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POR TERRAS DO ZECA

Amostras

  • 01.POR ESTA ESTRADA
  • 02.TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM
  • 03.ÍNDIOS DA MEIA PRAIA
  • 04.O QUE FAZ ALTA
  • 05.MENINO DO BAIRRO NEGRO
  • 06.VERDADE E MENTIRA
  • 07.LÁ NO XEPANGARA
  • 08.QUE AMOR NÃO ME ENGANA
  • 09.OS VAMPIROS
  • 10.COMBOIO DESCENDENTE
  • 11.VERDES SÃO OS CAMPOS
  • 12.MARIA FAIA
  • 13.BENDITOS
  • 14.ALI ESTÁ O RIO
  • 15.VEJAM BEM
  • 16.CANÇÃO DA PACIÊNCIA
  • 17.VENHAM MAIS CINCO
  • 18.O CANTADOR

FILIPA PAIS, JOÃO AFONSO, MARIA ANADON, ZECA MEDEIROS, FIRMINO PASCOAL, VITOR PAULO

DIREÇÃO DE DAVIDE ZACCARIA

José Afonso é um Mestre, um caso exemplar de autor-compositor-intérprete, um caso de personalidade criativa completa e inigualável, uma luz que nunca se apaga, e que ilumina até aqueles que não o conhecem, ou não o conhecem bem. Como se pode compreender no “Siddhartha” de Hermann Hesse, os Mestres, de facto, não existem, são apenas bússolas. O caminho - certo, errado ou assim-assim - é feito pelos discípulos. Por isso as obras de recriação, embora inspiradas pelo Mestre, são de facto a expressão do recriador - do seu talento e dos seus propósitos. JOSÉ MÁRIO BRANCO Janeiro 2018

ZECA

15,00 €

TEXTO INTRODUTÓRIO DO DISCO

Os grandes Mestres da cultura e das artes sempre têm sido - e bem - objecto de imitações, glosas, citações, interpretações e reinterpretações. E sempre resistem a tudo. No meio da enorme massa variegada de sequelas das suas obras, que são como a cauda de um cometa que atravessa os tempos, creio que a principal distinção a fazer é entre aquilo que está mais perto da cabeça do cometa (a fonte de luz, a obra de referência) e aquilo que, por limitações do acto (re)criativo, vai ficando para o fim da cauda e acaba por se perder na escuridão de um tempo efémero: uma gama infinda de possibilidades e gradações entre a prossecução do génio e uma espécie de entropia do consumo.

Por isso os Mestres são sempre um objecto de estudo. Eu escuto atentamente toda a obra do Zeca pelo menos duas vezes por ano, e sempre encontro emoções, pormenores, novas ideias em que não tinha reparado. Estou sempre a aprender. Faz parte desse estudo conhecê-lo bem - as soluções melódicas, harmónicas, rítmicas, poéticas -, ser capaz de o imitar o melhor possível, para a partir daí tentar o salto para a “cabeça do cometa”.


José Afonso é um Mestre, um caso exemplar de autor-compositor-intérprete, um caso de personalidade criativa completa e inigualável, uma luz que nunca se apaga, e que ilumina até aqueles que não o conhecem, ou não o conhecem bem.
Como se pode compreender no “Siddhartha” de Hermann Hesse, os Mestres, de facto, não existem, são apenas bússolas. O caminho - certo, errado ou assim-assim - é feito pelos discípulos. Por isso as obras de recriação, embora inspiradas pelo Mestre, são de facto a expressão do recriador - do seu talento e dos seus propósitos.

José Mário Branco

Janeiro de 2018