter sido companhia do ultimo madeirense a ter uma estatua na sua ilha com quem protagonizou, ao que dizem, uma história romântica(?) a que alguns chamaram mesmo de namoro.

Pois a banda sonora da película, onde a cantora e o artista de cinema, a exemplo do filme também “contracenam” cantando, surgiu ao mesmo tempo que o filme e está a causar impacto tanto mais que o tema principal ganhou o Óscar para a melhor canção original!

E se a Lady Gaga já lhe conhecíamos os atributos vocais , Bradley é uma verdadeira revelação como cantor; a dupla interpreta com grande eficácia e talento todas as composições do disco de tal modo que até Barbra Streisand se lhes referiu muito elogiosamente, e convenhamos que ela, quando o assunto é cantar, sabe realmente do que fala; banda sonora de um moderno melodrama cinematográfico tem momentos vocais de facto de elevado nível, nomeadamente o dueto “Shallow” tema que conquistou o referido Óscar, depois de já ter arrebatado um Globo de ouro e um Emmy , bem como uma incrível versão de “La vie en rose” da imortal Edith Piaf isto para além de outros belos momentos musicais que tem recebido uma mediática atenção um pouco por todo o lado, quer de publico, quer dos media especializados.

Merece realce também o facto de Bradley , qual homem dos sete ofícios, se ter desdobrado e mostrado uma grande polivalência em vários sectores pois para alem do facto de ser uma das duas estrelas da película e ter cantado a solo ou em dueto com Lady Gaga, assina também canções como compositor e teve papel preponderante no capítulo da produção conjuntamente com Lukas Nelson, que é nada mais nada menos que o filho do “rei” da country music  actual Willie Nelson.

CD Interscope records/Universal Music

 

MARCIA

Grande evolução e uma evidente maturidade vocal são os adjectivos que melhor podem definir o que representa o novo disco de Márcia que mais uma vez se afirma como um dos mais sólidos valores da nova geração de cantautores portugueses pois não só compõe para si própria, como para outros interpretes ; o novel projecto, que quebra um silencio de três anos em matéria de gravações ( o ultimo disco foi  “Quarto crescente” e saiu já em 2015) ,intitula-se “Vai e vem” e totaliza doze canções todas da autoria da cantora que recebeu em três delas a “visita” vocal de três bons amigos- Salvador Sobral, António Zambujo e Samuel Uria , que ajudaram, mercê dos duetos que com ela protagonizaram, a elevar ainda mais o nível artístico do projecto desta voz feminina portuguesa, que tem uma maneira muito própria e inconfundível de interpretar e pouco a pouco, passo a passo, degrau a degrau, vai singrando e conquistando com alma e certa segurança diferentes plateias e a critica especializada impondo as suas inspiradas propostas musicais e sonoras, com a sua voz calma, tranquila e de cambiantes ricos e insinuantes mas personalizados que conquistam e facilmente atraem as audiências pela sua riqueza, beleza e harmonias e especialmente pela singeleza e simplicidade de que revestem .                

CD Parlophone/Warner Music

 

DIABO NA CRUZ

Mais uma pedrada no charco os Diabo na Cruz  atiram para o centro do campo da música popular portuguesa actual; compendio  de ritmos e percussões algumas bem ao estilo do que é apanágio da Brigada Victor Jara, o grupo de Jorge Cruz e seus cinco companheiros de acção e aventura musical faz da alegria e dos festejos populares uma Bíblia e uma verdadeira fonte de inspiração propondo-nos ao longo de onze composições de sabor bem português uma viagem intemporal pelas terras portuguesas, usos, costumes, tradições, oralidades  e religiosidade deste país à beira-mar plantado, qual passeio de altos prazeres e folias, bailação, rodopios sem fim, copofonias e lautas comezainas.

Um disco em que se salienta das demais  a canção “Terra ardida” e onde as doze propostas sonoras nos transportam com incrível facilidade para a tradição das festas portuguesas, para as danças folclóricas e para os meses de verão no período de festas como as da Serra d´Arga, Senhora da Agonia, Senhora dos Remédios, Senhora da Hora, Senhor da Pedra e afins onde a alegria e as danças casam na perfeição com romarias, santos, andores e procissões.

Que haja alegria e folia porque já não se paga para mais uma corrida no carrossel da dança pois  o mandador é dos Diabo na Cruz…

CD Sony Music

 

PRINCE

Atenção coleccionadores, fanáticos do Prince e seus derivados: – está disponível ( ao que parece por período limitado)um projecto discográfico resultante de uma gravação caseira feita no estúdio privado do artista contendo nove pérolas musicais do príncipe de Minneapolis que até agora estavam, imagine-se, a repousar numa…cassete!

Com efeito acaba de ver a luz do dia em formato compact-disc “Piano & a microphone 1983 contendo nove canções já com muitos anos de vida e compostas no início da carreira do cantor na mesma altura em que ele se afadigava na elaboração de composições que mais tarde virariam mega  sucessos tais como “Sign´o the times” ou “Purple rain”; as “novas” composições trazem-nos de volta a magia e talento de Prince Rogers Nelson em toda a sua plenitude  incluindo uma – “Mary don´t you weep” que recentemente acabou  escolhida por Spike Lee para integrar a banda sonora do seu último filme que foi um sério candidato aos Óscares – “Blakkklansman”.

Um disco que mais que uma amostra das potencialidades criativas de Prince é um documento que marca também o início de carreira de um homem que viraria mito e se transformaria num compositor e interprete genial quer se movimentasse no seio da R&B, da soul, funk, hip-hop, rock, pop ou jazz.

CD Warner Bros/Warner Music

 

SUSANA TRAVASSOS

Tem um grande potencial quer como interprete, quer como compositora e parece finalmente ter assentado arraiais por cá depois de umas temporadas passadas na América Latina e especialmente no Brasil onde teve honras de partilhar palcos com nomes como Chico Saraiva, Chico Pinheiro, Chico César, o meu comparsa também apreciador e consumidor de charutos cubanos Zeca Baleiro, Toninho Horta , Yamandu Costa e outros mais; falo da algarvia  Susana Travassos, que conheci há anos atrás apresentada pela minha linda e querida Geninha Mello e Castro e que agora é notícia pela edição de “Pássaro palavra”, novo trabalho autoral gravado em Buenos Aires, Argentina na companhia de grandes instrumentistas por lá sediados e que para alem de integrar composições da sua própria autoria inclui também alguns inéditos de Luísa Sobral, Mili Vizcaino e… Melody Gardot, nome sonante do jazz mundial no feminino e presença assídua nesta terra de Camões, Amália e Pessoa.

Falando de amor, justiça social e liberdade em várias situações e denotando grandes influências da musicalidade latino americana, a que não é alheia a vivência que possui dessas latitudes, Susana não abandonou no entanto as suas raízes portuguesas , perfeitamente perceptíveis e fruto de uma herança pessoal, bem lusitana e também de uma arreigada certa portugalidade expressa em canções como “Luísa”, “ Asas de água” ou “Meu pai” isto sem esquecer “Saudade”, termo bem portuga da autoria de  Gardot e a que esta dá um toque bem português e natural até porque ela é confessadamente uma enamorada de Portugal e de uma certa portugalidade acentuada e vincadamente  bem expressa e explicável pelas suas constantes visitas para fins de veraneio ou para actuações ao vivo.

Já com uma maturidade vocal assinalável ( que diferença entre o disco que ouvi há anos atrás e o presente projecto!) Susana Travassos, que considera este seu trabalho como um regresso às raízes e afirma que “a palavra é o motor da escuta e da mudança”, reúne agora todos os condimentos necessários para finalmente poder brilhar em Portugal embora se saiba que geralmente “ninguém é profeta na sua própria terra”; convenhamos que inspiração, grande talento e uma bela voz não lhe faltam!

Oxalá por seu lado a sorte, o condimento sempre imprescindível nestas coisas decida também acompanhá-la, pois ela bem o merece…

CD The Orchard

 

VANESSA MARTIN

Uma das maiores sensações femininas musicais da vizinha Espanha- Vanessa Martin está de volta com um projecto que para além de tudo representa a confirmação plena das suas potencialidades e valor quer como cantora, quer como autora, pois neste capítulo assina a totalidade das letras e das músicas que integram o disco “Todas las mujeres que habitan en mi” numa totalidade de 16 onde se incluem três colaborações importantes de nomes como Abel Pintos, Kany Garcia e…a nossa Mariza, que em dueto com Vanessa faz de “Pideme”, um tema de amor simplesmente brilhante e inesquecível!

Projecto arrojado é simultaneamente um verdadeiro caleidoscópio de belíssimas canções e uma aposta certa na emoção através de uma sumptuosa produção que a cada audição mais se entranha em nós qual vinho generoso, dito do Porto, que quanto mais se vai bebendo, mais se vai apreciando e gostando, assimilando-se cada vez mais o seu sabor e paladar; já de uma maturidade evidente é também um projecto realmente notável desta artista malaguenha que cada vez mais se assume como das mais vibrantes revelações da música espanhola dos últimos anos!!!

CD edição especial  Warner Music

 

FRANCISCO SALVAÇÃO BARRETO

Parente afastado de um querido amigo meu, infelizmente já desaparecido há anos do numero dos vivos e que foi uma das maiores lendas do toureio em Portugal e também no estrangeiro – o gigante, de nome, não de altura, Nuno Salvação Barreto, forcado e pegador de touros como houve poucos entre nós ( foi preciso “tê-los no sítio” como se dizer e por isso mesmo tornou-se mítica a sua proeza em plenas filmagens da película de grande sucesso “Quo Vadis” quando sozinho enfrentou de frente a morte ao pegar um enorme touro pelos cornos, tarefa hercúlea que muitos outros antes dele não conseguiram protagonizar sendo projectados ao chão pelo animal!!!) Francisco Salvação Barreto dedica-se a outra arte, não menos honrada e prestigiante, mas igualmente portuguesíssima até à raiz dos cabelos, que é a arte de cantar o fado!

Com efeito o novel fadista, denota já uma certa experiência, adquirida sobretudo  nos seus primeiros tempos nas cantorias em família ou em tertúlias de amigos e nos últimos tempos integrando o naipe de artistas do conhecido Senhor Vinho (da “raínha” Maria da Fé e de José Luís Gordo) e bem como anteriormente em vários  outros locais, assim como no contacto com outros fadistas , experiências que bem pode dizer-se constituíram a sua grande escola do fado.

O fadista acaba de realizar agora aquele que é, regra geral, o  sonho de um qualquer artista que é a gravação  e posterior edição do primeiro disco; intitulado “Horas da vida” é sem dúvida um trabalho profundamente marcado pelo fado tradicional onde afinal o fadista evoluiu imenso ao longo do seus  tempos de aprendizagem e onde na realidade se sente como “peixe na água”.

Camané, que assumiu no projecto a direcção de voz, diz dele que “…o seu estilo autêntico impôs-se na sua maneira de cantar/hoje a sua maturidade revela-se no modo como consegue recriar os andamentos dos fados tradicionais…”

Com efeito isso está bem patente no seu disco de estreia em que demonstra de facto já uma assinalável maturidade dando voz às palavras de gente como Maria do Rosário Pedreira, José Luis Gordo, Fernando Pessoa, Miguel Torga, Aldina Duarte ou do grande Pedro Homem de Mello, entre outros, onde o  fadista se espraia vocalmente, com certa segurança e à vontade  pelo mais puro e recôndito do fado, das suas vivências e essência e demonstra que apesar de este ser o seu primeiro trabalho ultrapassou já o estatuto de revelação para passar a constituir uma grande e agradável certeza no panorama fadista português.

Uma chamada de atenção para duas belas composições que ganham uma espécie de nova vida na sua interpretação  pessoal– “O meu amor anda em fama” que o meu amigo e saudoso João Ferreira Rosa popularizou e para “ Vaga no azul amplo solta”, poema de Fernando Pessoa que Patxi Andion há anos musicou para o álbum de Ana Moura – “Para alem da saudade”, com quem acabou por gravou em dueto; uma palavra final para um certo brilhantismo sonoro e de execução do naipe de instrumentistas que proporcionou a cama musical ideal para fazer salientar a voz de Francisco Salvação Barreto, sem dúvida já um dos mais sólidos valores do nosso fado.

CD Museu do Fado

 

PABLO ALBORAN

“Prometo” foi o último projecto discográfico editado da maior revelação masculina da cena pop espanhola, que  contabiliza já até agora cinco discos de platina estando neste momento no limiar de alcançar o sexto galardão, o que faz de Pablo Alboran o maior vendedor de discos do país vizinho e, convenhamos, que numa altura em que o mercado discográfico atravessa uma certa crise, até mesmo na vizinha Espanha, tal feito é uma verdadeira proeza e deve ser visto como um grande acontecimento, digno de registo e de comemoração!

Perante tal sucesso, sem precedentes nos últimos anos, a sua editora resolver reeditar o projecto dando-lhe desta vez o carácter de edição muito especial, começando por transformar o original formato de CD numa espécie de livro e adicionando à gravação original um segundo CD com gravações acústicas e vários extras bem como dois DVDs, um composto pelo registo de um concerto em Sevilha, que teve lugar no Estádio de Cartuja a 16 de Junho do ano transacto, comporta nada menos de 26 canções e  teve a duração de mais de duas horas e outro onde foram incluídos  vários temas também em formato acústico bem como diversos vídeo clips e um documentário especial- “Trás el telon” – sobre a bem sucedida digressão  europeia que acabou por se transformar num êxito brutal!

Intitulado “Prometo- edicion especial” o projecto tem uma faustosa apresentação e é na realidade uma prenda fantástica e ideal para se presentear alguém, por exemplo num dia especial ou de aniversário, isto para além de constituir um documento único, valioso e intemporal para os milhares de admiradores espanhóis, portugueses e de outras latitudes, onde o castelhano seja a língua falada ou oficial, de um artista e cantautor de invulgares capacidades artísticas que para alem de se revelar um cantor de grandes e genuínos dotes e gabarito demonstra também ser um inspiradíssimo compositor pois assina neste projecto muito especial, nada menos que todas as composições que dele fazem parte constituindo muitas delas já verdadeiros hinos de popularidade!

2CDs/2DVDs Parlophone/Warner Music

 

LEGENDS OF FADO

Continuam a ser de grande bom gosto e a pautar-se por um critério de selecção absolutamente invulgar as variadas compilações de fado oriundas da ARC e que vão por cá surgindo de vez em quando; desta vez, e igualmente incluída na conhecida série “Legends of  fado”, surgiu uma nova colectânea que engloba para alem de grandes lendas da chamada canção nacional tais como a grande Celeste Rodrigues e sua irmã a nossa eterna diva Amália Rodrigues, ainda Alfredo Marceneiro, Max, Maria Teresa de Noronha, Carlos Ramos, Lucília do Carmo, Fernando Maurício, Argentina Santos, Vicente da Câmara, etc. interpretando como só eles sabiam grandes sucessos como “Maldição”, “A casa da Mariquinhas”, “Vielas de Alfama”, “A rosinha dos limões”, “Nem às paredes confesso”,”Igreja da Sto Estêvão, etc, etc, etc, numa totalidade de 15 inesquecíveis composições que constituem todas elas afinal  alguns dos momentos mais inesquecíveis e imortais da história do nosso fado!

CD ARC Music/Megamúsica

 

TWENTY ONE PILOTS

É sem dúvida uma das maiores coqueluches da musica pop/rock dos últimos anos e por isso mesmo merece destaque o lançamento do seu mais recente trabalho- “Trench”, o seu terceiro de estúdio e de originais onde o duo de músicos estado-unidenses continua a sua saga de presentear toda a gente com grandes composições, bem construídas, esteticamente atractivas e sonoramente absorventes; ritmadas q.b. constituem também simultaneamente uma mão cheia de inspiradas canções que quanto mais audições registam mais se  insinuam no agrado geral, entusiasmantes e intemporais constituindo-se  afinal de contas como pedaços do melhor rock que se vai fazendo um pouco por esse mundo fora e projectando os 31 Pilots  com uma facilidade impensável para os lugares cimeiros dos tops de vendas e de popularidade mundiais!

 

CD Warner Music

 

FILIPA SOUSA

O numero de interpretes que pouco a pouco vão aportando ao mundo do fado não pára de aumentar, uns já com um certo percurso nesse  meio artístico, outros ainda em fase de simples experiência, mas todos tentando no entanto conquistar alguma relevância ou mesmo, se possível, triunfar e assim conseguir um  almejado lugar ao sol!

A algarvia , natural de Albufeira, Filipa Sousa é um dos nomes que se assume como uma das mais sérias candidatas a triunfar até porque  para alem das potencialidades interpretativas de que dá mostras, tem já um curriculum de vida artística deveras assinalável ou não fosse uma quase veterana pois contabiliza já uma carreira de 20 anos tendo sempre no entanto como matriz e ponto de referencia o fado, isto apesar de ter tido outras experiencias musicais que lhe ajudaram a moldar a voz e ganhar segurança nomeadamente no campo do rock , da musica electrónica , da dança ou da fusão com passagens pelo projecto Gato Malvado Ensemble e pelos Al-Mouraria, de boa memória, para alem da experiencia de ter sido finalista do concurso televisivo “Operação Triunfo- 2007” que tal como aconteceu noutras edições serviu para revelar alguns novos valores em diversas áreas musicais; acabaria até mais tarde como  vencedora do Festival RTP da Canção de 2012  com a canção “Vida minha” com  que participou na Eurovisão…

Surgindo agora como uma aposta de Valter Rolo, músico, compositor, arranjador e produtor que vislumbrou nela possibilidades inatas e acreditou no seu grande potencial,  Filipa chega finalmente ao fado em nome próprio através do projecto ”Acreditar” no qual dá largas  aos seus gostos pessoais, usando toda a liberdade que o produtor lhe concedeu para finalmente fazer do fado uma missão, um forma de estar e, indo até ao encontro dos seus desejos, um percurso de vida.

Assim, cantando com segurança e de modo pessoal e tão seu característico as palavras de gente como José Carlos Ary dos Santos, José Luís Tinoco, Paulo Abreu Lima ou Tiago Torres da Silva, entre outros e sob o manto de musicas de Valter Rolo, Alain Oulman ou Manuel Graça Pereira, Filipa Sousa prepara-se então para, degrau a degrau, pé ante pé, conquistar o seu lugar mercê de uma série de belas interpretações que chegam por vezes a namorar ambientes fora do fado nomeadamente nos domínios da musica popular e até outra linguagens musicais, sem perderem no entanto o cordão umbilical com ele, arriscando até ela própria também participar de modo seguro e consciente na área de composição (“Nossa Senhora da Orada”).

E a  verdade é que a fadista entusiasma pela emoção e sentimento com que canta, pela verdade que se lhe adivinha na voz e acima de tudo pela magia que destila e a que por vezes a guitarra de Ângelo Freire concede um certo brilhantismo…

CD Edição de autor

 

JOYCE diDONATO

É uma das maiores ou mesmo a melhor das mezzo-sopranos da actualidade e por isso mesmo qualquer novo trabalho seu é recebido com certa expectativa e ansiedade por parte dos melómanos da musica erudita e especialmente pela sua grande legião de fans que geralmente esgotam as lotações das salas em que se apresenta; agora o entusiasmo acontece a dobrar pois num curto espaço de tempo surgiram dois novos projectos:- “Into the fire” e ”Songplay” cujos respectivos estilos não poderiam ser mais diferentes quanto ao ambiente musical que os envolve pois enquanto o primeiro é o resultado da gravação de um concerto ao vivo no Wigmore Hall, em Dezembro de 2017  em que a cantora interpreta soberbamente como é seu apanágio peças de Strauss, Guillaume Lekeu, Jake Heggie, Debussy e F.X.Gruber acompanhada instrumentalmente pelo quarteto  Brentano String Quartet, no segundo dos projectos aventura-se brilhantemente acompanhada por um quinteto de músicos de grande recorte técnico, num reportório mais eclético que vai desde Vivaldi até Giordani, passando por Caccini, Conti e Paisiello até Shearing ou mesmo Duke Ellington.

Porém o denominador comum dos dois discos é a sua grande capacidade vocal e de interpretação dominando a seu bel-prazer  não só os temas mais dramáticos e intensos como também os mais profundamente emotivos, todos eles porém criações únicas e absolutamente impares na sua voz ou não fosse ela uma interprete predestinada do bel-canto , uma cantora de cujas prestações quanto mais vezes se ouvem mais descobertas se vão fazendo, umas mais belas e surpreendentes que outras, mas todas elas com um denominador comum:- são de uma invulgar qualidade e beleza e algumas delas raridades absolutamente electrizantes!!!

CDs Erato/Warner classics/Warner Music

 

LINDA LEONARDO

Sinceramente, confesso que não só nunca tinha ouvido nada cantado por ela, nem tão pouco conhecia o nome de Linda Leonardo, por isso mesmo desconhecia que se dedica de alguns anos a esta parte a cantar o fado, muito embora tenha posteriormente descoberto que há muitas referencias à fadista no Google; foi por isso uma grata surpresa quando após a audição do seu terceiro disco “Eterno fado”, (que ela considera o seu verdadeiro cartão de visita) verifiquei que estava em presença de uma fadista com maiúsculas, que por isso mesmo merecia uma atenção especial pois estava em presença de uma grande voz e uma interprete predestinada para a, não sempre fácil, arte de cantar o fado.

Segundo mais tarde apurei, a sua paixão pela canção nacional  vem-lhe de muito nova e aos vinte anos já tinha actuado em várias casas típicas de Lisboa e Porto bem como em alguns casinos, experiências que acabaram por resultar em convites para cantar no estrangeiro nomeadamente junto das comunidades portuguesas; antes do presente trabalho participou até em algumas colectâneas de fado e gravou dois trabalhos em nome próprio ( “Podia ter sido amor” e “Nosso fado é sempre fado”) que lhe serviram de preparação e rampa de lançamento para este novo disco, sem dúvida um projecto em que revela grande vivência e maturidade, predicados a que não são alheios os mais de vinte anos de fado que contabiliza já e que lhe permitem um perfeito discernimento para seleccionar o que quer cantar e também por isso escolher autores e músicos.

Dando neste trabalho voz às palavras de gente com certo peso na lirica fadista como são sem duvida  Tiago Torres da Silva, que assina nada menos de sete composições, Fernando Tordo ou Humberto Sotto Mayor, entre outros, a fadista co-assina também três das composições  do projecto; para alem de tudo soube rodear-se de instrumentistas de elevada craveira como são Ricardo Rocha, José Manuel Neto, Diogo Clemente, Marino de Freitas ou Filipe Raposo, entre outros, que indubitávelmente contribuíram com a sua arte e desempenho para o elevado nível instrumental das composições que a fadista interpreta de forma inspirada, segura e apaixonada, sentimentalmente profunda e acima de tudo com uma dicção perfeita do português, sem qualquer acentuação ou sotaque.

Resumindo:- Linda Leonardo é indubitavelmente uma das maiores revelações do fado no feminino dos últimos anos, uma mulher que faz da sua belíssima voz uma paixão e, com uma entrega total, a sua arte maior e uma pessoal forma de combate pois nasceu para vencer!

CD ARC Music/Megamúsica

 

DAVID BOWIE

Continua a conseguir surpreender–nos apesar de ter desaparecido do nosso convívio há já alguns anos atrás; com efeito o mitológico David Bowie  teve uma lendária actuação no celebre festival de Glastonbury, considerado o maior festival de música do Mundo no ano de 2000 e essa soberba actuação, que teve lugar a 25 de Junho desse ano, foi de tal modo elogiada e catalogada como impar e inesquecível que ficou para a história não só do certame como também para a dos festivais do género; no mágico concerto o eterno camaleão cantou nada menos de 22 das suas mais emblemáticas composições incluindo como não poderia deixar de ser temas imortais como  “Heroes”, “Changes”, “Ashes to ashes”, “Life on Mars?”, ”The man who sold the world”, “Rebel rebel” ou ”Under pressure” qualquer um deles afinal pedaços da historia do rock internacional que muitos poucos escreveram tão vincada e brilhantemente como ele.

Intitulado “Bowie- Glastonbury 2000”, o mítico concerto surge agora numa luxuosa caixa, em edição especial, que inclui para alem do registo do concerto em CD, também a mesma performance em DVD onde se inclui ainda um documentário sobre a preparação do concerto, imagens inéditas e outras curiosidades, surgindo ambos os formatos com som áudio remasterizado e melhorado.

Uma obra de elevado nível musical que acaba por ser também, um documento soberbo e histórico sobre um momento alto e inesquecível na vida artística do grande entertainer, uma das mais emblemáticas personagens da história do rock a que ele deu novos aromas, roupagens e texturas!

Box de 2CDs/DVD  Parlophone/Warner Music

 

AN AFRICAN JOURNEY

Uma grande odisseia musical e sonora que começa no Egipto e vai percorrendo outros itinerários e territórios  tais como a Líbia, Tunísia, Algéria, Marrocos, África da costa Oeste, Gana , Costa do Marfim, Nigéria, Gabão, Sudão, Etiópia, Moçambique, Zimbabwe, África do Sul e  Namíbia com terminus em Angola, é a proposta  de “An african journey”, uma rara e inesquecível viagem pelas musicalidades, sonoridades e ritmos  do continente africano, suas nuances, derivados e latitudes, um percurso que nos transporta através de uma verdadeira enciclopédia musical recheada de cambiantes sonoros surpreendentes,  para lugares recônditos do continente negro e nos direcciona para algumas das suas maiores e valiosas jóias musicais , apesar de algumas delas serem pouco menos que  ilustres desconhecidas pelo menos  para a maioria dos comuns europeus …

Uma valiosa e inesquecível epopeia musical onde através de uma criteriosa e selectiva escolha se conseguiram  reunir numa totalidade de 18 composições, alguns dos mais salientes momentos musicais de cada país integrante e que acaba por ser também um documento culturalmente importante de décadas de actividade da musica africana, que é urgente conhecer, sob pena de se perder o contacto com algumas das mais vibrantes propostas, em termos  sonoros e rítmicos, que na actualidade, o movimento musical vulgarmente designado por “músicas do Mundo” nos pode proporcionar; a beleza africana também está, a par das paisagens de cortar a respiração, na sua música e no grande colorido rítmico e este fabuloso disco é a prova audível disso mesmo!

Absolutamente  imperdível!

CD ARC Music/Megamúsica

 

ATH-THURDÂ

Às vezes acontecem verdadeiras surpresas no panorama musical português e isso desta vez teve origem numa ideia absolutamente genial:- conseguir-se fazer a fusão entre a música popular portuguesa no tocante aos coros e ao cante alentejano, com a musica do País Basco, com incidência especial nas propostas sonoras e rítmicas de um génio oriundo de Bilbau que dá pelo nome de Kepa Junkera , um homem que há anos atrás gravou um disco – “Lau eskutara” em colaboração com o nosso maior instrumentista acústico Júlio Pereira, projecto tão bem sucedido em termos de aceitação publica e de vendas que acabou mais tarde por ser considerado, na opinião dos media ,uma obra-prima da música de fusão e simultaneamente um disco de referência na discografia de cada um dos instrumentistas.

Agora, surge então o resultado dessa proposta de fusão atrás referida, através duma obra notável que para alem de constituir uma obra-prima musical, coral, instrumental e sonoramente falando, da musica de raiz étnica e popular portuguesa e basca, é para além de tudo uma verdadeira “pedrada no charco” na mediocridade que tem  vigorado em muitos projectos de música popular que, não conseguindo apoios suficientes (leia-se algum financiamento monetário) para depois de serem editados usufruírem de uma promoção mínima que os leve ao conhecimento do grande publico, infelizmente na maior parte deles, por causa se calhar dessa tal ausência de apoios, acabam por não passar da cepa torta, que o mesmo será dizer da simples e pura edição discográfica, que infelizmente hoje em dia, já não chega, e está confinada a edições de autor ou a alguns, pouquíssimos heróis – os promotores de concertos com quem geralmente os artistas tem contrato de agenciamento (Alain Vachier Music e Uguru) já que as editoras ditas majors, regra geral, tiram o “cavalinho da chuva” ficando inexplicável e silenciosamente de fora das edições; eu se calhar arriscaria dizer criminosamente, pois quer queiram, quer não, tem um importante papel cultural a desempenhar e por isso tem também implícitas obrigações editoriais…

Sinceramente, cada vez me interrogo mais, e custa-me muito como português a aceitar tal facto, porque é que certa parte da banca, dos seguros e outros organismos, governamentais ou não,  com responsabilidades, directas ou indirectas, na cultura deste País concedem apoios a  alguns projectos de muito duvidosa qualidade, especialmente alguns nos domínios do fado, em detrimento de outros que, face a uma por vezes evidente qualidade, mereciam um pouco mais de atenção e… carinho!

Para a elaboração do projecto de título “Ath-Thurdâ (que é o termo árabe para um caldo servido com pão, alho, azeite e outros temperos e onde está a origem da nossa sopa de pão – a açorda) juntou-se um pouco de folk do País Basco, temperado com uma pitadinha de trikitixas e txalapartas ; de seguida adiccionou-se-lhe algum cante alentejano  e depois envolveu-se tudo no toque alegre e por vezes repenicado dum acordeão.

Após todas estas operações passa-se finalmente e já a uma temperatura bem alta, à fase de se “caldeirar” tudo com a junção de outros especiais  condimentos- as vozes femininas (Mara, Celina da Piedade, Beatriz Nunes) e as do cante alentejano, colocando-se como ingredientes as sonoridades bem diversificadas  de uma viola campaniça, um piano, uma bateria, um contrabaixo e finalmente umas pitadas bem generosas e condimentadas de Gigabombos do Imaginário e de Galandum Galandaina e ainda especiarias únicas e picantes das Vozes de Abril, dos Cantares de Évora e do Imaginário ; depois de se passar tudo por lume brando, deixou-se cozinhar durante sete dias e marinar com sentimentos profundos, paixão q.b., improvisação, uma grande dose de virtuosismo e acima de tudo com amor, muito amor!

Após todas estas operações, com a certeza dos temperos na medida certa, veio a difícil e sempre ingrata mas expectante e  apreciada tarefa de provar, desafiando o palato e apreciando-se o resultado final desta iguaria com muito rigor:- estava tudo…delicioso, com o ar à nossa volta a ficar totalmente impregnado de aromas raros, paladares celestiais, texturas e sabores únicos e inigualáveis que obrigaram assim toda a gente a ficar com água na boca perante a magnificência daquele caldo, daquela iguaria, daquela autêntica dádiva dos Deuses!

Fusão de duas culturas musicais ancestrais- a alentejana e a basca, projecto de uma riqueza musical imensa e laboratorialmente  preparado para fazer realçar virtudes, inspirações, criatividades, ritmos e sonoridades e tendo Évora como madrinha e verdadeira alma mater, “Ath-Thurdâ”, mais que um projecto imaterial de fusão, é um verdadeiro altar de celebração celta , luso/basco e mundial (com orientação espiritual do mago e sacerdote Kepa Junkera) onde duas culturas se completam, se entrecruzam, se entregam mutuamente e finalmente, lado a lado, acorde a acorde, compasso a compasso se tornam …imortais !!! Podem crer:- eu AMO este projecto!!!

Livro com 2 CDs Alain Vachier Music (apoio Câmara Municipal de Évora)

 

HIMMELSMUSIK

Aí está de novo Christina Pluhar acompanhada pelo seu  agrupamento L´arpeggiata dando cartas na execução de música antiga especialmente no domínio da música barroca, que constituiu afinal de contas a sua grande e verdadeira paixão musical; exímia executante de harpa e alaúde renascentista, a instrumentista e directora do ensemble austríaco que nasceu em Graz, Áustria em 1965, mas está desde há muitos anos sediada em Paris, continua a surpreender de projecto para projecto pela sua  arte,  pela grande versatilidade e pelos fabulosos arranjos  de que as composições que interpreta sempre se rodeiam através de orquestrações e instrumentações sofisticadas e atractivas que conquistam a cada novo trabalho mais e mais admiradores.

É o caso de “Himmelsmusik”, novo projecto surgido no final do ano transacto e no qual a austríaca acompanhada pelo seu grupo e contando com a colaboração da soprano Celine Scheen e do contratenor Philippe Jarroussky dá nova vida a composições de gente  como  J.S. Bach, Johann Theile, Christian Ritter, Franz Tunder ou António Bertali, entre outros num projecto que é mais uma prova da sua vitalidade artística e onde merecem saliência  as soberbas e sofisticadas interpretações que realçam ainda mais a excelência das 13 composições na área da música barroca!

Livro/CD Erato/Warner Music

 

EROS RAMAZOTTI

Continua na senda do êxito e a propor-nos grandes composições de que os lugares cimeiros dos tops são o mais perfeito reflexo da sua qualidade intrínseca e a prova disso está em “Vita ce n´é”, novo projecto do italiano Eros Ramazzotti onde desta vez se fez acompanhar em três composições pela colaboração de  Alessia Cara, Luís Fonsi e  Helene Fischer; cantando e contando historias do dia-a-dia dos comuns mortais e porque não dizê-lo, de si próprio também, Eros Ramazzotti demonstra que continua a ser capaz de construir grandes canções, apelativas, bem estruturadas e excelentemente cantadas como só  ele sabe fazer reafirmando-se de novo, depois de um certo silêncio, como um grande interprete  com um lugar à parte na moderna musica italiana de que ele é sem dúvida um dos expoentes máximos e um dos mais legítimos porta-estandartes.

Registando já na sua contabilidade pessoal mais de 50 milhões de discos vendidos aí está de novo o cantautor italiano a deslumbrar e a reconquistar plateias um pouco por todo o Mundo ou não fosse ele uma das mais importantes figuras da história da música na Itália contemporânea!

A presente edição especial, de luxo, inclui para alem do projecto inicial contendo as  15 belíssimas composições originais,  ainda um segundo disco onde podem encontrar-se duas excelentes versões acústicas de “Avanti cosi” e “Siamo”, sem dúvida duas das mais belas canções do novo disco, para além de um poster do cantor.

Um álbum para recordar e guardar devidamente depois de ouvido  amiudadas vezes !

CD+mini CD Polydor/Universal Music

 

MARIA EMILIA

Costuma dizer o povo na sua imensa sabedoria que “queira Deus que a fartura não dê em fome!”; ora este ditado popular serve para melhor se compreender o que de facto se passa actualmente no mundo do fado em Portugal com o aparecimento de um grande número,  extraordinariamente extenso convenhamos, de novos, e por vezes desconhecidos  nomes, que vão surgindo em catadupa, dia a dia, semana a semana, mês a mês tentando cada um à sua maneira, apoiados ou não por editoras sediadas em Portugal e algumas no estrangeiro, conquistar um lugar ao…fado!

E se alguns deles merecem a oportunidade de se apresentar em nome próprio e assim mostrarem o seu valor, face às reais qualidades que evidenciam, outros há que certamente não passarão no teste e deles, num futuro se calhar bem próximo, não vai seguramente rezar a história…

No número dos que reúnem as condições necessárias e merecem triunfar, por todo valor que tem e pelas qualidades de que dão mostras, está sem dúvida Maria Emília, nascida no país verde-amarelo, mas filha e neta de portugueses, que recentemente acabou por ver ser editado um primeiro trabalho para a Valentim de Carvalho, editora de grandes tradições que possui nos seus arquivos um fabuloso espolio de fado onde se incluem para além duma série de outras importantes discografias a da nossa querida e imortal D. Amália Rodrigues!!!

Intitulado “Casa da fados” o projecto discográfico assume-se finalmente como a rampa de lançamento da jovem fadista de 27 anos de idade, dona de uma voz cristalina  e bem modulada que canta de modo castiço e seguro, com empenho e um estilo bem próprio

com laivos de cantadeira experimentada até porque possui já um curriculum deveras apreciável especialmente no que respeita a  presenças frequentes em varias casas de fado (comenta-se até que na única do Bairro Alto lisboeta em que não actuou ainda foi na conceituada Severa ); curiosamente foi numa delas onde esteve 15 anos- O Forcado que foi convencida pelo dono da casa a gravar um primeiro album –“Os fados que trago” que ela afirma no entanto que, por circunstancias várias,  não conta para a sua carreira…

O novo disco, que inclui vários fados tradicionais bem como várias letras originais também, teve produção de Carlos Manuel Proença, que de disco para disco cada vez mais se afirma como um dos grandes produtores de fado em Portugal, para alem de ser um exímio executante do seu habitual instrumento – a viola.

Dando voz a sentimentos e vivências através das letras de gente como  Almeida Santos, Linda Leonardo, Fernando Farinha, Jorge Rosa, Artur Ribeiro ( que a diva Bia – Beatriz da Conceição- soube cantar como ninguém),  Nuno Miguel Guedes ou Rogério Bracinha, entre outros e concedendo uma espécie de segundo folego a belas melodias de Ferrer Trindade, Raul Ferrão, ti Alfredo Marceneiro, Fontes Rocha, Jaime Santos, etc. Maria Emília é de facto um nome a reter face às potencialidades vocais de que dá mostras e que certamente a irão catapultar num futuro próximo para um lugar risonho e de destaque no meio fadista nacional; ouça-se por exemplo a fantástica versão para fado que ela fez de uma canção/sucesso da dupla Nando Cordel /Dominguinhos popularizada entre nós na voz de Elba Ramalho – “De volta para o meu aconchego” e comprovem-se as suas excelsas e reais virtudes e intrínsecas capacidades!

Posto isto, há uma coisa importante a reter:- temos fadista e portanto muita atenção meus senhores -“Silencio, que vai cantar Maria Emília”!

CD Valentim de Carvalho

 

WARSAW VILLAGE BAND

Já tocaram um pouco por todo o Mundo inseridos na programação habitual dos mais importantes festivais e neles apresentaram como aposta uma música surpreendente que não deixou ninguém indiferente pois arrasava pela positiva e pela evidente surpresa que as suas características e sonoridades musicais causavam na assistência; originários de Varsóvia, Polónia, os Warsaw Village Band que “praticam” geralmente uma sonoridade de índole folclórica , pautada por elementos da musica polaca tradicional  aqui e ali também temperada e apimentada com vários elementos musicais de certo modo modernos, declaram-se contra a corrente, contra a cultura de massas e contra o conformismo latente utilizando para isso uma série de instrumentos antigos tais como a para nós desconhecida suka que temperam com extraordinárias e originais técnicas de canto, mais modernas que clássicas, praticando assim, ao mesmo tempo e segundo a sua própria definição, “uma música folk em permanente fusão com hardcore e com as nuances e ritmos bio-techno vigentes”.

Utilizando nas suas gravações e performances ao vivo instrumentos tão diversos quanto dispares tais como cymbals, tambores, suka, violinos, violoncelos, guimbarda e diversas percussões que caldeiram genialmente com vocalizações surpreendentes e magistrais os WVB apresentam-nos no duplo disco e seu sétimo “Sun celebration“  e sob a forma de uma verdadeira mas arriscada aventura musical, onde contam com as especiais participações de Mercedes Peon, Kayhan Kalhor e Ustad Liaquat Ali Khan, entre outros, uma plêiade de inspiradas canções, sui-generis, regadas por um certo  inconformismo, bem latente e perceptível, que é afinal de contas já apanágio da banda e representa uma espécie de cartão de visita de um colectivo que cada vez mais se afirma como uma das mais válidas e importantes manifestações culturais da actual Polónia musical!

2 CDs Karrot Kommando/Jaro/Megamúsica

 

80´s SYMPHONIC

Compilação que agrupa uma série de grandes sucessos da música pop e dançável dos anos 80 apresentada desta vez juntando aos temas originais uma sempre inovadora componente sinfónica o projecto “80´s Symphonic” junta num só disco nada menos de  15 super êxitos de gente incontornável  e de inquestionável êxito como David Bowie, Tina Turner, The Cars,  Pretenders, Simple Minds, Foreigner, Chris Rea ou Chicago possibilitando-se assim uma espécie de nova vida e sonoridade a sucessos como “Let´s dance”, “Drive”, “Alive and Kicking”, “What´s love got to do with it” ou “I want to know what love is” afinal de contas pedaços musicais, muitas das vezes inolvidáveis, da vida de cada um de nós, nos ainda bem lembrados anos 80 seja pela recordação de grandes amores ou de horas bem passadas em boites da moda na altura como o Stones, Ad-Lib, Primorosa de Alvalade ou Whispers ou em noites bem regadas ou temperadas por amores furtivos, muitas das vezes ocasionais mas que algumas das vezes originaram grandes paixões e algumas vezes acabaram até por desaguar em… belos casamentos!!!

CD Rhino/Warner Music

 

NEMANJA RADULOVIC

O mundo da música erudita agita-se de tempos a tempos com o aparecimento de valores inquestionavelmente sólidos, seja no capítulo vocal, seja no instrumental; agora  um grande executante de violino acaba de surgir, e em função de discos anteriores,  já aureolado por elogiosas referencias e por tais comentários da critica que o colocam já num lugar reservado e de destaque na galeria dos predestinados!

Trata-se do violinista sérvio Nemanja Radulovic que nos propõe no seu novo projecto uma inesquecível viagem musical através da musica erudita oriental; entre as propostas sugeridas no disco “Baika” o grande destaque vai para um novo arranjo, absolutamente impar e brilhante  do celebre “Scheherazade” de Rimsky-Korsakov e para um novo olhar sobre  o concerto para violino e orquestra de Khachaturian ambos de uma rara beleza estética e sonora  e cujo desempenho instrumental vem confirmar de facto Nemanja Radulovic como um virtuoso do violino, um instrumentista de uma eficácia e desenvoltura raras que deslumbra até os mais cépticos e exigentes, um executante de raros dotes, servido por uma sensibilidade acima da média e que facilmente galga barreiras sonoras com a mesma facilidade com que executa no seu violino as mais complexas e difíceis composições, um homem possuidor de uma técnica soberba e  de uma  delicadeza sem limites,  afinal de contas uma série de predicados que fazem deste musico sérvio um executante de proporções extratosféricas para o qual não existem limites nem fronteiras!

CD Deutsche Grammophon/Universal Music

 

GREGORY PORTER

Continua a surpreender e a ser uma das maiores sensações vocais do momento tanto mais que vai acumulando importantes galardões como os cobiçados  Grammies; começou a fazer-se notar em pequenos clubes de jazz de San Diego e pouco a pouco começou a trepar a escada do sucesso, calma mas seguramente, com a convicção e plena certeza de que aquele era o caminho certo para brilhar e alcançar o desejado estrelato.

Dono de uma voz de barítono potente, segura e eficazmente eloquente e de raros cambiantes Gregory Porter cedo se dedicou a trilhar os caminhos da soul music fazendo-me o seu percurso e tonalidades por vezes recordar o saudoso e mítico Donny Hathaway, injusta e ingloriamente desaparecido do nosso convívio no auge da sua carreira e logo após ter obtido um extraordinário sucesso com o álbum “Extentions of a man” e gravado ao vivo com uma das grandes deusas da musica negra Roberta Flack.

Agora com o projecto ao vivo “Live aty the Royal Albert Hall”, ( que inclui além do CD também um DVD com o registo do show) Gregory , possuidor de uma voz peculir em que sobressaem os seus dotes de excepcional barítono, deslumbra através duma mão cheia de interpretações absolutamente geniais com  realce para os temas que regravou da autoria do seu grande inspirador- Nat King Cole que certamente o vão projectar ainda mais como um cantor excepcional e um nóvel cantor de soul music, a tal fonte musical e sonora onde ainda hoje continua a saciar-se!

CD/DVD  Blue Note/Universal Music

 

MUSE

Ao  oitavo álbum, se dúvidas houvesse ainda, elas eram completamente dissipadas pois os multi-platinados britânicos Muse foram considerados por muita gente com responsabilidades nos media e pelos seus milhares de fans como a “maior banda pop do Mundo” e como gostos não se discutem e eleições ainda muito menos, quem sou eu para pensar em discordar ou imaginar sequer contrariar tal votação!

Com efeito a banda, que foi a primeira a esgotar a lotação do novo Estádio de Wembley, presenteia-nos em “Simulation theory” com um projecto de grande envergadura melódica e sonora onde onze canções, produzidas pela própria banda coadjuvada por vários produtores entre os quais  Timbaland, Regina Spektor , Shellback, etc.,  temas que podem ser considerados onze mágicos momentos musicais e que fazem assim justiça às considerações que sobre eles tem sido tecidas nos últimos tempos; inspirados compositores, grandes executantes,  primorosos  performers e acima de tudo respirando maturidade e virtuosismo os Muse estão, sem duvida alguma, no apogeu da sua carreira, no êxtase de um percurso de grande eloquência sonora que percorreram lenta, mas firmemente a pulso, muitas vezes lutando contra ventos e marés , numa epopeia musical em que emergem como grandes vencedores.

Sendo possivelmente o melhor trabalho da sua carreira, o novo disco, em cuja edição de luxo se encontram como extras nada menos de cinco composições a mais, consagra em definitivo a banda que com eloquência, sensibilidade e criatividade soube pintalgar a sua musica com raros condimentos  sonoros e rítmicos extraídos especialmente da música de raiz clássica, da  electrónica e do rock alternativo preparando para os seus fans um verdadeiro manjar musical que afinal de contas os tem lautamente alimentado ao longo dos últimos anos!

CD Warner Bros/Warner Music

 

MARY QUEEN OF SCOTS

Aí está o compositor Max Richter no melhor da sua forma e inspiração assinando a banda sonora da película de grande sucesso “Mary Queen of Scots” , galardoada com vários prémios numa série de festivais e depois candidata em duas categorias aos Óscares de Holywood de 2019; com uma luxuosa partitura orquestral que conquista no imediato os mais exigentes cinéfilos e os fieis coleccionadores de bandas sonoras o CD com os temas musicais do filme retrata fielmente, através das composições e do som, toda a intensidade e emoção da turbulenta historia da carismática  Mary Stuart, rainha de França aos 16 anos, viúva logo de seguida aos 18 e que após este desenlace regressa à sua Escócia natal para reclamar o trono, legítimo,  ameaçando assim dessa maneira a soberania de Elizabeth…

Brilhante e  sumptuosa em termos de sonoridade e de composição é uma das melhores obras escritas para cinema pelo grande Max Richter que aqui se supera atingindo momentos de verdadeira genialidade!

CD Deutsche Grammophone/Universal Music

 

GARY CLARK JR.

Vencedor de um Grammy, cantor e  virtuoso guitarrista e compositor, Gary Clark Jr, uma das maiores figuras do blues/rock contemporâneo, canaliza agora no seu novo projecto discográfico todas as suas potencialidades e as influencias da musica negra, de que sempre se mostrou adepto, para outros patamares tão diversos tais como  o rock, o jazz, os blues, o hip-hop e até o reggae ou mesmo o punk ,sem no entanto fechar a janela à sua grande paixão –a soul, antes deixando-a ligeiramente entreaberta, e propõe-nos “This land”, um disco eclético, arrojado e ambicioso composto por 16 composições, mais duas extras como bónus tracks , onde demonstra todas as suas capacidades e potencialidades e se transcende a si próprio numa verdadeira declaração de intenções, transcendental e musicalmente rica que acaba por resultar num grande disco, recheado de inspiradas canções, esteticamente perfeitas e assumidamente introspectivas.

CD Warner Bros/Warner Music