{"id":6461,"date":"2018-05-04T09:45:29","date_gmt":"2018-05-04T09:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/tradisom.com\/\/?post_type=product&#038;p=6461"},"modified":"2025-11-18T00:16:26","modified_gmt":"2025-11-17T23:16:26","slug":"volume-5","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/tradisom.com\/en\/product\/volume-5\/","title":{"rendered":"Filmografia de Michel Giacometti &#8211; Volume 05"},"content":{"rendered":"<p>UM<\/p>\n<p>1.<br \/>\nO Portugal de 2009\/10 n\u00e3o \u00e9 o pa\u00eds do <em>Povo que Canta<\/em>, nem este era o que Michel-Marie Giacometti conheceu em 1960, quando chegou a esta terra.<\/p>\n<p>Os homens e as mulheres que surgem nesta s\u00e9rie, e que foram sendo filmados entre 1970\/72 pela equipa da RTP sob a direc\u00e7\u00e3o de Alfredo Tropa, s\u00e3o a escolha poss\u00edvel do \u00abcat\u00e1logo\u00bb que Giacometti tinha de informantes dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Aquando do confronto entre filmes e participantes, muitos deles olharam com nostalgia para as imagens, chamando sempre a aten\u00e7\u00e3o para pr\u00e1ticas que j\u00e1 na altura, em 1970, n\u00e3o se executavam, ou deixaram de se executar pouco tempo depois. Por vezes era um chap\u00e9u, ou uma t\u00e9cnica agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>E, pois, claro que Giacometti procurou ilustrar com imagens em movimento a <em>Antologia de M\u00fasica Regional<\/em>.<\/p>\n<p>O que significa que, na altura, o Portugal de <em>Povo que Canta<\/em> j\u00e1 era um pa\u00eds diferente. Alfredo Tropa recupera, numa cinematografia engajada na den\u00fancia social, fortes imagens de uma realidade empobrecida e em perda demogr\u00e1fica. O pa\u00eds de fronteira j\u00e1 ent\u00e3o era uma regi\u00e3o a caminho do ermamento.<\/p>\n<p>2.<br \/>\nPara os que ficam, o ermamento demogr\u00e1fico \u00e9 tamb\u00e9m uma amputa\u00e7\u00e3o et\u00e1ria. Os novos partem, os velhos permanecem.<\/p>\n<p>Foram estes velhos que visit\u00e1mos ao longo dos diversos meses em que calcorre\u00e1mos Portugal na busca e na afina\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos locais onde <em>Povo que Canta<\/em> foi gravado.<\/p>\n<p>Muitas pessoas j\u00e1 tinham morrido, outras tinham partido para outros lugares (Regi\u00e3o de Lisboa, na NUT II, muitas delas), outras estavam de regresso de uma qualquer migra\u00e7\u00e3o, outras envelheceram por ali.<\/p>\n<p>3.<br \/>\nDos velhos de hoje, que foram o \u00abcat\u00e1logo de informantes folcl\u00f3ricos do s\u00e9culo XX portugu\u00eas\u00bb, poucos restam. E os que restam encontr\u00e1mo-los numa realidade espantosamente diferente: s\u00e3o utentes de um lar ou centro de dia, ou recebem apoio domicili\u00e1rio, alimentos, cuidados higi\u00e9nicos, companhia.<\/p>\n<p>4.<br \/>\nDe homens e mulheres possantes, estes trabalhadores rurais, quarenta anos volvidos, tornaram-se velhos e foram realojados em n\u00e3o-lugares, onde toda uma vida foi alterada. Vivem em quartos que partilham com outros que conheceram ali. A sua intimidade desapareceu. Recebem visitas, ao fim-de-semana.<\/p>\n<p>Algumas mulheres s\u00e3o respigadas de outras utentes para transmitirem anexins, contos, lendas e cantos. Aqui e al\u00e9m, grupos folcl\u00f3ricos integram estas pessoas para refazerem teatros que contextualizam momentos perdidos.<\/p>\n<p>5.<br \/>\nEm Sab\u00f3ia, em Santiago Maior, em Castelo Brancos, etc., encontr\u00e1mos elementos deste \u00abcat\u00e1logo\u00bb que ainda est\u00e3o activos e continuam a cantar as mesmas coisas, que diferentes gera\u00e7\u00f5es de colectores continuam a gravar e a salvar da perda. Alguns t\u00eam uma actividade de mais 70 anos de serem colectados.<\/p>\n<p>6.<br \/>\nEm muita bibliografia rom\u00e2ntica e positivista, os velhos encontram-se \u00e0 lareira, contam contos aos novos, enquanto os possantes filhos chegam a casa. At\u00e9 h\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o de Salazar quase assim. Um castelo, parece ser o de Monsanto, espreita \u00e0 janela.<\/p>\n<p>Os velhos de Povo que Canta vestem roupa co\u00e7ada, as m\u00e3os est\u00e3o deformadas pelo trabalho, lamentam a fuga para Fran\u00e7a, para Lisboa&#8230;<\/p>\n<p>Os utentes, detentores de identidades perdidas e em cont\u00ednua reconstru\u00e7\u00e3o, encontram-se realojados, parqueados frente \u00e0 televis\u00e3o, tratados como velhinhos e, de quando em quando, s\u00e3o reativados para cantar.<\/p>\n<p>7.<br \/>\nNo dia 24 de Abril deste ano de 2010, no lar adentro taras, um grupo de crian\u00e7as, vestidas de capit\u00e3es de Abril, irrompeu por ali dentro Ladeadas pelas educadoras e em marcha, as crian\u00e7as circundaram as instala\u00e7\u00f5es, distribu\u00edram cravos e cantaram a \u00abGr\u00e2ndola\u00bb. \u00abVieram ver os velhinhos\u00bb. A entrevista a uma cantadora de bald\u00e3o, canto de improviso e desafio do Baixo Alentejo, foi interrompida. Atr\u00e1s de mim algu\u00e9m disse:<br \/>\n\u00abAgora \u00e9 que s\u00e3o felizes! Com esta idade andava a ajudar o meu pai nas porcas.\u00bb Era um utente, filho de um porqueiro.<\/p>\n<p>8.<br \/>\nO \u00abcat\u00e1logo de informantes folcl\u00f3ricos do s\u00e9culo XX portugu\u00eas\u00bb est\u00e1 a pouco e pouco a ser arquivado. Ainda n\u00e3o \u00e9 bem um arquivo hist\u00f3rico. \u00c9 um arquivo morto. Ainda necess\u00e1rio a quem procura salvar o povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>DOIS<\/p>\n<p>1.<br \/>\nNeste volume re\u00fane-se um conjunto de contributos, al\u00e9m dos gui\u00f5es de Giacometti para a s\u00e9rie <em>Povo que Canta<\/em>.<br \/>\nO Dr. Ant\u00f3nio Catana, investigador de Idanha-a-Nova, escreve sobre Catarina Sargenta, de Penha Garcia, que Michel Giacometti considerava como uma das melhores vozes por si ouvidas, e que lhe tinha sido indicada por Ernesto Veiga de Oliveira.<\/p>\n<p>O Professor Doutor Paolo Scarnecchia, director art\u00edstico do festival VisMusicae (It\u00e1lia), e um dos maiores conhecedores da poesia improvisada do Mediterr\u00e2neo, escreve sobre esta pr\u00e1tica po\u00e9tico-musical e d\u00e1-nos um quadro da sua perman\u00eancia neste mar interior.<\/p>\n<p>Augusto Br\u00e1zio visitou um conjunto de lares de terceira idade, e sobre eles construiu um olhar. \u00c9 uma face actual de <em>Povo que Canta<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2.\u00aa S\u00e9rie | Epis\u00f3dios 17 a 20<br \/>\nDVD com Grava\u00e7\u00e3o: 1970. Abril [1.\u00aa campanha] &#8211; 1970. Maio-Junho [2.\u00aa campanha] -1971. Junho [3.\u00aa campanha] &#8211; Transmiss\u00e3o na RTP: 1972. Abril-Julho \/ 1974.Abril<\/p>\n<p>Textos de Paulo Lima, Paolo Scarnecchia, Ant\u00f3nio Catana &#8211; Entrevista a Lu\u00eds D\u2019Orey &#8211; Portfolio fotogr\u00e1fico de Augusto Br\u00e1zio<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YQY_jnvQzOw?si=bcSdL8bpUFJDTbtW&amp;controls=0\" width=\"280\" height=\"157\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VBGG31uk-qg?si=PD9xBagz1j8d0SIM&amp;controls=0\" width=\"280\" height=\"157\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"featured_media":33778,"template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[331,315],"product_tag":[],"class_list":{"0":"post-6461","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-dvd-tradisom","7":"product_cat-tradisom","9":"first","10":"instock","11":"shipping-taxable","12":"purchasable","13":"product-type-simple"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product\/6461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33778"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=6461"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=6461"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=6461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}