ROSA PASSOS – uma voz icónica

ROSA PASSOS

ROSA PASSOS
uma voz icónica

Falar-se de Rosa Passos é sinonimo de se falar de uma das mais icónicas  vozes da música popular brasileira, uma cantora apelidada no início da sua carreira de “Tom Jobim de saias”, epíteto de que ela se orgulha e que durante muito tempo justificou plenamente mercê das magistrais interpretações  que protagonizou, quer em disco, quer em espectáculos ao vivo, do riquíssimo reportório do grande ídolo da MPB; curiosamente, ela que afinal de contas se popularizou e ganhou estatuto internacional também mercê daquele cognome, no seu ultimo disco, agora saído em Portugal limitou-se a  cantar apenas  uma composição daquele mítico nome da música popular brasileira ( “Aguas de Março”) e preencheu vocalmente o resto do reportório com quatro canções  de Dorival Caymmi e uma do mítico Djavan completando o disco com mais três composições, estas de sua própria autoria em parceria com Fernando de Oliveira; ora este facto abona sobremaneira a sua já quase independência do reportório do genial compositor da país verde-amarelo, afinal um espólio de que ela usou e abusou durante grande parte da sua vida artística e que acabou afinal por a projectar para os píncaros da fama, não só a nível de Brasil, mas igualmente também em termos internacionais…

Assim, em “Dunas- live in Copenhagen 1” Rosa Passos mostra estar em plena forma vocal e mais uma vez justifica a popularidade que granjeia a vários níveis e, cantando melhor que nunca, atinge um patamar altíssimo com interpretações magistrais, onde concede uma verdadeira segunda vida artística a canções célebres como “Sábado em Copacabana”, “Chuva de verão”, “O que é que a baiana tem?”,”Águas de Março”, “Cigano” ou a canção que dá título ao disco, num projecto registado ao vivo na capital da Dinamarca na Copenhagen Jazzhouse em Julho de 2001, embora o disco só agora tenha sido misturado e remasterizado ; um notável projecto onde a cantora brasileira surge sob a forma de um eficiente quarteto acompanhada por Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo) e  Celso de Almeida (bateria) sendo de sua inteira responsabilidade a execução da guitarra bem como de todas as vocalizações.

Apesar de a gravação já registar  vinte anos de vida é de qualquer forma um regresso a festejar efusivamente tanto mais que Rosa Passos só grava nos últimos anos esporadicamente e porque os seus registos constituem sempre  inolvidáveis momentos de prazer auditivo! E este não foge à regra!

ROSA PASSOS

CD Storyville / Distrijazz