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Escolhas de João Afonso - jacantalmeida@gmail.com

DEAD COMBO

Date: 2017-01-10 00:30

Tal como acontece com um belo leite creme queimado na Travessa do rio em Benfica ou uma boa mousse de chocolate ( com um cheirinho de medronho, claro!) que no final e perante a certeza, quase pânico até, de que já acabou a dose que pedíramos ao empregado, nos leva a lamber os dedos e até a rapar o fundo da taça com a colher ,com o novo disco “Dead Combo e as cordas da má fama” sucede o mesmo: - no final da audição apetece sempre ouvir o disco uma vez mais, e outra vez mais, e ainda outra, e outra, e outra... até o vizinho de cima reclamar ( porque o gabiru nem sabe tocar instrumento algum) ou a porteira chiar como os ratos de porão... Resultado lógico da reunião no concerto nas ruínas do Carmo, em Setembro último, em que , salvo erro pela primeira vez surgiram, vindos sabe-se lá se do Além, As Cordas da má fama (Carlos Tony Gomes no violoncelo, Denis Stetsenko no violino e Bruno Silva na viola) o novo disco do grupo que se subtitula –“Música com Lisboa lá dentro” é a prova provada de que a música instrumental portuguesa está viva, bem viva e vai durar ainda prá aí uns cinco mil anos !!! E o que nos propõem os Dead Combo neste projecto? Uma revisitação por alguns dos mais emblemáticos temas da sua carreira tais como “Quando a alma não é pequena” , “Putos a roubar maças”, “A menina dança”, “Mr.Eastwood” ou “ Lisboa mulata” desta vez sob a sonoridade de um manto esmagador mas celestial de cordas , que eles dizem de má fama , um manto deveras instrumentalmente sumptuoso, que enleia, faz sonhar com as gajas da Playboy e por vezes chega a fazer vibrar as pedras da calçada, osgas, formigas, libelinhas, carochas e outros monstros semelhantes... Que grande disco oh Combos! Venha de lá o próximo que este, sendo uma obra-prima, a minha prima Efigénia roubou-mo com o pretexto de que era dela! CD Dead Combo/Universal Music

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MICHAEL BUBLÉ

Date: 2017-01-10 00:25

Apesar de o último disco ter sido editado há já três anos – mais concretamente em 2013, Michael Bublé não pára de surpreender, especialmente pela alta qualidade que sempre marca indelevelmente as suas edições; assim, acaba de lançar mais um novo trabalho discográfico que, apesar de tudo de relevante e positivo que já o rodeia em termos de criticas favoráveis e elogiosos adjectivos, vai no entanto ser um disco de interregno na sua auspiciosa carreira pois acaba de anunciar que durante bastante tempo vai estar ausente das gravações e dos concertos ( cancelou já logicamente muitos dos agendados para promoção do novo disco)para juntamente com sua esposa mais de perto poder acompanhar os tratamentos médicos que vão ser ministrados ao seu filho mais velho – Noah de três anos de idade - a quem foi recentemente diagnosticado um cancro no fígado. O novo projecto, tal como sucedeu com trabalhos anteriores , acabará no entanto por ser na verdade, e face à sua grande qualidade e entusiasmo que já gerou, mais um disco direccionado para as charts mundiais e como é óbvio , sério candidato a galardões de ouro e platina especialmente nos mercados de língua inglesa e no seu país de origem- o Canadá. “Nobody but me” é o título do novel trabalho e nele vamos encontrar três originais para alem de versões sublimes e únicas de famosos standards tais como “My babe just cares for me” imortalizada pela diva negra Nina Simone, que há tempos nos deixou, “Go only knows” de Brian Wilson dos Beach Boys ou “I wanna be around” de Johnny Mercer... Mestre na arte de bem cantar e fonte inesgotável de talento e criatividade , o cantautor, antigo actor e comediante, vai deixar-nos saudades pela ausência ( forçada) a que se propôs que no entanto irá ser colmatada certamente pelos seus inúmeros admiradores, com a audição dos seus oito trabalhos anteriores e por este mais recente que para (difíceis ) tratamentos e pelo regresso deste crooner canadiano que alguém já disse ser o herdeiro mais legítimo de gente como Frank Sinatra ou Tony Bennett ... CD Reprise/Warner Music

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LUISA SOBRAL

Date: 2017-01-10 00:20

Junte-se um pouco de blues com uma pitada de country, adicionem-se-lhe uns laivos de Billie Holiday , jazz q.b. ,emoção à flor da pele, várias doses de sensibildade, uma mão cheia de arranjos soberbos, uma bem aviada dose de simplicidade e 100% de Luísa Sobral , agite-se tudo e...pronto aí temos “Luísa”, quarto álbum e simultaneamente o mais novo, mais maduro e personalizado disco da portuguesíssima Luísa Sobral... Gravado por Joe Henry , um dos mais conceituados produtores da actualidade com já três Grammy Awards no activo, em Los Angeles, no United Recording Áudio por onde já passaram a gravar alguns “monstros sagrados” como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Red Hot Chilli Peppers, John Mayer , Radiohead ou Ray Charles e que acaba por ser unanimemente reconhecido como uma verdadeira catedral da gravação, o novo disco da cantora direcciona-a para outros caminhos musicais onde o jazz mais puro, que caracterizava os discos anteriores deu um pouco lugar à folk , a sonoridades mais cruas, mas mais directas e simples, afinal de contas predicados que fizeram o sucesso de canções de gente como Bob Dylan ,Joni Mitchell e outros... Um projecto , instrumentalmente notável, onde a cantora , a cantar melhor que nunca, se revela como uma excelente escritora de canções e uma melodista de mão cheia e que tem os seus pontos mais altos em composições como “My man” (que Billie não desdenharia certamente interpretar!), “Cupido”, “Jardim Roma” ou “And so it goes” uma curiosa, mas bem conseguida versão do tema do mesmo título assinado pelo grande Billy Joel... CD Sons em trânsito/Universal Music

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RITA REDSHOES

Date: 2017-01-06 00:15

E ao quarto disco, num trabalho que pela primeira vez galgou fronteiras em termos de produção e gravação, acontece o que há muito tempo se adivinhava: - surge o disco perfeito, a maturidade vocal e acima de tudo a afirmação duma compositora , que pela primeira vez arrisca cantar em português , provando a todos, e a si própria também, que contrariamente ao que muita gente afirma ( alguns com grande responsabilidades no meio musical), a língua portuguesa tem musicalidade, melodia e personalidade próprias... “Her” , um trabalho nitidamente direccionado para as problemáticas do mundo feminino , especialmente para o papel ( diversificado )da mulher na sociedade contemporânea, é no entanto bem diferente dos dois últimos de Rita Redshoes e é a própria artista que o confirma quando diz que: “desta vez não queria uma coisa folk, mas antes regressar um pouco ao primeiro disco , que era uma coisa mais clássica” ; uma das grandes mais valias do album , para além da excelente amplitude vocal de que Rita dá mostras e do elevado nível e inspiração na composições das canções, é sem dúvida também a grande coesão instrumental a que não é alheia a presença de um belíssimo naipe de bons músicos que em conjunto e sob a batuta do conceituado produtor Victor Van Vugt ( Nick Cave, P.J. Harvey, Billy Bragg, Depeche Mode, etc.) idealizaram a cama instrumental mais adequada e perfeita para a voz da cantora que agora e aqui se revela , um dos mais importantes e notáveis nomes femininos da canção em Portugal! CD Sons em trânsito /Universal Music

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RODRIGO LEÃO

Date: 2017-01-06 00:05

Encontraram-se uma primeira vez em 2011 aquando da gravação de “A montanha mágica”e mais tarde em “Songs”e desde aí resolveram que essas seriam as primeiras de várias colaborações futuras entre ambos tanto mais que a empatia e a faísca , sempre necessárias, aconteceram como que por magia; agora de parceria com o mesmo letrista e cantor escreveu o belíssimo “Life is long” ,mais um capítulo importante numa meteórica carreira a solo iniciada há anos atrás com “Avé mundi luminar”logo após abandonar o seio dos Madredeus onde durante anos como teclista ajudou a colocar o grupo português no topo do mundo musical nacional e internacional. Falo de Rodrigo Leão que agora nos revela uma sua nova faceta, se calhar não tão surpreendente quanto isso, ao reclamar para a totalidade do novo projecto a voz de Scott Matthew que na perfeição e através duma série de vocalizações brilhantes, profundamente belas e algumas vezes até nostálgicas, acaba por conseguir tornar mais rica e notável a música já de si brilhante, imaginativa e sedutora do antigo Madredeus... Há quem ultimamente já tenha afirmado que o encontro entre os dois era improvável, mas inevitável; eu digo que mais que era mais que inevitável porque estava escrito nas estrelas ; os sonhos existem e por isso mesmo, muitas vezes acontecem! Quem diria, por exemplo há anos atrás que um antigo e para ele irrealizável sonho de Rodrigo- ter Ryuichi Sakamoto a tocar num álbum seu– seria possível? Esse mesmo sonho tornou-se mais tarde realidade ( com alguma influência minha, diga-se de passagem, pois consegui convencer Sakamoto a ouvir os discos de Rodrigo )e portanto tudo isto vem provar que afinal de contas é bem verdade o que diz o poeta:-“o sonho comanda a vida”... Cantor de inegáveis recursos , onde a emoção, sobriedade e sensibilidade andam de mãos dadas com magia e doçura , Scott deu outra vida e notoriedade às composições de Rodrigo Leão que atingem aqui um patamar de excelência verdadeiramente invulgar , de uma beleza discreta, mas arrebatadora e que acabam por resultar num encontro musical perfeito, invulgarmente belo e único! Estaremos em presença do melhor álbum de Rodrigo Leão? É bem provável que sim, mas de uma coisa estou certo:- “Life is long” é um dos melhores e mais belos discos de 2016! Disso não tenho dúvidas!!! CD Uguru/Universal Music

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