{"id":469,"date":"2018-03-31T21:23:06","date_gmt":"2018-03-31T21:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/tradisom.com\/\/?post_type=product&#038;p=469"},"modified":"2026-08-20T15:06:28","modified_gmt":"2026-08-20T14:06:28","slug":"novos-arquivos-do-fado-lisboa-e-as-fadistas","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/tradisom.com\/en\/product\/novos-arquivos-do-fado-lisboa-e-as-fadistas\/","title":{"rendered":"Novos Arquivos do Fado &#8211; Lisboa e as Fadistas"},"content":{"rendered":"<p class=\"isSelectedEnd\"><strong>Novos Arquivos do Fado \u2013 Lisboa e as Fadistas<\/strong> \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o da Tradisom dedicada \u00e0 rela\u00e7\u00e3o profunda entre Lisboa, o Fado e as mulheres que marcaram a hist\u00f3ria deste g\u00e9nero musical.<\/p>\n<p>Lisboa e os seus bairros, as suas sete colinas, os lugares pitorescos e o rio Tejo que a envolve s\u00e3o cantados em muitos g\u00e9neros musicais, mas o Fado \u00e9, sem d\u00favida, maiorit\u00e1rio, seguindo-se as marchas populares, que sa\u00edram \u00e0 rua a partir de 1932. Em cada ano escrevem-se centenas de poemas sobre Lisboa, sempre diversos, que versam o mesmo tema sem nunca se repetirem. Este acervo iconogr\u00e1fico dedicado \u00e0 cidade, \u201cmusa inspiradora\u201d, n\u00e3o imp\u00f5e limites \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o e criatividade dos poetas e letristas. Curiosamente, muitos dos temas compostos para os concursos das marchas preenchem a m\u00e9trica para Fado, passando posteriormente a ser cantados nas m\u00fasicas dos Fados tradicionais.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Alfama, Mouraria, Madragoa, Bairro Alto, Bica ou Gra\u00e7a s\u00e3o mais do que cen\u00e1rios. As ruas estreitas, escadinhas, varandas, largos, preg\u00f5es, prociss\u00f5es e viv\u00eancias quotidianas dos seus habitantes alimentaram durante gera\u00e7\u00f5es o imagin\u00e1rio fadista. Lisboa transformou-se simultaneamente em palco, personagem e inspira\u00e7\u00e3o de milhares de composi\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m o Tejo ocupa um lugar privilegiado neste repert\u00f3rio, representando a partida e o regresso, a dist\u00e2ncia, a espera e a liga\u00e7\u00e3o da cidade ao mundo.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O Fado canta-se em tabernas e caf\u00e9s de Lisboa h\u00e1 mais de 150 anos, desde o tempo em que Maria Severa \u2013 personagem lend\u00e1ria que viveu e morreu cedo demais para deixar grava\u00e7\u00f5es \u2013 cantava para o seu amante, o Conde de Vimioso. Foi uma rela\u00e7\u00e3o amorosa que se tornou p\u00fablica e chamou a aten\u00e7\u00e3o para este g\u00e9nero musical, pois o Fado era visto, e continua a s\u00ea-lo, como \u201ca m\u00fasica dos abandonados do amor\u201d.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A aus\u00eancia de registos sonoros da voz de Maria Severa contribuiu para aumentar a dimens\u00e3o lend\u00e1ria da personagem. A Severa que chegou at\u00e9 n\u00f3s foi sendo constru\u00edda pela mem\u00f3ria oral, literatura, teatro e, posteriormente, cinema. Mais do que sabermos exatamente como cantava, importa perceber aquilo que passou a representar: uma Lisboa popular, bo\u00e9mia, marginal e apaixonada, que encontrou no Fado uma forma pr\u00f3pria de express\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Curiosamente, at\u00e9 aos anos cinquenta do s\u00e9culo XX, os versos para Fados eram essencialmente escritos por homens para as mulheres cantarem, principalmente nas chamadas casas de Fado. As mulheres foram, assim, desde muito cedo protagonistas deste universo, mesmo quando as palavras que interpretavam eram maioritariamente escritas por homens. Atrav\u00e9s das suas vozes, por\u00e9m, essas letras ganhavam novas dimens\u00f5es, sendo apropriadas por cada fadista atrav\u00e9s da interpreta\u00e7\u00e3o, do gesto e da emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Com o passar do tempo, as mulheres conquistaram tamb\u00e9m um espa\u00e7o crescente enquanto autoras, compositoras e criadoras. A hist\u00f3ria do Fado permite, por isso, acompanhar importantes transforma\u00e7\u00f5es sociais ocorridas em Portugal. Das primeiras fadistas ligadas aos bairros populares \u00e0s grandes figuras profissionais do s\u00e9culo XX e \u00e0s int\u00e9rpretes contempor\u00e2neas, existe uma longa linha de continuidade e permanente renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Quando o gramofone chegou a Portugal, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a m\u00fasica come\u00e7ou progressivamente a integrar-se na vida quotidiana. Os primeiros aparelhos e discos eram dispendiosos e acess\u00edveis sobretudo \u00e0s classes mais favorecidas, mas a grava\u00e7\u00e3o sonora introduziu uma transforma\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel: pela primeira vez era poss\u00edvel conservar uma interpreta\u00e7\u00e3o e voltar a ouvi-la muito depois de terminado o momento musical.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">As primeiras grava\u00e7\u00f5es constituem hoje uma fonte extraordin\u00e1ria para conhecer a hist\u00f3ria do Fado. Os discos de 78 rota\u00e7\u00f5es permitem-nos escutar vozes, estilos interpretativos, repert\u00f3rios e formas de acompanhamento que, sem o registo fonogr\u00e1fico, teriam desaparecido. A partir das d\u00e9cadas de 1920 e 1930, int\u00e9rpretes, guitarristas e violistas deixaram uma mem\u00f3ria sonora cada vez mais rica, documentando diferentes maneiras de cantar, tocar guitarra portuguesa e acompanhar as vozes.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u00c9 neste contexto que os arquivos sonoros e as cole\u00e7\u00f5es discogr\u00e1ficas assumem uma import\u00e2ncia fundamental. Preservar estes discos significa preservar documentos hist\u00f3ricos. Cada grava\u00e7\u00e3o encerra informa\u00e7\u00e3o sobre os m\u00fasicos, a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, os gostos do p\u00fablico e a pr\u00f3pria sociedade portuguesa. A investiga\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o e reedi\u00e7\u00e3o destes registos permitem que um patrim\u00f3nio originalmente destinado a desaparecer com o desgaste dos suportes continue acess\u00edvel \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Ao longo do s\u00e9culo XX, nomes como Erc\u00edlia Costa, Maria Alice, Herm\u00ednia Silva, Berta Cardoso e, naturalmente, Am\u00e1lia Rodrigues ajudaram a transformar a dimens\u00e3o art\u00edstica e social do Fado. Contudo, a sua hist\u00f3ria \u00e9 igualmente feita por centenas de cantores, guitarristas, violistas, compositores e poetas menos conhecidos. Recuperar as suas grava\u00e7\u00f5es \u00e9 tamb\u00e9m recuperar uma parte essencial da mem\u00f3ria coletiva portuguesa.<\/p>\n<p>Hoje, mais de um s\u00e9culo depois das primeiras grava\u00e7\u00f5es, o Fado continua vivo e em permanente transforma\u00e7\u00e3o. Mudam as vozes, os tempos e os lugares, mas Lisboa permanece no centro desta narrativa. Continuam a cantar-se as ruas, o Tejo, os amores, as partidas e a saudade. Em cada grava\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica conserva-se um fragmento dessa cidade: uma voz, uma guitarra, um poema, uma maneira de falar e uma mem\u00f3ria. Juntos, estes testemunhos constituem um extraordin\u00e1rio arquivo sonoro de Lisboa e da cultura portuguesa, ligando o passado ao presente e permitindo que as vozes de outras \u00e9pocas continuem a ser ouvidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/1455948145&amp;color=%23ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=false&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true\" width=\"100%\" height=\"450\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><span style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" data-mce-type=\"bookmark\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/p>\n<div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc; line-break: anywhere; word-break: normal; overflow: hidden; white-space: nowrap; text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate,Lucida Grande,Lucida Sans Unicode,Lucida Sans,Garuda,Verdana,Tahoma,sans-serif; font-weight: 100;\"><a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Tradisom\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/tradisom\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tradisom<\/a> \u00b7 <a style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\" title=\"Novos Arquivos do Fado \u2013 Lisboa e as Fadistas\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/tradisom\/sets\/novos-arquivos-do-fado-lisboa-e-as-fadistas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Novos Arquivos do Fado \u2013 Lisboa e as Fadistas<\/a><\/div>\n","protected":false},"featured_media":38834,"template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[316,317,315],"product_tag":[302],"class_list":["post-469","product","type-product","status-publish","has-post-thumbnail","product_cat-discos-tradisom","product_cat-fado-discos-tradisom","product_cat-tradisom","product_tag-destaque","first","instock","shipping-taxable","purchasable","product-type-simple"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product\/469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=469"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=469"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tradisom.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}