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Escolhas do João Afonso Almeida

Ainda em período de covid 19 e de confinamentos e numa altura em que as discussões sobre vacinas, vacinações, seus efeitos e até possíveis danos colaterais, continuam a gerar grande controvérsia e discussão intra e extra muros, dividindo-se as opiniões sobre quem aceita ser vacinado e quem nem por sombras se sujeitará a levar as duas ditas “picas”,  a cultura portuguesa foi mais uma vez, infelizmente sem surpresa, ultrajada e vilipendiada, quando a RTP, nacionalizada, nossa e portanto paga pelo bolso dos portugueses de boas contas, empresa estatal a quem compete defender aquilo que é genuinamente nosso, levou a cabo a habitual selecção para eleger uma canção que nos possa representar no próximo festival da Eurovisão bem como o seu respectivo interprete.

Porém, sem cuidar de defender a nossa língua pátria e consequentemente a nossa cultura, a mesma entidade televisiva ao invés de ter, conscientemente um regulamento que não permita que se concorra ao celebre evento musical internacional sem ser na língua de Camões, vai daí, e perante a estupefacção geral elegeu, ou deixou eleger, uma cantiga na língua de…Shakespeare!

Isto é um acto de bradar aos céus e  até mesmo aos… infernos!

Como se pretende, que aquilo que temos de mais importante na nossa cultura que é a nossa língua mãe, seja defendida e propagada aos quatro ventos, especialmente em termos internacionais, como é por exemplo o caso do Fado, se afinal, conscientemente, se pactua com uma afronta destas, com este verdadeiro ultraje, que acaba afinal por constituir ao mesmo tempo um verdadeiro crime de lesa cultura portuguesa?

Então e as entidades competentes não se pronunciam sobre isto ?

E o governo vigente não se pronuncia, não diz nada e continua mudo e calado a assobiar para o lado?

E perante este verdadeiro ultraje o Primeiro-ministro, continua calado, sem se manifestar, impávido e sereno?

E o Presidente  da Republica quase sempre tão activo e tão rápido em atribuir medalhas e pactuar com selfies e outras modernices que tais, não se manifesta e deixa tudo correr ao sabor dos ventos e da aragem?

E o Ministério da Cultura como permite uma pouca vergonha como esta?

E os “media” nacionais sempre tão apressados e “atentos”em geralmente só considerarem bom o que vem de fora, não se pronunciam?

De que estão todos à espera para acabar com esta pouca vergonha que faz certamente chorar até as pedras da calçada ( à portuguesa, claro!) ?

Não me venham dizer que em inglês a canção é melhor entendida lá por fora e pelos júris de cada País, pois muitas das televisões concorrentes até em geladas e estranhíssimas línguas nórdicas ou até em catalão já apresentaram a competição algumas das suas respectivas canções…

Será que cá pela terrinha de D. Amália Rodrigues estão todos surdos?

Perante isto, imagine-se só quantas voltas na tumba devem dar D. Afonso Henriques, Camões, Pessoa, José Afonso, Pedro Homem de Melo, Mário Viegas, Camilo Castelo Branco, Miguel Torga, Ary dos Santos, Florbela Espanca e outras muitas insignes figuras mais da cultura nacional…

Recordem-se que  até o cantautor espanhol Patxi Andion fazia questão, em algumas das entrevistas que ao longo dos anos concedeu entre nós, de se expressar em… português!!!

Posto isto, tenham lá vergonha na cara os vários (ir)responsáveis por esta infeliz, inapropriada e triste, mas histórica, selecção festivaleira !!!

 

MÚSICAS – ESCOLHAS

 

ZECA MEDEIROS

“A dúvida soberana” uma obra-prima

 

Desde há muitos anos que as belas ilhas do arquipélago dos Açores são, para além de um verdadeiro paraíso e um inacreditável deslumbramento paisagístico, um enorme viveiro musical, explicado pela existência de um grande caudal artístico, traduzido num crescente número de artistas e de grupos e por um espólio musical extenso e de altíssima qualidade, no que toca especialmente à área da música popular portuguesa e tradicional; quem não recorda por exemplo populares canções que desde há muitos anos fazem parte do espólio musical português e do nosso imaginário musical tais como “São Macaio”, “ A fofa”, “Eu fui à terra do bravo”, “Cantiga da terra”, “A charamba”, “Olhos pretos”, “Tempo de partir”, “Sapateia”, “Lira”, “Chamateia”, “O bailado da garça”, “Baleeiro”, “Pézinho”, “Chamarrita”, “O cantador” ou “ Hino do divino Espírito Santo” e uma série de artistas a solo ou colectivos como Zeca Medeiros, Carlos Alberto Moniz, Rimanço, Suzana Coelho, Fernando Machado Soares, Belaurora, Minela, Vera Quintanilha, Luís Bettencourt ou o irmão deste Nuno Bettencourt, que desde há muitos anos é parte integrante dos bem sucedidos Extreme, sediados nos EUA?

É na verdade um grande e quase infindável desfile de canções e de artistas, alguns já de certa nomeada, com que os Açores tem sobremaneira prestigiado a nossa música de texto e que vem comprovar não só uma grande vitalidade musical, mas também uma grande diversidade e pluralidade artística, aspectos que sem dúvida vão ajudando a enriquecer cada vez mais, e gradualmente, a nossa, por vezes esquecida, mas sempre  bem amada, música popular portuguesa…

Pois, este mesmo filão musical de origem açoriana é agora de novo notícia pela edição de um novel projecto autoral da responsabilidade de Zeca Medeiros, obra não só absolutamente singular, mas também pedra fundamental no combate contra um certo marasmo instalado e, convenhamos que  também, alguma falta de criatividade que tem invadido a nossa querida MPP, especialmente nos últimos tempos, em parte derivado não só da maldita pandemia que a todos assolou um pouco por todo o Globo, mas também, e acima de tudo, por uma certa falta de apoios e de compromissos editoriais por parte das companhias multinacionais sediadas entre nós, que à música popular e de texto quase nada tem na realidade ligado nos últimos anos, em detrimento de obras menores em língua estrangeira que cada vez mais vão tóxicamente poluindo o nosso ambiente radiofónico, televisivo e jornalístico; daí a proliferação das edições de autor, em que os seus mentores custeiam todos os gastos, limitando-se as chamadas majors a aproveitar o talento e trabalho alheios, ficando-se somente distribuir o produto, quase nada arriscando, isto monetariamente falando, é claro!

Com efeito, e depois de há meia dúzia de anos atrás ter editado o fabuloso trabalho “Aprendiz de feiticeiro”, o cantautor açoriano, também conhecido e conceituado realizador de cinema (O livreiro de Santiago, etc.) e de televisão (Mau tempo no canal, Gente feliz com lágrimas, Xailes negros, etc.), começou, ainda antes do inicio da  pandemia, a trabalhar em profundidade com tempo, dedicação, amor e sem dúvida muita inspiração, recuperando antigas canções, preparando, escrevendo e  gravando uma nova obra discográfica, terminada já depois em plena pandemia, que sem dúvida, e em face da sua altíssima qualidade, quer temática, quer sonora, quer mesmo instrumental vai por isso mesmo acabar por ficar para os anais da música popular portuguesa:- “A dúvida soberana” (CD +DVD).

Trata-se de  um projecto quase conceptual, onde o artista micaelense surge, na plenitude das suas reconhecidas qualidades de compositor, intérprete e instrumentista, rodeado de uma série de grandes instrumentistas como Davide Zaccaria, Luís Bettencourt, Carlos Guerreiro, Ricardo Parreira, Manuel Rocha, Miguel Quitério e Paulo Vicente, entre outros e de um excelente naipe de vozes, já de gabarito, tais como João Afonso, Katia Guerreiro, Filipa Pais, Maria Anadon, Marta Rocha Pereira, etc.

Abordando, profunda e profusamente a temática das viagens e navegações marítimas (até na composição de abertura do disco se celebra o “achamento” da Ilha de Sta. Maria) o autor fala-nos aqui de barcos e marinheiros, sonhos e inquietações, mistérios, aventuras e desventuras, mulheres cobertas de xailes negros, maresias, ondas alterosas e acalmias, náufragos e escravos, destinos atlânticos, arpões e baleeiros, relembra um velho livreiro (um açoriano emigrante que acabou por se tornar no  primeiro editor do gigante Pablo Neruda (vide o filme ”O livreiro de Santiago”), fala de rituais de sangue, ousadias e bravuras, prantos derramados à flor do mar e também à flor da terra, Ulisses, Itaca e bailados insulanos, sonhos sem rumos, brumas, latitudes, danças das ondas e de marés, ilusórias mas atractivas sereias, atlantes e utopias, carregadas trevas, bailados, âncoras de esperança e ilusão, enfim histórias reais e imaginárias de gente feliz com e sem lágrimas (aqui se relembra o meu querido amigo e escritor micaelense João de Melo) e de açorianos com destino traçado ou indefinido, na esperança adiada de um fado por descobrir, e quem sabe, até por desvendar, qual viajante da utopia em madrugadas de sal e de ilusões ou qual náufrago num circulo fechado rodeado de amazonas, feiticeiras, encantadores de serpentes, bruxos e profetas, à procura de uma imaginária roda da fortuna, e no entanto sentindo-se perdido em sobressaltos, quimeras,  ilusões e inquietações sem fim e, apesar dum grão na asa, sempre eternamente confiante numa possível redenção que lhe há-de ser outorgada  sob a bandeira do Divino, que no final há-de levá-lo de novo de regresso a casa, de volta ao aconchego, esperando assim que a volta da maré lhe permita fintar de novo a tristeza no relvado da sorte e na certeza de se ver de novo em jogos viciados, sob a luz de uma trémula candeia,  a ganhar aos matraquilhos, à bisca e ao dominó, sempre ao abrigo do sonho utópico de uma nova Grândola vila-morena e de uma doce fraternidade que lhe permitam um final feliz ao compasso de um coração inquieto, que no entanto o ajudará a vencer as muitas marés de uma certa e labiríntica assombração…

Está assim, portanto, de regresso, um notável artífice da palavra, um retratista de viagens marítimas e um peregrino de aventuras e grandes emoções, que  mais uma vez surpreende pela sua extraordinária veia criativa e pela excelência das suas propostas, ao mesmo tempo que se transforma de novo num romeiro de aventuras terrenas, marítimas e atlantes e, acima de tudo, num carismático e bem sucedido alquimista  da música popular portuguesa; um homem que nunca tendo tido necessidade de se colocar em bicos de pés para dar a conhecer o altíssimo nível da sua obra quer discográfica, quer cinematográfica, e que efectivamente tem sido, com muito raras excepções, pouco menos que injustamente ignorado pelos media nacionais que, apesar de tudo e tardiamente, ainda vão agora a tempo de reconhecer a altíssima qualidade e beleza do presente trabalho deste artesão musical açoriano, tranquilo e  injustiçado, a quem agora e perante a evidência desta obra, terão obrigatoriamente de pedir desculpas não só pelo crime de lesa cultura musical que desde há alguns anos a esta parte vêm praticando, mas especialmente por todo o ostracismo a que o têm votado, factos que os tornam cultural e  criminosamente culpados!!!

Este novo trabalho é um verdadeiro bordado musical, tecido artesanalmente sob as sonoridades da música popular portuguesa e recheado com sons de fado, laivos de música celta, ares sonoros de Buenos Aires e de Astor Piazolla e acima de tudo impregnado com perfumes musicais  e sonoros absolutamente soberbos e embriagadores, qual sublime aroma emanado das diversas ilhas pelos milhões de multi-coloridas hortênsias floridas, que no período compreendido entre Fevereiro e Maio de cada ano, alegram de modo quase orgasmico e para comum deleite, os nossos sentidos olfactivos, bem como os apurados narizes  de locais, turistas e dos incorrigíveis amantes da fotografia, que por lá sempre pululam como abelhas voando e zumbindo em volta do néctar das flores…

Contendo 14 canções discograficamente inéditas no CD e 24 videos, alguns de algumas composições agora revisitadas e outras talvez já esquecidas, bem como alguns inéditos, a obra  é luxuosamente apresentada com um libretto de 120 paginas, onde as ilustrações, de certo modo surpreendentes, sugestivas e apelativas são da autoria do próprio Zeca Medeiros, um trabalho que contém várias histórias centradas nas ilhas açorianas e especialmente no historial marítimo do belo arquipélago, no sofrimento, aventura, vida e descobertas das gentes locais; o projecto, recheado de grande sensibilidade poética, musical e sonora, é simultaneamente, um verdadeiro manancial de inspiração, de vitalidade e de grandes epopeias, de histórias de viajeiros e de marinheiros, mas acima de tudo é um livro aberto sobre as diversas ilhas, sobre aventuras e desventuras marítimas, não deixando no entanto de falar também, indelevelmente, sobre o amor.

Um disco brilhante, com uma grande produção de Tiago  Rosas (Palco de ilusões) que acaba por constituir-se ao mesmo tempo como um manancial de belas e inspiradas canções, que no seu âmago e na sua intrínseca qualidade, transformam ao mesmo tempo este notável projecto num verdadeiro acto de revolta, qual grito do Ipiranga dado à beira-mar de uma qualquer ilha, clamando por reconhecimento geral dos habitualmente “surdos” media nacionais; e se até agora era legítimo e habitual tomar-se como medida de comparação em termos de “o melhor disco da MPP” o notável  “Por este rio acima”, a partir de agora essa medida de comparação terá  forçosamente de mudar e ser transferida para esta obra-prima do cantautor micaelense (já  anteriormente agraciado com galardões como o “Prémio José Afonso” em 2005 para o disco “Torna-viagem”), pois este A dúvida soberana” é  simplesmente o melhor trabalho de sempre da nossa música popular portuguesa!!!

 

CD/DVD Tradisom

 

20th CENTURY MASTERWORKS

históricos de colecção!

Há uma editora musical sediada em Barcelona, e com escritório permanente entre nós também, e onde pontifica a linda Carla Aranha, que de vez em quando gosta de surpreender todos os seus habituais seguidores, que aliás funcionam simultaneamente também como leais consumidores, com lançamentos especiais de obras de grande qualidade, alguns deles já anteriormente considerados pela critica como obras-primas e virados quase sempre para a área da grande música negra, em especial o jazz e os blues e para a MBP(música popular brasileira)  em termos de material mais antigo, editora essa que de facto tem dado cartas em termos de licenciamento, para posterior edição  própria e se tem também especializado na recuperação de obras esgotadas no mercado ou mesmo descatalogadas  há bastante tempo, isto numa altura em que as grandes editoras, as apelidadas de majors, já quase esqueceram ou não ligam muito ao seu riquíssimo back catalogue, que para eles funciona assim a modos que um imenso e silencioso arquivo ou um mero espólio, do qual, de tempos a tempos, lançam mão para algumas, poucas, eventuais edições, que quase sempre servem como que para marcar o ponto, para comemorar datas de aniversários de uma  primeira edição ou fazer periódicas campanhas que mais não servem senão para aumentar convenientemente as respectivas facturações mensais…

Falo concretamente da Distrijazz, empresa que tem sistematicamente, e a muito bom ritmo, lançado uma vasta selecção de soberbos discos, obras sobre as quais me tenho periodicamente, e, reconheço que com grande satisfação, debruçado aqui no espaço das minhas escolhas.

Agora, mais uma vez tenho de noticiar e salientar a excelência de uma série de discos de jazz que a mesma editora acaba de lançar no mercado ibérico e que constituem verdadeiras obras-primas de algumas das mais míticas figuras da mesma área, tais como efectivamente devem considerar-se vários geniais artistas como Miles Davis (Kind of blue), Billie Holiday (Lady in satin), Nina Simone (Forbidden fruit), Chet Baker (Sings), Nat King Cole (After midnight), Dave Brubeck (Time out), Django Reinhardt (Best of) ou Art Blakey com os seus famosos Jazz Messengers (Moanin´); por fim, e completando o brilhante ramalhete, saliento ainda mais cinco obras que incluem no mesmo projecto, seleccionado reportório de dois diferentes artistas, embora aqui actuando na mesma formação na altura, tal como sucedeu com a dupla Cannonball Adderley/Miles Davis (Something else ), com “ Louis Armstrong  meets Óscar Peterson”, com “Stan Getz meets Óscar Peterson”, com “Sarah Vaughan & Clifford Brown” e com a dupla de geniais saxofonistas “Cannonball Adderley & John  Coltrane”, (Quintet live in Chicago); todos estes magníficos discos, que mais uma vez vivamente recomendo, surgem  em edição totalmente remasterizada, incluindo também um novo e atraente booklet de 20 páginas onde os dados biográficos surgem devidamente  actualizados.

Uma mão cheia de discos que são peças musicais de enorme importância musical e histórica, algumas  delas verdadeiros retratos sonoros de grandes e épicos momentos, constituindo-se por isso mesmo também como alguns momentos únicos e discograficamente históricos da história da grande musica negra mundial!

CDs 20 century masterworks/Distrijaz

 

HOMENS DO SUL – surpreendentes

Apesar do confinamento e da crise que na música e seus derivados directos se instalou nos últimos meses, a música popular portuguesa continua de boa saúde e…recomenda-se; vejam-se por exemplo os últimos belos trabalhos publicados pelos Maré Nostrum, Carlos Alberto Moniz, Sérgio Godinho, El Sur ou por Pedro Barroso, sobre os quais aqui me debrucei há tempos atrás em termos de texto e também agora, nesta “edição” das escolhas, sobre o mais recente e arrebatador projecto do cantautor e realizador de cinema e televisão açoriano Zeca Medeiros – “ A dúvida soberana”, onde nele se reafirma mais uma vez como um genial compositor e interprete e juntando tudo isto confirme-se como a MPP afinal de contas e contra a opinião (bem pouco credível, convenhamos) de alguns detractores, dos maldizentes de profissão e até dos pseudo críticos habituais, aqueles que levianamente afirmam que sabem tudo e são os detentores da verdade suprema e absoluta, a MPP dizia eu, está bem viva e afinal de contas, contra ventos e marés, contra tudo e contra todos e até de poderes instituídos, jornais ( os subsdiados ou não) e televisões, em especial a RTP, a tal que é paga quase  principescamente pelo erário público, afirma-se em evidente grande forma!

Agora, de repente, muito de mansinho, acaba de me chegar às mãos, mais um exemplar e surpreendente trabalho, também no domínio da nossa MPP- “Crónicas da flor da laranjeira”,  proposta editorial originária de um novo colectivo musical- Homens do Sul, que para alem de outros integrantes no capitulo da instrumentação, contempla no seu seio também as vozes  dos dois responsáveis pelo projecto, cantores já com bastas provas dadas e de grande reputação artística e popularidade- Vitorino Salomé e Zé Francisco, sendo o primeiro o famoso interprete de hits como “Leitaria Garrett” ou “Menina estás à janela” e  antigo companheiro de lides musicais e politicas de gente como entre outros os saudosos Adriano Correia de Oliveira ou Zeca Afonso ou artistas como Fausto, Janita Salomé ou Sérgio Godinho, entre outros e o segundo, é o líder dos Flor do Sal e dos atrás já referidos Maré Nostrum, um conceituado cantautor algarvio que também, aqui e agora, se aventura assim num novíssimo projecto popular em colaboração com o conhecido artista alentejano do Redondo.

Este novel dueto nasceu como consequência lógica de uma amizade de longa data, para além é evidente de uma grande cumplicidade musical e temática que vem já também de há anos atrás quando na década de 90 o mesmo Zé Francisco foi chamado para actuar como convidado num concerto em Silves e depois noutras cidades algarvias com os Lua Extravagante, que era na altura o grupo onde se movimentava Vitorino; foi o início de uma colaboração extremamente frutuosa que haveria de se repetir em 2018 quando actuaram como dueto em auditórios e outras salas do Algarve e essa mesma acção foi o ponto de partida para que no ano seguinte avançasse a todo o vapor o projecto que agora viu a luz do dia e a posterior consequente gravação de um mini-CD com seis temas, onde interpretam não só duas canções da própria autoria de cada um, mas também quatro adaptações de algumas modas populares que falam do mar e de romances da serra algarvia, afinal áreas onde os dois estão como peixes na água!

A grande sintonia e afinidades quer temáticas, quer vocais e musicais entre os dois “compadres” são por demais evidentes e cada um à sua maneira dá um especial brilho às cantigas  que falam das gentes da planície, da faina do mar, de nostalgia e  claro de romances e do amor, afinal o sentimento que geralmente faz mover montanhas, vontades e decisões; para alem disso nesta sua viagem musical espraiam os seus recados através de memórias, contos e sítios num trabalho de grande densidade e forte identidade, que na linha da verdadeira tradição oral portuguesa sabe a interioridade, a gente simples, costumes e até a…bailaricos.

Um trabalho notável, de extremo bom gosto, que beneficiou de uma cuidada produção e de uma excelente cama musical proporcionada pela presença de uma série de bons instrumentistas, que, acima de tudo, traz à evidencia a grande riqueza da nossa musica popular e tradicional e serve também para que todos possamos matar saudades ( que já eram muitas) das grandes vozes destes dois interpretes de excepção que tanta falta tem feito à MPP.

E como este trabalho (mas que bela capa e cuidada apresentação!) é uma autêntica comemoração da música popular portuguesa, vamos lá então brindar condignamente com o lançamento de uma molhada de foguetes, ao som de uma banda filarmónica e, claro, regada com uns copos de bom tinto (ou branco), um naco de toucinho, pão saloio e azeitonas, à moda portanto das nossas bravas gentes alentejanas e algarvias!

E uma vez que, como tem infelizmente sido habitual nos últimos anos, as companhias majors de discos sediadas entre nós e com grandes e lógicas responsabilidades musicais e culturais  parece já não ligarem a ponta de um corno a este género de musica, especialmente aos que são em língua portuguesa, daqui vai um grande abraço para o “guerreiro” Alain Vachier,  que mais uma vez, a expensas suas, continua a apostar na edição de discos dos artistas que representa para espectáculos, qual autentico D. Quixote de la Mancha a lutar contra os moínhos de vento! Ah! Grande Alain!

Obrigado pela teimosia, pela luta pela perseverança, pela grande resiliencia e pelas tuas apostas editoriais; podes crer que o publico português e a música portuguesa popular e tradicional te agradecem…

CD Alain Vachier

 

TONY BENNETT /COUNT BASIE

edição histórica

A grande orquestra de Count Basie dá o mote e fornece a cama musical ideal para fazer brilhar de modo intensivo a extraordinária voz do meu antigo artista na CBS e na Sony Music e  também querido amigo Tony Bennett, um interprete que até o mítico Frank Sinatra chegou mesmo a considerar o maior cantor do Mundo; assim, num projecto gravado em Nova Iorque no já longínquo ano de 1958 e intitulado genericamente “Swingin´together”, o “crooner” norte-americano canta alguns dos seus mais famosos e intemporais sucessos tais como “Chicago”, “I left my heart in S. Francisco”( sem duvida o cartão de visita de toda a sua vida artística), “Ol´man river”, “When I fall in love”, “Lullaby on Broadway”, “Life is a song” ou “The way you look tonight”, qualquer um deles peça integrante e importante do jazz vocal internacional de que Bennett é sem dúvida o maior expoente masculino ( ainda) vivo!

Grande amante de pintura, dos pinceis e dos guaches, reputado e consagrado pintor mundialmente bem sucedido, aqui sob o nome de Anthony Benedetto, afinal o seu verdadeiro nome, o cantor norte-americano, fã de Portugal, dos vinhos e da comida portuguesa ( tive a suprema honra de partilhar com ele momentos verdadeiramente inolvidaveis numa das varandas de uma suite do antigo Hotel Estoril Sol, quando ele lá pintou um quadro belíssimo sobre a baía de Cascais, que acabou por imortalizar num dos seus livros de pintura e  a mesa em vários almoços e jantares nas diversas vezes que nos visitou para actuar, quer no Casino do Estoril, quer em outras salas de concertos) e amante da cerâmica portuguesa que o seduzia sobremaneira e que sempre que cá vinha adquiria em grandes doses, é acima de tudo uma pessoa de contacto fácil e de grande sensibilidade, um artista simpático, conversador e acima de tudo um personagem extremamente humilde, isto apesar de se estar em presença da maior voz masculina do mundo do showbusiness!

Neste  seu disco onde canta nada menos de 26 composições, totalizando  uma hora e dez minutos de duração, surgem também dois “bonus tracks” e ainda, comparativamente com a edição original, nada menos de mais onze composições extras, facto que vem valorizar imenso a presente edição, classificada pela conceituada revista de jazz Down beat com nada menos de 5 estrelas ( num máximo possível de 5) e consagrá-la como um apetecível objecto de colecção, isto para além de ainda incluir um renovado booklet contendo 20 páginas com imensa e actualizada literatura, fotos, etc.

CD 20th Century masterworks/Distrijazz

 

LUIS BONFÁ – imortal da bossa nova

É um dos nomes mais conceituados do movimento musical  conhecido por bossa nova, mas infelizmente um dos interpretes menos divulgados entre nós , especialmente junto do grande publico, razão pela qual o recente lançamento de um projecto que agrupa dois dos seus belíssimos trabalhos a solo – “Plays and sings bossa nova” e “The gentle rain” é motivo de festa pois para além de cada um dos discos há muito se encontrar descatalogado,  esta actual junção dos dois trabalhos é também inédita e por isso mesmo rara e invulgar.

C0mpositor emérito e artista virtuoso, quer como executante de guitarra, quer como interprete de grandes méritos, as composições de Luis Bonfá (1922-2001) que figuram no  projecto tais como os exitos  “Manhã de Carnaval”, “O ganso”, “Quebra mar“,” Ilha de coral” ou “Chora tua tristeza”, merecem bem uma atenta escuta tanto mais que representam algumas das mais belas canções no domínio da MPB, composições que lhe permitiram a conquista sistemática de discos de ouro e platina bem como uma numerosa quantidade de outros galardões e prémios, entre os quais figura um Grammy, havendo ainda a salientar também que

“Almost in love”, composição de sua autoria foi a única musica brasileira gravada pelo “rei” Elvis Presley e que o seu disco “Jacarandá”, gravado nos EUA teve produção do grande Eumir Deodato, conceituado autor e interprete e  prolifero produtor, uma grande personalidade musical, extremamente selectiva e exigente nos trabalhos que aceitava, o que por si só diz bem da grande qualidade de que se revestiam as composições de Luis Bonfá um reconhecido autor que teve em Frank Sinatra, Elvis Presley, Sarah Vaughan, Julio Iglesias, Diana Krall, George Benson, Tony Bennett ou Luciano Pavarotti os interpretes ideais para projectar vocal e mundialmente as suas músicas, o seu talento e a sua grande e indesmentivel qualidade criativa; posto isto de que estão os leitores à espera para correr a ouvir  um compositor de incrível talento e  uma extraordinária personalidade musical que dá pelo nome de Luis Bonfá?

Vão ver que vai valer bem a pena a audição!

CD Aquarela do Brasil/Distrijazz

 

DEXTER GORDON – a magia do saxofone

Falar-se do jazzman Deter Gordon (1923-1990) é sinónimo de se falar de um dos maiores saxofonistas de toda a história do jazz mundial, um instrumentista que apesar do seu desaparecimento continua ainda a influenciar toda uma pleiade de novos músicos, já para não se falar de todos aqueles que  foram por ele influenciados na altura, quando  ainda era vivo e destilava genialidade por todos os poros…

Com efeito, Dexter era um musico absolutamente impar e genial, dotado de um virtuosismo quase estonteante, que deslumbrava tudo e todos com a altíssima qualidade da sua música e pelo desempenho exemplar e único com que sacava notas e divinais sonoridades de qualquer um dos seus dois saxofones –tenor e soprano, instrumentos que ele dominava com prazer e paixão, afinal as duas grandes condicionantes para se ser um exemplar instrumentista como ele na realidade sempre foi; ficaram para a história alguns dos seus mais icónicos solos onde expunha toda a sua arte e virtuosismo, predicados que transformaram alguns dos seus discos em obras verdadeiramente históricas e de grande significado musical , jazzisticamente falando.

Pois este excepcional executante foi recentemente noticia quando através da Elemental music se descobriu, uma até aí desconhecida gravação com origem num fantástico concerto ocorrido num habitual festival de jazz de uma cidade francesa do sul no já longínquo ano de 1978 e no qual Dexter surge acompanhado de um trio de eleição constituido por Eddie Gladden, na bateria, George Cables, nas teclas e  Rufus Reid, no baixo,  para além claro do proprio Gordon nos dois saxofones; uma fantástica performance com o saxofonista no melhor da sua forma musical, tocando segura e divinalmente, soberbamente acompanhado pelo referido trio de notáveis musicos no Festival de Jazz de Châteauvallon, em França, a 8 de Novembro de 1978.

Uma gravação inédita e até agora desconhecida dos seus admiradores e do publico em geral, cuja recente edição recebeu ilustres contributos pois inclui um libretto de 16 paginas com fotos raras e textos actualizados especialmente concebidos e preparados por gente famosa da critica especializada e dos meandros do jazz como são sem dúvida o produtor de jazz Michael Cuscuna e o critico do Penguin guide to Jazz – Brian Morton; a acrescentar a estes dois nomes registe-se ainda  a colaboração em termos de texto e opinião da viúva do músico – Maxine Gordon.

O duplo disco, recheado de soberbas interpretações, cuja duração total é de cerca de duas horas e tem uma edição limitada a milhar e meio de exemplares e segundo alguns entendidos alcança mesmo o top dos melhores discos do músico, devendo situar-se provavelmente entre os seus cinco melhores trabalhos…

Perante isto chega-se à conclusão que Dexter Gordon, o imortal músico e actor na película “Round midnight”, filme através do qual foi candidato ao “oscar” de melhor actor pela sua magistral interpretação e também o inesquecível rei do bebop continua vivo, quanto mais não seja pelas belas lembranças que todos certamente recordamos dos seus magnificos concertos e também pela sua magistral obra, toda ela disponível  em disco!       

2CDs  Elemental music/Distrijazz

 

DUARTE – percurso notável

Tem seguido na sua vida artistica um caminho único e singular e faz mesmo questão ele mesmo de traçar o seu próprio percurso, fora de modas e de ditames com a consciencia tranquila quanto ao rumo traçado e ao que efectivamente pretende e se calhar por isso mesmo, até por andar, conscientemente, um pouco longe das luzes da ribalta, o fadista Duarte, apesar do seu crescente amadurecimento e notória progressão, não atingiu ainda a popularidade e o reconhecimento que , nesta altura do campeonato, já amplamente merecia junto do grande público, fama que algumas outras vozes masculinas com bem menos predicados, valor e e até mesmo capacidades, já conseguiram angariar, se bem que muitos deles à custa do inevitavel e incontrolavel  marketing.

Tranquilo, sereno, extremamente discreto e acima de tudo dono de uma grande  autênticidade, o fadista tem agora um novo projecto no mercado nacional  intitulado “No lugar dela”, onde como o proprio titulo deixa antever, assume nos seus textos  o lugar de várias mulheres, cada uma a seu tempo, colocando-se em termos literários no lugar dela(s), assumindo escolher, com uma certa dose de risco, caminhos, rotas e percursos de vida e assumindo toda uma problemática inerente ao sexo feminino, ao seu modus vivendi , relacionamentos amorosos, sentimentos, problemas intimos e emoções, contando de um modo muito pessoal diversas histórias e situações e desenhando ao mesmo tempo um universo delicado e vivencial, que afinal de contas acaba por ser o retrato fiel do dia-a-dia da generalidade delas, podendo até mais simplesmente resumir-se o disco como um roteiro em que se contam histórias com principio, meio e fim, histórias e peripécias essas que acabam afinal por se constituir em verdadeiras fotografias e flashes do quotidiano  feminino na actualidade…

O fadista beneficiou no inicio das operações para a elaboração deste disco da colaboração, em trabalho de pré-produção, do saudoso José Mário Branco que infelizmente acabaria por falecer repentinamente  poucos meses depois, e que curiosamente e em face do material que ouvira e já tinha começado a burilar, disse que haveria que ter em atenção que não se poderiam enganar as pessoas dizendo que se tratava de  um disco de fado, porque este efectivamente não iria sê-lo até porque na realidade só lá estariam  três fados própriamente ditos, mas seria isso sim um novo disco com um fadista a cantá-lo…

O resultado final é brilhante e apesar de, como dizia  o Zé Mário, não se tratar de um mero disco de fado, é no entanto, por outro lado, um manancial de grandes canções, servidas pela excelente voz do “fadista” que mesmo nos temas fora do seu habitual contexto fadista nos deslumbra e faz crescer água na boca para futuras aventuras canoras que venha a querer protagonizar; há ainda que referir também, que para além da belíssima voz de Duarte, da sua extensão vocal, pessoais capacidades  e maneira bem peculiar de interpretar, entoação, expressividade e da sua arreigada portugalidade, bem expressa no modo como entoa o português com extrema segurança e uma perfeita dicção, o disco (com uma grande apresentação gráfica onde não falta até um excelente libretto de muitas páginas, onde figura um belo  texto de apresentação da autoria de Teresa Muge) regista o crescimento gradual do artista na area da composição literária pois arrisca assinar aqui nada menos de nove de uma totalidade de onze composições, sendo as restantes, uma da autoria de Alvaro Duarte Simões e a que encerra o trabalho, uma versão muito bem conseguida de um tema popular português de nitida conotação alentejana…

Uma palavra final para nova leitura do célèbre tema “Algemas” já popularisado pela diva Amália, referencia pessoal do artista, e  que pela primeira é cantada pelo fadista e para a elaborada e bem conseguida cama instrumental e sonora das onze composições do disco, para as quais sem duvida muito contribuiram as presenças de um trio de fado e de um quarteto de cordas clássico, que em conjunto conseguiram uma base melódica de grande qualidade e intensidade que faz evidenciar mais e brilhar a grande altura a carismática e singular voz de Duarte, um cada vez mais expressivo cantor que com este trabalho se arrisca a ter assinado o melhor trabalho musical masculino deste estranho ano de pandemia e de confinamento!

CD Alain Vachier music editions

 

ARIANNA SAVALL – a arte da harpa

É usual dizer-se que “quem sai aos seus não degenera” e esta célèbre frase do domínio popular português é bem verdade, especialmente no caso da harpista catalã, embora nascida na Suiça, Arianna Saval, pois a sua filiação fala por sí:- é filha da saudosa artista e multi-instrumentista catalã Montserrat  Figueras, infelizmente já desaparecida do nosso convivio há poucos anos atrás e do brilhante musico Jordi Savall, um dos  maiores instrumentistas da viola de gamba, artista assíduo e habitual convidado, na programação anual da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa .

Depois de durante uma série de anos ter militado no seio do grupo fundado e liderado por seu pai- Hesperion XXI, em 2008 deu, como costuma dizer-se, o “grito do Ipiranga” e formou o seu próprio grupo– Hirundo Maris, na companhia de um notável musico norueguês de nome Petter Udland Johansen e com essa formação acaba de lançar há pouco tempo atrás aquele que constitui  o seu primeiro projecto a solo como cantora e como harpista – “Le labyrinthe d´Ariane”, um projecto em que nos propõe um maravilhoso reportório de época medieval e da época do barroco , onde se tocam nada menos de sete harpas antigas e diferentes; esse mesmo reportório que nos propõe é proveniente de três países que  tiveram um espaço de excelência na vida cultural de cada um deles- França, Itália e Espanha, locais onde a harpa sempre teve grande aceitação, destaque e preponderância e onde internamente se popularizou e floresceu imensamente.

Surpreendentemente dona de uma voz melodiosa, doce, estranhamente bela e de singular beleza Arianna, que foi responsavel por todos os arranjos,  lembra-nos  ao cantar o atractivo sincopado do mar, o soprar suave da aragem, da brisa e das ondas, bem como o doce chilrear de um bando de passaros cantando alegremente em liberdade na natureza…

Um surpreendente projecto de grande beleza melódia e vocal, que a todos certamente vai encantar e seduzir!

CD AliaVox/Megamúsica

 

WHITESNAKE – tempo de blues/rock

Atenção milhares de fans e admiradores do hard rock/metal pois os cada vez mais surpreendentes Whitesnake surgem com novo disco, desta vez com “The bues album” em jeito de revisitação, trabalho  que integra  a parte três da trilogia ”Red, white & blues”, uma verdadeira celebração dos blues que ajudaram a cimentar a carreira da banda, aqui em versões fabulosas de grandes canções na area dos blues/rock, uma mão cheia de exitos menos popularizados ou se quisermos,  menos conhecidos  do grande publico, excepto da parte dos fans como é evidente, temas esses surgidos no periodo entre 1984 e 2011 nos seis trabalhos de estudio do grupo e igualmente no disco a solo de David Coverdale, que foi para além de musico interveniente,  também o responsável pela produção executiva do projecto; a mistura foi da responsabilidade de Chris Coliier e a produção de Michael McIntire, qualquer um deles personagem conhecido e sonante em cada area.

Posto isto quem desdenhará reencontrar canções como “I steal your heart away”, “2 good to be bad”, “Woman trouble blues”, “Too many tears” ou “Lay down your love”, aqui em novas e mais atractivas versões – as já chamadas new 2021 mixes – que constituem pedaços de algum do melhor material escrito e editado pela banda hà tempos atrás?

CD Rhino/Warner Music

 

RICARDO AZEVEDO

a elegância do pop português

Há já muito tempo que não me surpreendia tanto com um mão cheia de composições de pop cantado em português, feitas com tanta actualidade temática,  surpreendente inspiração e acima de tudo  ilustradas por uma excelente produção geral ; e como se estes atributos não bastassem já, há que registar também, e acima de tudo, um evidente grande bom gosto com que o trabalho foi elaborado, nas suas mais diversas formas.

Ora de isso mesmo dei agora conta após a audição de uma dúzia de composições que completam – “Instinto de sobrevivência”, o mais  recente projecto de Ricardo Azevedo, o carismático interprete nacional nativo de Santa Maria da Feira de quem já algum tempo nada se sabia, pois se encontrava arredado dos títulos das noticias e, ao que parece, dos nossos estudios também.

Recuando um pouco no tempo sabe-se que Ricardo, depois de durante algum tempo ter integrado o grupo EZ Special, cometeu a “ousadia” de o abandonar numa altura em que a banda portuguesa se encontrava ainda na crista da onda, para prosseguir o seu percurso artistico arriscando numa carreira a solo, percurso esse já culminado até ao momento com uma serie de aventuras musicais não só com nacionais mas também  com gente de outras latitudes musicais, entre as quais merece relevo o facto de ter sido a estrela, como  convidado especial, para preencher as primeiras partes dos concertos portugueses da grande Anastacia,  mas  também como artista a solo no período de edição de quatro promissores trabalhos de originais – ”Daisy”, “O manual do amor”, “Frente a frente” e  “Kaizen”.

No novo trabalho, onde foi responsável pela produção de onze das doze composições do disco (a restante teve produção de Vitor Silva), o músico desempenhou também uma série de outras funções nomeadamente ao acentuar e desenvolver cada vez mais  a sua faceta de compositor e letrista, area em que se mostra cada vez mais ambicioso e atento às problemáticas actuais, demonstrando com isso uma acutilância e uma resiliência dignas de nota; um disco que certamente vai ficar para a história do ano discográfico em matéria de música pop portuguesa!

CD Fábrica de canções

NOTÍCIAS SOLTAS

 

PEDRO MOUTINHO apresenta “Amália e os Poetas”

Tendo em vista celebrar o centenário de Amália Rodrigues, que ainda decorre, ultrapassadas que foram algumas das condicionantes da pandemia, o fadista Pedro Moutinho criou um espectáculo cujo o mote foi a selecção de alguns dos mais importantes poetas portugueses cantados por Amália Rodrigues.

No desenho deste espectáculo, Moutinho contou com o trabalho do fotógrafo e realizador Sebastião Varela, sobrinho-bisneto de Amália e assim, com base nos poemas e nas históricas interpretações da imortal fadista, Sebastião Varela criou, a partir da fotografia, um imaginário visual para colorir cada
tema de acordo com a interpretação que faz dos mesmos…

Partindo da palavra para homenagear a mais importante intérprete do mundo da lusofonia, o fadista dará voz a uma cuidada selecção de poetas tais como Luís de Camões, Fernando Pessoa, Alexandre O’Neil, Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira, José Carlos Ary dos Santos, mas também a própria Amália Rodrigues, que escreveu letras para temas tão icónicos como “Estranha Forma de
vida”, “Trago fado nos sentidos” ou a icónica “Lágrima”

Propõe-se assim uma viagem ao mundo dos poetas de Amália através de duas formas de arte distintas.

Uma sentida  e justificada homenagem, no momento em que se assinala ainda o Centenário da fadista, através de um espectáculo inédito, em que o fado e a fotografia procuram uma simbiose para exprimir uma visão conjunta e actual de alguns dos temas que eternizaram a grande diva.

KATIA GUERREIRO – 20 anos de fado

Katia Guerreiro regressa a Lisboa em nome próprio, num espectáculo que inicialmente esteve marcado para final do ano transacto mas que a maldita pandemia obrigou a adiar, inicialmente para 18 de Março corrente; porém a continuação do confinamento obrigou a novo adiamento no sentido de ir ao encontro das medidas de alívio do confinamento recentemente ordenadas pelo governo; assim, a nova data será 18 de Junho próximo iniciando-se o espectáculo pelas 20 horas e  tal como inicialmente estava previsto terá lugar no mesmo Teatro Tivoli BBVA, na Avenida da Liberdade, da capital portuguesa, evento onde a fadista irá recordar, e simultaneamente comemorar, alguns dos muitos momentos importantes, marcantes e entusiasmantes da sua bem sucedida carreira de insigne e brilhante fadista.

Tal com estava já  anteriormente previsto este espectáculo contará  com a participação instrumental dos músicos Pedro de Castro e Luís Guerreiro, ambos em guitarra portuguesa, André Ramos e João Mário Veiga, nas violas de fado e Francisco Gaspar em viola-baixo, isto para alem de alguns convidados que serão anunciados brevemente.

Face à alta qualidade de que sempre se revestem as suas actuações será certamente um acontecimento a recordar, tanto mais que a fadista está no momento mais alto da sua carreira e a cantar melhor que nunca!

Um concerto absolutamente imperdível!

 -Os bilhetes já anteriormente adquiridos são válidos para a nova data.

 

FREDERICO BC – ao vivo no Casino – 14-MAIO-2021

Considerado um dos mais promissores valores da musica portuguesa  e uma das suas grandes revelações, Frederico BC ao mesmo tempo que prepara o lançamento daquele que será o seu terceiro disco de originais, vai actuar em Maio próximo, mais concretamente ano dia 14 no auditório do Casino Estoril, onde irá interpretar canções dos seus dois álbuns anteriores e destapar um pouco o véu quanto a temas do próximo disco; a este concerto seguir-se outro mais no dia 21 do mesmo mês no auditório Carlos Paredes, em Benfica, no edifício da Junta de freguesia.

Entretanto a mesma RTP lançou na sua nova plataforma – Palcos um documentário sobre o último disco do cantor, que mostra os bastidores de todas as gravações deste álbum que conta com mais de meia centena de pessoas envolvidas, um programa onde se ficou a conhecer melhor este jovem valor da musica portuguesa que de degrau em degrau, vai subindo a pulso uma carreira que se prevê de grande sucesso dentro de algum tempo; o seu valor e qualidade falam por si…

 

ROGÉRIO CHARRAZ

Editado em 26 de Fevereiro último, “O Coreto” é um notável disco com o país lá dentro; afinal, e tão simples como isso, trata-se de uma história contada na forma de canções.
Até essa altura já haviam lançados dois singles do projecto que promete ser um dos lançamentos mais marcantes da música portuguesa no corrente ano de pandemia 2021:
Abaladiça que foi um dos 20 vencedores, de entre mais de 40 temas a concurso, da iniciativa Inéditos Vodafone.

-“Quando nós formos velhinhos”, que conta com a participação de Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho no videoclipe.

Entretanto, dentro de algum tempo, irá acontecer o esperado concerto de apresentação e divulgação do mesmo trabalho, que por motivos óbvios teve de ser cancelado e adiado para uma nova data, que se prevê venha agora a ser a data definitiva:

-11 de Maio no Teatro da Trindade

Recorde-se que este mesmo disco é o mais recente trabalho de Rogério Charraz, com letras de José Fialho Gouveia; tal como acontece no disco, as canções do espectáculo contam a história dos personagens Sebastião e  Ana, a partir do momento em que ele decide deixar a grande cidade e tentar retomar a vida na aldeia.
O concerto contará com a participação especial de Luísa Sobral, que foi também responsável pela produção musical deste novo projecto.
(Bilhetes já à venda em Bol.pt , Teatro da Trindade  e nos locais habituais ao preço único de 18€)