{"id":678,"date":"2018-04-02T17:45:22","date_gmt":"2018-04-02T17:45:22","guid":{"rendered":"https:\/\/tradisom.com\/\/?post_type=product&#038;p=678"},"modified":"2025-09-01T18:22:31","modified_gmt":"2025-09-01T17:22:31","slug":"braga-na-tradicao-musical","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/tradisom.com\/en\/product\/braga-na-tradicao-musical\/","title":{"rendered":"Braga na Tradi\u00e7\u00e3o Musical"},"content":{"rendered":"<p>Os grupos folcl\u00f3ricos surgiram em Portugal no princ\u00edpio do s\u00e9c. XX, com a finalidade de n\u00e3o deixar esquecer as tradi\u00e7\u00f5es musicais e coreogr\u00e1ficas do povo, que j\u00e1 por essa altura come\u00e7avam a entrar em decl\u00ednio nos seus locais de origem, as aldeias. V\u00e1rios promotores desse movimento propunham a forma\u00e7\u00e3o, nas aldeias, de ranchos de camponeses, aos quais se incutia o brio de conservar e executar as suas pr\u00f3prias cantigas e dan\u00e7as. O movimento folcl\u00f3rico cresceu e hoje existem grupos folcl\u00f3ricos por todo o pa\u00eds, nas aldeias, cilas e cidades.<br \/>\nA Rusga de S. Vicente \u00e9 um grupo folcl\u00f3rico de Braga, da prov\u00edncia do Minho, situada no Noroeste de Portugal. Formou-se em 1965 para celebrar com m\u00fasica e dan\u00e7a o Santo mais venerado em Braga. O S. Jo\u00e3o Baptista. Na noite dessa festa, \u00e9 costume virem a Braga grupos de gente nova de todas as aldeias do concelho e concelhos vizinhos, bem como dos bairros da cidade, para tocarem, cantarem, dan\u00e7arem, comerem e divertirem-se. Anos mais tarde, essa &#8220;rusga&#8221; (grupo espont\u00e2neo de tocadores e dan\u00e7adores populares, que se dirigem a uma festa ou romaria) come\u00e7ou a ensaiar para se apresentar publicamente noutras ocasi\u00f5es, como cerim\u00f3nias civis, festas doutras regi\u00f5es ou festivais de folclore.<br \/>\nUma das caracter\u00edsticas mais interessantes da Rusga de S. Vicente \u00e9 o facto de ser herdeira directa e natural das tradi\u00e7\u00f5es que reproduz nas suas actua\u00e7\u00f5es. Grande parte dos seus elementos viveu essas tradi\u00e7\u00f5es ainda no seu estado natural, quando o povo cantava e bailava de forma espont\u00e2nea. Alguns deles foram lavradores, quer nas freguesias do concelho, quer nas quintas ao redor da cidade. Outros, talvez a maioria, s\u00e3o filhos daqueles e, j\u00e1 nascidos na cidade, deles beberam os costumes e saberes tradicionais, sobretudo os cantos, e com eles tamb\u00e9m aprenderam as dan\u00e7as. Al\u00e9m dessa aprendizagem directa, este grupo soube fazer pesquisa nas povoa\u00e7\u00f5es vizinhas de Braga, com o objectivo de formar um report\u00f3rio m\u00fasico-coreogr\u00e1fico representativo da sua regi\u00e3o.<br \/>\nA Rusga de S. Vicente n\u00e3o se limita a ser um grupo de dan\u00e7as e de exibi\u00e7\u00e3o de trajes, antes se dedica a m\u00faltiplas actividades ligadas \u00e0s artes e tradi\u00e7\u00f5es populares, que vamos descrever resumidamente. Antes de mais, a pr\u00f3pria actividade de reposi\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica das antigas dan\u00e7as da sua regi\u00e3o, com a sua base musical. Estas m\u00fasicas e dan\u00e7as foram ensinadas por alguns dos seus elementos que ainda as recordavam dos seus tempos de juventude e por outras pessoas mais velhas, dos arredores, a quem recorreram para esse fim. Quanto aos instrumentos musicais, os mais caracter\u00edsticos da prov\u00edncia minhota s\u00e3o a &#8220;viola&#8221; (popular guitar with double strings), o &#8220;cavaquinho&#8221; (small popular guitar) e a &#8220;concertina&#8221; (acorde\u00e3o diat\u00f3nico). Do disco constam as dan\u00e7as mais caracter\u00edsticas desta regi\u00e3o, de que se destacam: malh\u00e3o, vira, chula, cana verde &#8211; faixas 1, 4, 8, 10, 12, 14, 17, 20, 22, 24, 28, 30, 35 e 37.<br \/>\nA segunda faceta do trabalho etnogr\u00e1fico deste grupo folcl\u00f3rico \u00e9 a mat\u00e9ria dos trajes. Os fundadores da &#8220;Rusga&#8221; sentiram desde o in\u00edcio a necessidade de melhorarem os trajes que ostentavam anualmente no desfile de S. Jo\u00e3o. Pediram fatos emprestados, remexeram as arcas velhas de amigos e familiares. Depois, come\u00e7aram tamb\u00e9m a bordar e a fazer c\u00f3pias dos trajes antigos, com muito pormenor e perfei\u00e7\u00e3o, como algumas fotografias documentam. Hoje, det\u00eam um esp\u00f3lio valios\u00edssimo, que merecia figurar num museu regional de artes populares.<br \/>\nA Rusga de S. Vicente possui tamb\u00e9m um grupo de bombos, cabe\u00e7udos e gigantones, destinado a actuar na rua, em festas populares como o Encontro Internacional de Gigantones, que todos os anos se realiza em Braga.<br \/>\nAlgumas das mulheres da Rusga formaram um coro para interpretarem cantos populares a duas e tr\u00eas vozes, que \u00e9 uma riqu\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o polif\u00f3nica da prov\u00edncia do Minho. Estes cantos eram, ainda h\u00e1 poucos anos, pr\u00f3prios de certos trabalhos agr\u00edcolas, como as tarefas do linho e as desfolhadas do do milho, em que se juntavam muitos trabalhadores rurais e que terminavam geralmente com um baile popular. A estrutura polif\u00f3nica destes cantos prov\u00eaem da m\u00fasica eclesi\u00e1stica e \u00e9 hoje vis\u00edvel nos cantos populares profanos e tamb\u00e9m em certos c\u00e2nticos religiosos populares extra-lit\u00fargicos, de que se destacam os cantos de romaria. Do disco constam v\u00e1rios exemplos destes cantares populares polif\u00f3nicos &#8211; faixas 3, 9, 15, 18, 21, 26, 33, 34 e 36.<br \/>\nOs elementos deste grupo folcl\u00f3rico t\u00eam mantido uma velha tradi\u00e7\u00e3o da cidade de Braga: cantar os Reis Magos na noite de 5 de Janeiro e nas seguintes. Trata-se de cantar pelas ruas de porta em porta, saudando a chegada dos Reis Magos ao pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. Antigamente pedia-se p\u00e3o e chouri\u00e7o para os rapazes depois comerem. Agora, o produto do pedit\u00f3rio, em dinheiro, destina-se a custear as actividades do grupo folcl\u00f3rico. As grava\u00e7\u00f5es deste tipo de manifesta\u00e7\u00e3o musical foram feitas ao vivo e constam do disco nas faixas 6, 13, 19, 27 e 31.<br \/>\nA uma outra tradi\u00e7\u00e3o de Braga dedicou especial aten\u00e7\u00e3o a Rusga de S. Vicente: \u00e0 queima de um boneco simbolizando o Carnaval. Trata-se de uma tradi\u00e7\u00e3o existente em Portugal e noutros pa\u00edses europeus, que est\u00e1 ligada aos primitivos rituais de expuls\u00e3o do Inverno. Algumas fotografias mostram o cortejo &#8220;f\u00fanebre&#8221; dos acompanhantes do boneco e a posterior destrui\u00e7\u00e3o deste pelo fogo.<br \/>\nEste grupo folcl\u00f3rico tem tamb\u00e9m no seu report\u00f3rio, para apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica, alguns preg\u00f5es com que os vendedores ambulantes enchiam as ruas da cidade de Braga, alguns dos quais desaparecidos h\u00e1 poucos anos, outros h\u00e1 trinta ou quarenta. Seleccion\u00e1mos para o disco apenas tr\u00eas deles: o preg\u00e3o das sardinhas (faixa 7), das castanhas (faixa 16) e das peles de coelho (faixa 32).<br \/>\nDa voz de uma das mais velhas integrantes do grupo folcl\u00f3rico, regist\u00e1mos dois &#8220;romances&#8221;, g\u00e9nero po\u00e9tico-musical de estrutura narrativa, descendente das can\u00e7\u00f5es medievais de gesta (tema guerreiro ou her\u00f3ico), caracter\u00edstico da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e correspondente \u00e0 balada europeia. Um deles (faixa 5) conta a hist\u00f3ria de uma jovem que foi degolada por um cavaleiro e que, depois de encontrado o seu corpo pelos pastores, passou a ser adorada como santa pelo povo. O outro, (faixa 23) conta a hist\u00f3ria do regresso do marido depois de muitos anos de aus\u00eancia na guerra, tema que \u00e9 comum a toda a tradi\u00e7\u00e3o europeia e que j\u00e1 vem da Gr\u00e9cia antiga. Da mesma velhinha, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Ribeiro, grav\u00e1mos tamb\u00e9m dois jogos infantis, que as crian\u00e7as costumavam cantar na sua aldeia h\u00e1 cerca de 60 anos &#8211; faixas 11 e 29.<br \/>\nO ambiente das cinco \u00faltimas faixas do disco representa a referida romaria de S. Jo\u00e3o de Braga, em que o povo das redondezas se junta a 23 e 24 de Junho para celebrar o Santo, para cantar, dan\u00e7ar, comer e folgar. A faixa 37 foi gravada ao vivo nessa romaria.<br \/>\nO disco representa a realidade musical que encontr\u00e1mos entre os elementos do grupo etnogr\u00e1fico &#8220;Rusga de S. Vicente&#8221;, desde 1998 a 2001, per\u00edodo de tempo em que efectu\u00e1mos as grava\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. \u00c9 um grupo not\u00e1vel em todos os aspectos: musical, coreogr\u00e1fico, etnogr\u00e1fico e humano. O seu trabalho de pesquisa e o valor da representa\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es m\u00fasico-coreogr\u00e1ficas da sua regi\u00e3o granjearam-lhe enorme prest\u00edgio em Portugal e no estrangeiro e tornaram-no um s\u00edmbolo de Braga e dos seus habitantes, que estimam, admiram e se rev\u00eaem na &#8220;Rusga de S. Vicente&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/1373589997&amp;color=%2354541b&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=false&amp;show_user=false&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=false\" width=\"100%\" height=\"450\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc; line-break: anywhere; word-break: normal; overflow: hidden; white-space: nowrap; text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate,Lucida Grande,Lucida Sans Unicode,Lucida Sans,Garuda,Verdana,Tahoma,sans-serif; font-weight: 100;\"><a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Tradisom\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/tradisom\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tradisom<\/a> \u00b7 <a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Braga na Tradi\u00e7\u00e3o Musical - A Rusga de S. 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