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JORGE FERNANDO

Como um verdadeiro artista de circo fazendo no trapézio perante a multidão ,silenciosa e como que paralisada ,um arriscado numero sem rede, Jorge Fernando arrisca agora de novo contra ventos e marés, contra tudo e contra todos, especialmente contra os mais puristas que geralmente são os seus maiores detractores pela sua aposta sistemática numa certa vanguarda instrumental e de arranjos e propõe-nos um novo disco –“De mim para mim” onde faz exibição de todos os seus excelsos dotes de compositor ( ouça-se já a nova e belíssima versão do seu cartão de visita fora do fado -“Umbadá, num arranjo verdadeiramente notável e irresistível) e onde acima de tudo ele demonstra porque é hoje em dia um dos melhores ou até mesmo o melhor letrista do fado (já o é sem dúvida nenhuma em termos de produção), evidenciando na parte literária dos seus trabalhos uma qualidade de tal ordem elevada que quando a mim ultrapassou já há muito essa invisível barreira e pode e deve muito justamente ser agora adicionado ao número dos grandes poetas/letristas da canção nacional por excelência que eu pessoalmente mais aprecio como sejam, entre outros, João Ferreira Rosa, Pedro Homem de Melo, Vasco de Lima Couto, Amélia Muge, Manuela de Freitas, José Luís Gordo, Maria do Rosário Pedreira, David Mourão Ferreira, Álvaro Duarte Simões, Linhares Barbosa, Tó Zé Brito, João Monge, Rosa Lobato Faria, Mário Rainho ou ...a rainha Amália Rodrigues. Já com provas dadas no campo da descoberta de talentos (Mariza, Ana Moura ou Fábia Rebordão são alguns dos mais evidentes exemplos) o cantautor é injustamente, pouco menos que ignorado por parte de alguns media nacionais, se calhar por não ser habitual frequentador das tertúlias da intelligencia ou não participar de lobbies mais ou menos na moda; assim, contando unicamente com a qualidade do seu trabalho que tem espalhado por inúmeros discos de fadistas conceituado (a)s Jorge Fernando continua a deslumbrar e surpreender a solo, suplantando-se de disco para disco e a prova evidente disso é o seu novo projecto onde assina as doze composições do disco ,duas delas em parceria com Fabia Rebordão e Guilherme Banza . Extremamente exigente, sobretudo com ele próprio, é por demais evidente o bom gosto com que, sonoramente, rodeia as suas canções e por isso mesmo é que o seu novo trabalho se pauta por uma qualidade geral acima da média, ficando no ar a incógnita que sempre me intrigou e que é perceber-se porque é que nenhuma das grandes editoras -as chamadas majors ,que quer elas queiram, quer não, e isso muito lhes custe a engolir, tem enormes responsabilidades artísticas e culturais no campo da edição em Portugal, até hoje não apostou a sério nele através de campanhas de marketing e divulgação sérias e outras formas de publicidade no sentido de colocar o artista num plano de grande evidência na musica portuguesa como ele indubitavelmente merece, muito mais que outro (a)s com discutíveis índices de qualidade que tem o estatuto de protegidos injustamente tem beneficiado e continuam a beneficiar vá lá saber-se porquê !!! Já costuma dizer o povo na sua infinita sabedoria que “vale mais cair em graça que ser engraçado” e isso, prova-se agora, é mesmo uma grande verdade... CD edição de autor/ Glam Music
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